Dotô, o que é virose?

Apresentando o blog:

Quem nunca foi no médico com sintomas de resfriado, dor no corpo, dor de cabeça ou com aquela dor de barriga, e aí o médico virou e falou: “Você está com uma virose…”.
E você ficou se perguntando: “O que é virose? Será que tudo que eu pego é virose? Como o médico pode só olhar pra minha cara e falar isso?”.

Para responder essas e outras perguntas, criamos esse blog. Formado por alunos de Pós Graduação da área de Virologia, preocupados em como a virologia é disseminada para todos e como as pessoas entendem o estudo dos vírus.

Dotô, o que é virose?

Virose é um conceito muito usado na medicina pra falar de qualquer infecção causada por microorganismos que tenha sintomas gerais e inespecíficos, e que confunde muito os pacientes. Enfim, o que é virose? Será que esse conceito é utilizado de forma correta?

Para os cientistas, o conceito de virose, utilizado no dia a dia por todos, não é o conceito correto. Quando estamos doentes, alguns sintomas são considerados inespecíficos como: dor de cabeça, febre, diarreia, mal estar, tosse. Eles são considerados inespecíficos, pois são sintomas encontrados em várias doenças comuns a microrganismos diferentes, como bactérias, protozoários e vírus. Hoje em dia, quando os médicos encontram um paciente que apresenta esses sintomas, ele considera que esse paciente está com uma virose. Ou seja, virose seria uma infecção causada por um microorganismo que apresenta sintomas inespecíficos.

Mas os cientistas tem outra visão: uma virose seria aquela doença causada apenas por vírus e não por outros microrganismos. Então, quando o médico diz que você tem uma virose e receita um antibiótico, ele está agindo de maneira inadequada, pois os antibióticos são remédios utilizados para inibir o crescimento ou eliminar as bactérias que possam estar causando a doença. Se essa doença não estiver ocorrendo por uma infecção bacteriana, qual seria a vantagem do antibiótico? O ideal nesse caso é fazer um diagnóstico clinico (feito pelo medico) e laboratorial. Assim, quando se confirma pelos sintomas e pelo laboratório que a doença é causada por um vírus, e não por uma bactéria, impede-se a utilização errada de antibióticos, o que contribui para diminuir os casos de resistência a antibióticos, tão comum nos dias de hoje.

Porém, nem sempre essa conduta pode ser realizada pelo sistema público de saúde. Isso ocorre pois os médicos enfrentam problemas que vão desde o tempo curto para o atendimento do  paciente, até  a falta de recursos nos hospitais públicos. Mesmo assim o profissional deve sempre estar atento e deve disponibilizar aos seus pacientes a atenção básica necessária, conversando e examinando o paciente pelo tempo que for preciso, fazendo um trabalho de qualidade.

Outra abordagem é feita durante casos de epidemias (como a dengue) e pandemias (como a influenza A H1N1 2009). Por exemplo, atualmente, no Estado do Rio de janeiro, está acontecendo uma epidemia de dengue, onde há uma prevalência do dengue tipo 4. O médico, sabendo disso, direciona o diagnóstico de febre, dores no corpo e de cabeça, náuseas e vômitos, aliado com a queda de plaquetas, para uma suspeita de dengue e assim ele faz o diagnóstico e escolhe o tratamento. Porém, a confirmação só é feita aliada ao diagnóstico laboratorial por métodos mais específicos como os ensaios imunoenzimáticos, que tentam encontrar proteínas do vírus ou anticorpos específicos contra o vírus (como o teste de ELISA) ou métodos de biologia molecular (como o PCR) que procuram detectar o material genético do vírus.

O diagnóstico laboratorial utilizando a biologia molecular ajudou no controle da pandemia de influenza A H1N1 em 2009, pois com a utilização de ensaios de PCR em tempo real (um método em que você consegue amplificar e quantificar a sequência especifica do genoma de um organismo e, a partir daí, diferenciá-lo de outro organismos ou mesmo detectar pequenas diferenças genéticas do vírus) se observou que a grande maioria dos casos de infecção respiratória foi devido ao vírus influenza A H1N1, e não a outros vírus, porque ele era o mais prevalente nos estudos de vigilância epidemiológica. Assim, havia uma infinidade de casos que foram acompanhados e tratados quando necessário para a infecção causada por esse vírus.

Aproveitando pra falar do vírus Influenza, vai aí uma alerta pra toda a população: em abril começa a campanha de vacinação contra gripe! Os grupos a serem vacinados são: idosos (+60 anos), gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, portadores de doenças crônicas (ex: respiratória, cardíaca, renal, hepática, neurológica, obesidade, diabetes, imunossupressão), indígenas e profissionais de saúde! Vacine-se!

Agora, vai um hit pra descontrair!

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