Dotô, eu preciso tomar vacina da gripe todo ano?

gripe

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A gripe é uma doença causada pelo vírus influenza, que pode ser prevenida anualmente através da vacina anti-influenza. Embora qualquer pessoa, a partir de seis meses de idade, possa tomar a vacina, apenas alguns grupos têm direito a vacina gratuitamente na rede pública de saúde. Isso porque a intenção da vacina não é evitar ou até mesmo eliminar a doença como, por exemplo, as vacinas da poliomielite ou do sarampo. O objetivo da vacinação contra o vírus influenza é reduzir a morbidade e a mortalidade nas populações que têm maior chance de desenvolver a forma mais grave da doença.

Os grupos prioritários a serem vacinados de acordo com recomendações do Ministério da Saúde são:

Crianças de 6 meses a menores de 5 anos;
Gestantes;
Puérperas;
Trabalhador de saúde;
Povos indígenas;
Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
População privada de liberdade;
Funcionários do sistema prisional;
Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis;
Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).
Fonte: Portal da Saúde – Ministério da Saúde

A gripe pode ser causada pelos vírus influenza A (subtipos H1N1pdm09 ou H3N2) e pelo vírus influenza B. A vacina anti-influenza protege para todos esses vírus e anualmente a OMS (Organização Mundial da Saúde) reune-se para que, com base em relatórios dos países do Hemisfério Sul reportando quais cepas virais irão circular no inverno de cada uma das regiões, possa recomendar quais serão as cepas vacinais que irão compor a vacina do ano seguinte.

Mas Dotô, por que tem que tomar a vacina todos os anos?

Porque os vírus influenza possuem uma taxa de mutação muito alta, isso significa dizer que o vírus pode mudar muito de um ano para o outro, sendo assim a vacina do ano anterior pode não proteger para o vírus que circula no ano seguinte. Além disso, algumas pesquisas científicas mostram que a imunidade contra o vírus dura entre seis meses a um ano, reforçando a necessidade de uma nova dose da vacina a cada ano.

Então, se você faz parte de algum grupo prioritário, deve tomar a vacina anti-influenza todos os anos sim, preferencialmente entre os meses de abril a junho quando o vírus, normalmente, começa a circular no Brasil.

Muitos cientistas estudam uma forma de produzir uma vacina universal que proteja de forma mais duradoura contra qualquer tipo de vírus influenza, porém esses estudos ainda não mostraram nenhum candidato à vacina eficaz.

Caso você tenha curiosidade sobre a produção da vacina anti-influenza, veja no link abaixo um vídeo abaixo mostrando como o Instituto Butantan fabrica a vacina:
Como é feita a vacina da gripe?

 

GLOSSÁRIO

Morbidade: número de pessoas doentes com relação a uma doença e uma população.
Puérpera: mulher que acabou de parir.
Trissomias: presença de um cromossomo extra
Cepa viral: vírus de uma determinada espécie viral que já foi caracterizado fenotipicamente e/ou genotipicamente.

REFERÊNCIAS:

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Influenza.  2016.  Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/influenza >.  Acesso em: 13 de novembro de 2016.

SIQUEIRA, M. M.  et al. Influenza. In: COURA, J. R. (Ed.). Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, v.2, 2013. cap. 161, p.1855-1872.  (Doenças produzidas por vírus). ISBN 9788527710947.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Health topics. Influenza.  2016.  Disponível em: < http://www.who.int/topics/influenza/en/ >. Acesso em: 13 de novembro de 2016. (página em inglês)

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pelo alun de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Priscila Born, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e Dra Renata Carvalho de Oliveira.

 

 

Dotô, que epidemia de gripe é essa que está acontecendo na China?

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            É uma epidemia causada pelo vírus Influenza A H7N9, um novo vírus Influenza que surgiu no leste da China durante fevereiro e março de 2013 e espera-se que apareçam novos casos.

