Retrospectiva Dotô 2014!!!!!

Bem, é início de ano e o Dotô entrou nesse clima nostálgico e decidiu fazer um breve levantamento dos acontecimentos mais relevantes na virologia durante o ano de 2014.

2014

Fonte: http://tempestade85.blogspot.com.br/2014/12/adeus-2014.html

Ano de mudanças – novo calendário nacional de vacinação é reforçado em 2014

Em 2014, grandes passos foram dados em relação à prevenção de doenças causadas por vírus de alta incidência em nosso país. Estamos falando da Hepatite A e do papilomavírus humano, conhecido como HPV.

A vacina contra Hepatite A, apesar de estar disponível no mercado por anos, sendo comercializada apenas na rede particular de saúde, passou em 2014 a ser disponibilizada no serviço público de saúde. A vacina hoje está disponível para crianças entre 1 e 2 anos (incompletos) em única dose. A vacina contra a hepatite A foi incorporada ao programa nacional de imunização. O Ministério da Saúde investiu R$ 111 milhões na compra de 5,6 milhões de doses dessa vacina para o ano de 2014

O HPV é responsável por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero, a terceira maior causa de tumor nas mulheres e terceira causa de morte por câncer na população no Brasil. Em março de 2014 o Ministério da Saúde começou a oferecer a vacina contra HPV para meninas entre os 11 e 13 anos. Quase 5 milhões de meninas na faixa etária indicada tomaram a primeira dose e cerca de 2,6 milhões foram vacinadas com a segunda dose.

A vacina contra o HPV levantou muitas polêmicas acerca de sua segurança durante as campanhas de vacinação, sendo o tema de diversas matérias. Segundo o Ministério da Saúde, os  casos de reações adversas decorrentes da vacina foram notificados e estão sendo acompanhados. Além disso, o Ministério da Saúde reintegrou a necessidade de vacinação, frente à eficácia e segurança da vacina. A perspectiva é de que em 2015 serão vacinadas adolescentes de 9 a 11 anos e, à partir de 2016meninas com 9 anos de idade. Lembrando aos pais e adolescentes que a vacina é oferecida em um esquema de duas doses.

– Os Enterovírus chegam mais cedo para a copa do mundo 2014

 Em junho de 2014 em amostras de águas do aeroporto Viracopos em Campinas, São Paulo, foi detectada a presença de poliovírus tipo 1 selvagem. Analises revelaram que o vírus caracterizado é semelhante aos poliovírus que circulam em algumas regiões da África Central, sendo originário da Guiné Equatorial.  Esse achado não significa mudança na situação epidemiológica da poliomielite no país ou ameaça à condição de doença erradicada no Brasil.

Desde 1990, não há registro de casos de poliomielite no país, fato que levou o Brasil a obter da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) o certificado de área livre do poliovírus selvagem no ano de 1994, juntamente com os demais países das Américas. Entretanto, como ainda há circulação de poliovírus selvagem em alguns países do mundo, o risco de importação de casos ou do vírus para o Brasil ainda permanece.

Plantão Dotô, Mundo (Tan .. tantantan … tan tan tan tan tan): No final do mês de Agosto de 2014, um surto de doença respiratória grave associado com um enterovírus (Enterovirus – D68) surgiu no Kansas e Illinois, nos Estados Unidos. O surto foi caracterizado pelo aumento no número de pacientes hospitalizados com doença respiratória. A maioria dos indivíduos acometidos tinha idade em torno de 4 e 5 e grande parte das internações em unidades de terapia intensiva pediátrica foram por insuficiência respiratória. No surto atual não foram reportados casos fatais.

O mesmo vírus foi isolado a partir de amostras de crianças na Califórnia com paralisia flácida aguda e existe pelo menos um relatório da sua associação com doença do sistema nervoso central.

– Os arbovírus vêm curtir o verão brasileiro

Em 2014 os arbovírus fizeram do Brasil seu ponto de visitação, além dos nossos velhos conhecidos, o vírus da Dengue e o da febre amarela, nosso país recebeu mais dois novos “turistas” que parecem que vieram para ficar. O primeiro visitante foi o vírus Chickungunya que chegou bem de mansinho pelo Amapá e rapidamente se alastrou por quase todo território nacional, como já foi descrito pelo Dotô em outro post.

Nosso segundo “visitante” foi o Vírus do Oeste do Nilo, que apesar de relatos de cavalos com anticorpos no pantanal e de aves infectadas no nordeste, nenhum caso humano havia sido registrado até então. O primeiro caso registrado no Brasil foi o de um agricultor do Piauí. O paciente apresentou febre, dores de cabeça e rigidez muscular em agosto de 2014, amostras encaminhadas para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, confirmaram se tratar do Vírus do Oeste do Nilo. Investigações em animais e insetos estão sendo conduzidas em pequenas propriedades no interior do Piauí para melhor caracterizar o ciclo de transmissão da doença na região.

