Dotô, eu tô gripado?

vacina

Com a chegada do inverno, cresce o número de pessoas infectadas pelo vírus da gripe, chamado de vírus Influenza. As pessoas ficam mais juntinhas, em lugares fechados e, além disso, o vírus é mais estável em temperaturas baixas, facilitando a disseminação da doença.

Dotô, é verdade que a vacina da gripe deixa a gente doente?

Não é verdade. Existe uma parcela de pessoas que podem vir a sofrer efeitos adversos após tomarem a vacina, com um pouco de dor no local de aplicação e fraqueza, mas que duram no máximo 48 horas.

A verdade é que o fato de você ter tido gripe ano passado (ou até se vacinado) não impede que você tenha gripe esse ano. Porque o subtipo de vírus responsável pela gripe muda todo ano através de um processo chamado de mutação. E é por isso também que a vacina contra a gripe é feita sempre com os três principais subtipos de vírus que irão circular durante uma epidemia anual de gripe.

Mas porque Dotô? Eu não tenho que tomar a vacina pra não ficar com gripe?

Sim, mas como o Dotô disse antes, o que acontece com a gripe é que o vírus fica um pouquinho diferente todo ano. Por exemplo, a gripe causada pelo vírus Influenza que circulou ano passado no Brasil não é a mesma que circulará no Brasil agora em junho/julho, porque o vírus sofreu um tipo de mutação que ocorre anualmente, chamada de mutação antigênica drift. Ele ficou diferente, impedindo que o sistema imunológico o reconheça, não sendo então destruído. São essas mutações que causam as epidemias anuais da gripe. E é daí que ficamos doentes, prostrados, com aquela gripe, febre, dor de cabeça, tosse, etc. Essas mutações acontecem nas proteínas de superfície do vírus, chamadas de hemaglutinina e neuraminidase.

O que realmente acontece é que a vacina protege somente contra a gripe, que é causada pelo vírus Influenza. Existem outras infecções, muitas vezes ditas inclusive como gripe, mas que não são gripe, e sim resfriados. Existem mais de 200 tipos de vírus que causam resfriado, mas o principal é o rinovírus.

E é por isso que o Dotô reforça que, sim, devemos tomar a vacina contra o vírus Influenza todo ano. Nessa semana, do dia 15 a 26 de abril, começa a campanha de vacinação. Se você pertence a um dos grupos de risco, que incluem: portadores de doenças crônicas, idosos, crianças de 6 meses a 2 anos, puérperas (até 45 dias pós-parto), profissionais de saúde, gestantes, indígenas e cárceres, não deixe de se vacinar!

Mas Dotô, eu vou ter que tomar a vacina todo ano? Não tem outra opção?

Por enquanto não tem outra opção, mas existem pesquisas para que se consiga produzir uma vacina universal. Espera-se que esta vacina possa proteger não só das epidemias anuais, mas as pandemias também, como a pandemia causada pelo Influenza A H1N1 em 2009. A ideia seria produzir uma vacina mais eficiente, que induz a produção de anticorpos neutralizantes contra regiões conservadas das proteínas do vírus, que não sofrem mutação, como por exemplo, a região conservada da proteína hemaglutinina.

GLOSSÁRIO:

Anticorpos neutralizantes: proteínas produzidas pelo corpo humano que tem como função principal se ligar de forma específica e destruir o microrganismo que está causando a doença.

Cárceres: são indivíduos que estão em cadeias ou penitenciárias.

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos.

Influenza A: Principal tipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos.

Mutação antigênica drift: Mutações que o vírus da gripe sofre todo ano, mudando um pouquinho as suas proteínas de superfície presentes no envelope viral, hemaglutinina e neuraminidase.

Mutação antigênica shift: Mutações mais eficientes nas proteínas hemaglutinina e neuraminidase, que junto com rearranjos entre segmentos do material genético do vírus de diferentes espécies, pode gerar novos vírus que nunca antes o nosso sistema imunológico tenha entrado em contato.

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Puérperas: puerpério é o nome dado à fase pós-parto, então, puérperas são as mulheres que tiveram filhos recentemente.

Rinovírus: principal vírus que causa resfriado.

 

Agora uma musiquinha para diminuir os sintomas da gripe…