            Sempre é preocupante quando aparecem novas mortes ocasionadas pelo vírus Influenza em qualquer parte do mundo. Mais preocupante ainda é quando o novo subtipo do vírus que está causando essas mortes aparece na China e na Ásia. Desde o século passado, vários surtos de Influenza foram noticiados, geralmente pelo contato das pessoas com animais como porcos e galinhas, que podem hospedar esses vírus e passar para os humanos. O que geralmente ocorre é que na Ásia (em particular na China) há muitos tratadores de galinhas e de porcos que vivem em contato direto com esses animais, sem nenhuma higiene e sem nenhum cuidado e esses animais são vendidos diretamente para pessoas que os utilizarão como alimento. Ao se infectarem, tanto os tratadores, quanto os compradores ficam doentes e não notificam sua enfermidade para as autoridades de sua região (só quando a doença chega no estágio de tratamento hospitalar). Nesse meio tempo, a doença se espalha pela região e o número de casos aumenta, dificultando a contagem dos casos e, com isso, dificultando o tratamento dos possíveis doentes e a prevenção de novos casos.

            No caso da epidemia de H7N9, 82 casos foram notificados às autoridades da China, com 17 mortos, ou seja, quase uma  em cada cinco pessoas infectadas pelo vírus vieram à óbito. Os sintomas encontrados nas pessoas doentes variou desde uma pneumonia de progressão rápida, falha respiratória e síndrome do estresse respiratório agudo, todos altamente relacionados às infecções respiratórias graves. O mais alarmante é que uma boa parte dos pacientes que se infectaram pelo vírus e ainda estão vivos, estão com sintomas graves da doença, o que pode aumentar a quantidade de mortes pelo vírus. Outro fator importante é a quantidade de pessoas infectadas que não devem ter notificado a doença para as autoridades responsáveis. A região onde foram notificados os casos possui poucos recursos, o que dificulta a ação das autoridades para diminuir o numero de casos.

            Ao se depararem com o aumento dos casos da gripe H7N9, as autoridades e cientistas ficaram preocupados com o fato de que essa doença poderia vir a ser uma nova epidemia com possibilidade de se estender pelo mundo todo, como a epidemia de Influenza H1N1 foi em 2011. Mas, até o momento a epidemia se mantém limitada ao território Chinês.

Saber como ocorre a transmissão da doença é um fator importante para avaliar seus métodos de prevenção. Para isso, pesquisadores investigaram o contato de indivíduos infectados pelo vírus com animais que poderiam ser os responsáveis pela transmissão do Influenza. Dos 82 indivíduos infectados pelo vírus, 59 (77%) tiveram exposição recentes à animais, sendo que  45  (76%) dos indivíduos tiveram exposição à galinhas, 12 (20%) à patos e quatro (7%) à porcos. Preocupados com a alta taxa de contato com galinhas, um outro grupo de pesquisadores chineses decidiu investigar se o contato com esses animais seria a causa da epidemia de H7N9. Para isso, coletaram amostras de pacientes que entraram em contato com galinhas do mercado de animais local e de galinhas comercializadas por esses mesmos locais. Como eles esperavam, as amostras dos pacientes continham um isolado viral do H7N9 bastante similar aos das amostras das penosas. Além disso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que esse vírus estava altamente associado com a gravidade dos sintomas, como a pneumonia severa, e que o vírus H7N9 pode ser considerado o terceiro subtipo do vírus Influenza transmitido de galinhas para humanos, documentado, que pode causar óbito. O primeiro e mais importante desses vírus é o subtipo H5N1 (chamado de gripe aviária) que causou 58,3% de mortes em 1997 em Hong Kong e 62% de mortes em 2007 à 2008 em países na Ásia como o Vietnã, Tailândia e Cambodja.

O aumento do número de casos vem sendo observado com muito cuidado pelas autoridades Chinesas e mundiais. O medo de que essa epidemia de H7N9 se alastre pelo mundo e se torne uma pandemia é bastante grande. Por enquanto, não se sabe como ocorre a transmissão de humanos para humanos ou se a transmissão não é tão importante como a transmissão de galinhas para humanos. O mais preocupante são os sintomas que são rápidos e graves e a taxa de mortalidade que, por enquanto, beira os 21%. O Dotô está preocupado com mais outra epidemia de Influenza e ficará de plantão esperando novidades para trazer para nossos pacientes.