– HIV mais fraco? Pode isso Dotô?

A última notícia “viral” que deu o que falar em 2014 – foi um estudo belga no qual um grupo de Dotôres chegou à conclusão de que o vírus da imunodeficiência humana (HIV) está mais “fraco”. De acordo com o estudo o vírus HIV que atualmente circula na população tem uma menor capacidade de infectar células humanas do que os vírus do início da pandemia do HIV que se iniciou cerca de vinte anos atrás. Os pesquisadores concluíram que, em cerca de 60 anos, o HIV pode perder sua capacidade de infectar células humanas e causar doença, a AIDS.

Apesar de animadora, essa notícia deve ser interpretada com muita cautela. O número de amostras estudadas foi pequena e a conclusão é uma extrapolação dos dados obtidos no estudo. Não podemos esquecer que a infecção pelo vírus HIV ainda é um problema mundial e que, mesmo com o avanço na terapia antirretroviral, milhões de pessoas ainda morrem anualmente devido a Aids. Não esqueça meus queridos pacientes, a melhor forma de prevenção contra AIDS, e outras doenças sexualmente transmissíveis, é o uso de preservativo.

Reflexão de 2014 – Epidemia de ebola: como o mundo lida com essa surpresa?

O vírus mais comentado no ano de 2014 não poderia ficar de fora dessa retrospectiva. Apesar de já termos publicado sobre ele em diferentes posts ao longo do ano, o Dotô decidiu falar sobreo Ebola como uma reflexão. A reflexão de como 2014 nos provou que na virologia nada é estático e que os vírus podem sim nos surpreender. O Ebola é prova de que não podemos subestimar um agente. Em 2014 o Ebola não só afetou novas áreas no continente africano, atingindo pela primeira vez a costa oeste da África, mas rompendo barreiras continentais chegando às Américas e à Europa, se tornando uma preocupação global. Outra lição aprendida à duras penas foi que somos vulneráveis, como organismos, como comunidade, nação e como organização mundial. Casos de ebola, acreditem vocês, continuam ocorrendo, indivíduos de todas as idades, raças, etnias e condições monetárias são atingidos diariamente. E, diante da epidemia, o mundo recuou. A Fundação Médicos Sem Fronteiras chegou a anunciar que não existiam mais profissionais nem material para trabalho nas regiões afetadas pela epidemia. E com indignação alguns pensamentos me vieram a mente: Será?! Somos tão fracos, não vamos lutar?! Esse era o pensamento, que gosto de pensar que era mundial, de impotência e de perda … Felizmente nações se levantaram e decidiram voltar à batalha.

Outras questões éticas muito importantes também foram levantadas com a epidemia de ebola: até onde vai o direito de ir e vir de um paciente? Podemos mesmo colocá-lo em isolamento? Onde o direito individual termina e a preservação pelo bem-coletivo se inicia? É melhor tratar o paciente infectado com antivirais ainda pouco conhecidos ou não tratar? Essa é mesma uma escolha livre de distorções? Estamos mesmo tentando salvar vidas ou aproveitando uma oportunidade? Porque um médico ou qualquer indivíduo de outra nação merece um tratamento diferente de qualquer outro africano que se infectou com Ebola?

São muitas as respostas para as diferentes perguntas acima. O que o Dotô, pretende é realmente propagar os sentimentos de respeito, curiosidade e interesse pelos diferentes vírus existentes. Que a epidemia de Ebola, que ainda está ocorrendo (desculpem a repetição mais é importante enfatizar), não seja apenas mais uma epidemia, mas sim um aprendizado para profissionais de saúde, agências internacionais, para as diferentes nações e para todos os habitantes desse planeta. Que todas as lições aprendidas em 2014 acerca do Ebola possam nos preparar para os próximos desafios que os vírus possam nos trazer.

GLOSSÁRIO

Poliovírus (poliomielite) A poliomielite é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus (sorotipos 1, 2, 3), que pode infectar crianças e adultos por via fecal-oral e provocar ou não paralisia. A paralisia flácida aguda é caracterizada por flacidez muscular que afeta, em regra, um dos membros inferiores.

Enterovirus-D68 o enterovírus-D68 é um dos mais de 100 enterovírus não pólio, e foi inicialmente caracterizado nos EUA em 1962.

Vírus do Oeste do Nilo – A Febre do Oeste do Nilo é uma virose transmitida por mosquitos do gênero Culex sp que causa encefalite ou meningite. Seu nome foi dado devido ao fato do vírus ter sido isolado, pela primeira vez em 1937, na região do Oeste do Nilo em Uganda.

REFERÊNCIAS

http://www.portal.anvisa.gov.br

http://www.portalsaude.saude.gov.br

http://www.blog.saude.gov.br

http://www.cdc.gov

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