Falando de Influenza, o Dotô lembra que devemos tomar as seguintes medidas para não transmitirmos a doença para outros amiguinhos:

• Lavar (higienizar), com frequência, as mãos;

• Usar lenço descartável para higiene nasal;

• Encobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir;

• Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

• Higienizar (lavar) as mãos após tossir ou espirrar;

• Evitar aglomerações em locais fechados.

GLOSSÁRIO:

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos. É o H do nome do vírus, indo de H1 à H16.

Influenza A: Principal subtipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Influenza A H1N1: Subtipo do vírus de Influenza A que causou a gripe espanhola de 1918, levando à morte 50-100 milhões de pessoas no mundo todo. Uma nova variante do vírus H1N1 substituiu o vírus antigo, causando a pandemia de 2009, também chamada de gripe suína.

Influenza A H5N1 – Subtipo de Influenza A que causou a chamada gripe aviária, com seu inicio em 1997 na Ásia, tendo reaparecido em 2004 na Ásia, levando à 49 mortos.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos. É o N do nome do vírus, indo de N1 à N9

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Dotô, qual a diferença entre o charme o funk? Não, quero dizer, qual a diferença entre a gripe H7N9 e a gripe H1N1?

charme e funk

Dotô, qual a diferença entre o charme o funk? Não, quero dizer, qual a diferença entre a gripe H7N9 e a gripe H1N1?

Na verdade, meu caro paciente, um anda bonito e o outro elegante.

Ah, calma aí, a diferença entre os vírus da gripe né? Existem várias diferenças, mas a nomenclatura é bastante importante.

Todas as gripes são causadas pelo mesmo vírus, o vírus Influenza. Existem dois fatores que diferenciam e nomeiam os diferentes subtipos do vírus Influenza:

1) O primeiro fator é a classificação pelo gênero do vírus. Todos os vírus são englobados dentro de um mesmo grupo chamado de família. Dentro de uma determinada família viral os vírus são classificados em grupos menores chamados de gêneros, de acordo com a sua semelhança. Para os vírus Influenza existem cinco gêneros chamados de Influenza A, Influenza B, Influenza C, Influenza Thogotto e Influenza Isa. Os dois últimos não infectam os humanos (além de ter um nome muito estranho), o Influenza C praticamente não causa sintomas e não causa epidemias em nenhum lugar, o Influenza B pode causar epidemias de tempos em tempos, mas normalmente causa uma doença branda com poucos sintomas, mas o Influenza A. Ah, o Influenza A! Esse sim é que causa as epidemias e pandemias de Influenza e está relacionado com os sintomas mais graves das infecções por esse vírus.

             Então, podemos dizer que a maioria das infecções pelo vírus Influenza ao redor do mundo e que causam epidemias ocorrem pelo vírus Influenza A (como o vírus H7N9, o vírus H1N1, dentre outros).

2) O segundo fator está relacionado a duas proteínas encontradas na superfície do vírus, que protegem sua informação genética e são essenciais ao vírus, a Hemaglutinina e a Neuraminidase. Essas duas proteínas são encontradas em diferentes versões, em diferentes subtipos de vírus e em diferentes animais infectados pelo vírus Influenza. Ao todo existem 16 tipos de Hemaglutininas (chamados de H1 à H16) e 9 tipos de Neuraminidase (chamados de N1 à N9). Então, nós podemos encontrar diferentes vírus, com diferentes combinações dos tipos de Hemaglutinina e Neuraminidase, o que dá um total de 144 combinações possíveis de subtipos de Influenza A.

            Sabendo disso, fica fácil entender as diferenças entre os nomes dos vírus. O vírus H7N9 é o vírus Influenza A formado pela Hemaglutinina 7 (H7) e Neuminidase 9 (N9). O que dá H7 + N9 = H7N9. E o vírus H1N1 é o vírus Influenza A formado pela Hemaglutinina 1 (H1) e Neuminidase 1 (N1). O que dá H1 + N1 = H1N1.

            Já sabemos que os diferentes vírus Influenza são vírus com proteínas Hemaglutinina e Neuraminidase diferentes. Mas, um fator importante é que, para cada infecção, causada por cada subtipo de vírus Influenza diferente, é necessária uma nova resposta da defesa do seu corpo, a resposta do sistema imune. Imagine que seu sistema imune seja formado por soldados especializados para determinado inimigo, e esses soldados só conseguem atacar mais eficientemente determinado inimigo ao qual ele é especializado. Mas tem um problema, essa especialização dos soldados do sistema imune só ocorre após entrar em contato com o inimigo (o vírus Influenza). Então, certo dia, os soldados estão dentro do seu corpo de plantão esperando a chegada de um inimigo, quando, de repente, um inimigo é avistado (digamos o vírus Influenza A H1N1). Os soldados então vão para a guerra e acabam com a infecção, se especializando no H1N1 (na verdade nas proteínas H1 e N1). Se houve outra infecção pelo vírus Influenza A, como esses soldados estão mais especializados, atacarão e destruirão mais facilmente esse vírus. Mas, se houver uma infecção pelo vírus Influenza A H7N9, outros soldados terão que especializar nesse vírus e atacar esse vírus, provocando uma resposta diferente do sistema imune, com soldados diferentes. Na próxima infecção pelo vírus Influenza A H7N9 a reação do sistema imune será mais rápida.

            Mas espere, não é só isso, como explicado anteriormente no texto “Dotô, eu tô gripado?”, existem mutações nos vírus Influenza que dificultam a atuação desses soldados, sendo necessária uma nova especialização do sistema imune para atacar os mesmos vírus que nos infectou antes, como a reinfecção pelo H1N1. Por isso, se você se infectar pelo mesmo vírus Influenza você pode voltar a ter os sintomas da infecção pelo vírus. A mutação que o vírus Influenza sofre é um dos grandes fatores das epidemias e pandemias que nós vemos mundialmente causadas pelo vírus.

            Pelo vírus Influenza ter uma capacidade tão grande de infecção é que o “Dotô é virose?” insiste na vacinação contra o vírus. Há uma campanha de vacinação ocorrendo neste momento e que vai até o dia 10 de maio. Não deixe para depois, corra para garantir a sua vacina, ainda dá tempo.

 

GLOSSÁRIO:

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos.

Influenza A: Principal subtipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Influenza B, C, Thogotto e Isa: Subtipos de vírus da gripe que causam infecções mais brandas ou infecções assintomáticas em relação ao vírus Influenza A. O vírus Influenza B está relacionado com pequenos surtos.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos.

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Agora o grande hit e música tema do post:

Dotô, eu tô gripado?

vacina

Com a chegada do inverno, cresce o número de pessoas infectadas pelo vírus da gripe, chamado de vírus Influenza. As pessoas ficam mais juntinhas, em lugares fechados e, além disso, o vírus é mais estável em temperaturas baixas, facilitando a disseminação da doença.

Dotô, é verdade que a vacina da gripe deixa a gente doente?

Não é verdade. Existe uma parcela de pessoas que podem vir a sofrer efeitos adversos após tomarem a vacina, com um pouco de dor no local de aplicação e fraqueza, mas que duram no máximo 48 horas.

A verdade é que o fato de você ter tido gripe ano passado (ou até se vacinado) não impede que você tenha gripe esse ano. Porque o subtipo de vírus responsável pela gripe muda todo ano através de um processo chamado de mutação. E é por isso também que a vacina contra a gripe é feita sempre com os três principais subtipos de vírus que irão circular durante uma epidemia anual de gripe.

Mas porque Dotô? Eu não tenho que tomar a vacina pra não ficar com gripe?

Sim, mas como o Dotô disse antes, o que acontece com a gripe é que o vírus fica um pouquinho diferente todo ano. Por exemplo, a gripe causada pelo vírus Influenza que circulou ano passado no Brasil não é a mesma que circulará no Brasil agora em junho/julho, porque o vírus sofreu um tipo de mutação que ocorre anualmente, chamada de mutação antigênica drift. Ele ficou diferente, impedindo que o sistema imunológico o reconheça, não sendo então destruído. São essas mutações que causam as epidemias anuais da gripe. E é daí que ficamos doentes, prostrados, com aquela gripe, febre, dor de cabeça, tosse, etc. Essas mutações acontecem nas proteínas de superfície do vírus, chamadas de hemaglutinina e neuraminidase.

O que realmente acontece é que a vacina protege somente contra a gripe, que é causada pelo vírus Influenza. Existem outras infecções, muitas vezes ditas inclusive como gripe, mas que não são gripe, e sim resfriados. Existem mais de 200 tipos de vírus que causam resfriado, mas o principal é o rinovírus.

E é por isso que o Dotô reforça que, sim, devemos tomar a vacina contra o vírus Influenza todo ano. Nessa semana, do dia 15 a 26 de abril, começa a campanha de vacinação. Se você pertence a um dos grupos de risco, que incluem: portadores de doenças crônicas, idosos, crianças de 6 meses a 2 anos, puérperas (até 45 dias pós-parto), profissionais de saúde, gestantes, indígenas e cárceres, não deixe de se vacinar!

Mas Dotô, eu vou ter que tomar a vacina todo ano? Não tem outra opção?

Por enquanto não tem outra opção, mas existem pesquisas para que se consiga produzir uma vacina universal. Espera-se que esta vacina possa proteger não só das epidemias anuais, mas as pandemias também, como a pandemia causada pelo Influenza A H1N1 em 2009. A ideia seria produzir uma vacina mais eficiente, que induz a produção de anticorpos neutralizantes contra regiões conservadas das proteínas do vírus, que não sofrem mutação, como por exemplo, a região conservada da proteína hemaglutinina.

GLOSSÁRIO:

Anticorpos neutralizantes: proteínas produzidas pelo corpo humano que tem como função principal se ligar de forma específica e destruir o microrganismo que está causando a doença.

Cárceres: são indivíduos que estão em cadeias ou penitenciárias.

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos.

Influenza A: Principal tipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos.

Mutação antigênica drift: Mutações que o vírus da gripe sofre todo ano, mudando um pouquinho as suas proteínas de superfície presentes no envelope viral, hemaglutinina e neuraminidase.

Mutação antigênica shift: Mutações mais eficientes nas proteínas hemaglutinina e neuraminidase, que junto com rearranjos entre segmentos do material genético do vírus de diferentes espécies, pode gerar novos vírus que nunca antes o nosso sistema imunológico tenha entrado em contato.

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Puérperas: puerpério é o nome dado à fase pós-parto, então, puérperas são as mulheres que tiveram filhos recentemente.

Rinovírus: principal vírus que causa resfriado.

 

Agora uma musiquinha para diminuir os sintomas da gripe…

Dotô, o que é virose?

Apresentando o blog:

Quem nunca foi no médico com sintomas de resfriado, dor no corpo, dor de cabeça ou com aquela dor de barriga, e aí o médico virou e falou: “Você está com uma virose…”.
E você ficou se perguntando: “O que é virose? Será que tudo que eu pego é virose? Como o médico pode só olhar pra minha cara e falar isso?”.

Para responder essas e outras perguntas, criamos esse blog. Formado por alunos de Pós Graduação da área de Virologia, preocupados em como a virologia é disseminada para todos e como as pessoas entendem o estudo dos vírus.

Dotô, o que é virose?

Virose é um conceito muito usado na medicina pra falar de qualquer infecção causada por microorganismos que tenha sintomas gerais e inespecíficos, e que confunde muito os pacientes. Enfim, o que é virose? Será que esse conceito é utilizado de forma correta?

Para os cientistas, o conceito de virose, utilizado no dia a dia por todos, não é o conceito correto. Quando estamos doentes, alguns sintomas são considerados inespecíficos como: dor de cabeça, febre, diarreia, mal estar, tosse. Eles são considerados inespecíficos, pois são sintomas encontrados em várias doenças comuns a microrganismos diferentes, como bactérias, protozoários e vírus. Hoje em dia, quando os médicos encontram um paciente que apresenta esses sintomas, ele considera que esse paciente está com uma virose. Ou seja, virose seria uma infecção causada por um microorganismo que apresenta sintomas inespecíficos.

Mas os cientistas tem outra visão: uma virose seria aquela doença causada apenas por vírus e não por outros microrganismos. Então, quando o médico diz que você tem uma virose e receita um antibiótico, ele está agindo de maneira inadequada, pois os antibióticos são remédios utilizados para inibir o crescimento ou eliminar as bactérias que possam estar causando a doença. Se essa doença não estiver ocorrendo por uma infecção bacteriana, qual seria a vantagem do antibiótico? O ideal nesse caso é fazer um diagnóstico clinico (feito pelo medico) e laboratorial. Assim, quando se confirma pelos sintomas e pelo laboratório que a doença é causada por um vírus, e não por uma bactéria, impede-se a utilização errada de antibióticos, o que contribui para diminuir os casos de resistência a antibióticos, tão comum nos dias de hoje.

Porém, nem sempre essa conduta pode ser realizada pelo sistema público de saúde. Isso ocorre pois os médicos enfrentam problemas que vão desde o tempo curto para o atendimento do  paciente, até  a falta de recursos nos hospitais públicos. Mesmo assim o profissional deve sempre estar atento e deve disponibilizar aos seus pacientes a atenção básica necessária, conversando e examinando o paciente pelo tempo que for preciso, fazendo um trabalho de qualidade.

Outra abordagem é feita durante casos de epidemias (como a dengue) e pandemias (como a influenza A H1N1 2009). Por exemplo, atualmente, no Estado do Rio de janeiro, está acontecendo uma epidemia de dengue, onde há uma prevalência do dengue tipo 4. O médico, sabendo disso, direciona o diagnóstico de febre, dores no corpo e de cabeça, náuseas e vômitos, aliado com a queda de plaquetas, para uma suspeita de dengue e assim ele faz o diagnóstico e escolhe o tratamento. Porém, a confirmação só é feita aliada ao diagnóstico laboratorial por métodos mais específicos como os ensaios imunoenzimáticos, que tentam encontrar proteínas do vírus ou anticorpos específicos contra o vírus (como o teste de ELISA) ou métodos de biologia molecular (como o PCR) que procuram detectar o material genético do vírus.

O diagnóstico laboratorial utilizando a biologia molecular ajudou no controle da pandemia de influenza A H1N1 em 2009, pois com a utilização de ensaios de PCR em tempo real (um método em que você consegue amplificar e quantificar a sequência especifica do genoma de um organismo e, a partir daí, diferenciá-lo de outro organismos ou mesmo detectar pequenas diferenças genéticas do vírus) se observou que a grande maioria dos casos de infecção respiratória foi devido ao vírus influenza A H1N1, e não a outros vírus, porque ele era o mais prevalente nos estudos de vigilância epidemiológica. Assim, havia uma infinidade de casos que foram acompanhados e tratados quando necessário para a infecção causada por esse vírus.

Aproveitando pra falar do vírus Influenza, vai aí uma alerta pra toda a população: em abril começa a campanha de vacinação contra gripe! Os grupos a serem vacinados são: idosos (+60 anos), gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, portadores de doenças crônicas (ex: respiratória, cardíaca, renal, hepática, neurológica, obesidade, diabetes, imunossupressão), indígenas e profissionais de saúde! Vacine-se!

Agora, vai um hit pra descontrair!