Dotô, eu preciso tomar vacina da gripe todo ano?

gripe

Imagem disponível em: c1.staticflickr.com/9/8807/17909756242_ee4e829310_b.jpg

A gripe é uma doença causada pelo vírus influenza, que pode ser prevenida anualmente através da vacina anti-influenza. Embora qualquer pessoa, a partir de seis meses de idade, possa tomar a vacina, apenas alguns grupos têm direito a vacina gratuitamente na rede pública de saúde. Isso porque a intenção da vacina não é evitar ou até mesmo eliminar a doença como, por exemplo, as vacinas da poliomielite ou do sarampo. O objetivo da vacinação contra o vírus influenza é reduzir a morbidade e a mortalidade nas populações que têm maior chance de desenvolver a forma mais grave da doença.

Os grupos prioritários a serem vacinados de acordo com recomendações do Ministério da Saúde são:

Crianças de 6 meses a menores de 5 anos;
Gestantes;
Puérperas;
Trabalhador de saúde;
Povos indígenas;
Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
População privada de liberdade;
Funcionários do sistema prisional;
Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis;
Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).
Fonte: Portal da Saúde – Ministério da Saúde

A gripe pode ser causada pelos vírus influenza A (subtipos H1N1pdm09 ou H3N2) e pelo vírus influenza B. A vacina anti-influenza protege para todos esses vírus e anualmente a OMS (Organização Mundial da Saúde) reune-se para que, com base em relatórios dos países do Hemisfério Sul reportando quais cepas virais irão circular no inverno de cada uma das regiões, possa recomendar quais serão as cepas vacinais que irão compor a vacina do ano seguinte.

Mas Dotô, por que tem que tomar a vacina todos os anos?

Porque os vírus influenza possuem uma taxa de mutação muito alta, isso significa dizer que o vírus pode mudar muito de um ano para o outro, sendo assim a vacina do ano anterior pode não proteger para o vírus que circula no ano seguinte. Além disso, algumas pesquisas científicas mostram que a imunidade contra o vírus dura entre seis meses a um ano, reforçando a necessidade de uma nova dose da vacina a cada ano.

Então, se você faz parte de algum grupo prioritário, deve tomar a vacina anti-influenza todos os anos sim, preferencialmente entre os meses de abril a junho quando o vírus, normalmente, começa a circular no Brasil.

Muitos cientistas estudam uma forma de produzir uma vacina universal que proteja de forma mais duradoura contra qualquer tipo de vírus influenza, porém esses estudos ainda não mostraram nenhum candidato à vacina eficaz.

Caso você tenha curiosidade sobre a produção da vacina anti-influenza, veja no link abaixo um vídeo abaixo mostrando como o Instituto Butantan fabrica a vacina:
Como é feita a vacina da gripe?

 

GLOSSÁRIO

Morbidade: número de pessoas doentes com relação a uma doença e uma população.
Puérpera: mulher que acabou de parir.
Trissomias: presença de um cromossomo extra
Cepa viral: vírus de uma determinada espécie viral que já foi caracterizado fenotipicamente e/ou genotipicamente.

REFERÊNCIAS:

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Influenza.  2016.  Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/influenza >.  Acesso em: 13 de novembro de 2016.

SIQUEIRA, M. M.  et al. Influenza. In: COURA, J. R. (Ed.). Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, v.2, 2013. cap. 161, p.1855-1872.  (Doenças produzidas por vírus). ISBN 9788527710947.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Health topics. Influenza.  2016.  Disponível em: < http://www.who.int/topics/influenza/en/ >. Acesso em: 13 de novembro de 2016. (página em inglês)

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pelo alun de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Priscila Born, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e Dra Renata Carvalho de Oliveira.

 

 

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Dotô, eu tô gripado?

vacina

Com a chegada do inverno, cresce o número de pessoas infectadas pelo vírus da gripe, chamado de vírus Influenza. As pessoas ficam mais juntinhas, em lugares fechados e, além disso, o vírus é mais estável em temperaturas baixas, facilitando a disseminação da doença.

Dotô, é verdade que a vacina da gripe deixa a gente doente?

Não é verdade. Existe uma parcela de pessoas que podem vir a sofrer efeitos adversos após tomarem a vacina, com um pouco de dor no local de aplicação e fraqueza, mas que duram no máximo 48 horas.

A verdade é que o fato de você ter tido gripe ano passado (ou até se vacinado) não impede que você tenha gripe esse ano. Porque o subtipo de vírus responsável pela gripe muda todo ano através de um processo chamado de mutação. E é por isso também que a vacina contra a gripe é feita sempre com os três principais subtipos de vírus que irão circular durante uma epidemia anual de gripe.

Mas porque Dotô? Eu não tenho que tomar a vacina pra não ficar com gripe?

Sim, mas como o Dotô disse antes, o que acontece com a gripe é que o vírus fica um pouquinho diferente todo ano. Por exemplo, a gripe causada pelo vírus Influenza que circulou ano passado no Brasil não é a mesma que circulará no Brasil agora em junho/julho, porque o vírus sofreu um tipo de mutação que ocorre anualmente, chamada de mutação antigênica drift. Ele ficou diferente, impedindo que o sistema imunológico o reconheça, não sendo então destruído. São essas mutações que causam as epidemias anuais da gripe. E é daí que ficamos doentes, prostrados, com aquela gripe, febre, dor de cabeça, tosse, etc. Essas mutações acontecem nas proteínas de superfície do vírus, chamadas de hemaglutinina e neuraminidase.

O que realmente acontece é que a vacina protege somente contra a gripe, que é causada pelo vírus Influenza. Existem outras infecções, muitas vezes ditas inclusive como gripe, mas que não são gripe, e sim resfriados. Existem mais de 200 tipos de vírus que causam resfriado, mas o principal é o rinovírus.

E é por isso que o Dotô reforça que, sim, devemos tomar a vacina contra o vírus Influenza todo ano. Nessa semana, do dia 15 a 26 de abril, começa a campanha de vacinação. Se você pertence a um dos grupos de risco, que incluem: portadores de doenças crônicas, idosos, crianças de 6 meses a 2 anos, puérperas (até 45 dias pós-parto), profissionais de saúde, gestantes, indígenas e cárceres, não deixe de se vacinar!

Mas Dotô, eu vou ter que tomar a vacina todo ano? Não tem outra opção?

Por enquanto não tem outra opção, mas existem pesquisas para que se consiga produzir uma vacina universal. Espera-se que esta vacina possa proteger não só das epidemias anuais, mas as pandemias também, como a pandemia causada pelo Influenza A H1N1 em 2009. A ideia seria produzir uma vacina mais eficiente, que induz a produção de anticorpos neutralizantes contra regiões conservadas das proteínas do vírus, que não sofrem mutação, como por exemplo, a região conservada da proteína hemaglutinina.

GLOSSÁRIO:

Anticorpos neutralizantes: proteínas produzidas pelo corpo humano que tem como função principal se ligar de forma específica e destruir o microrganismo que está causando a doença.

Cárceres: são indivíduos que estão em cadeias ou penitenciárias.

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos.

Influenza A: Principal tipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos.

Mutação antigênica drift: Mutações que o vírus da gripe sofre todo ano, mudando um pouquinho as suas proteínas de superfície presentes no envelope viral, hemaglutinina e neuraminidase.

Mutação antigênica shift: Mutações mais eficientes nas proteínas hemaglutinina e neuraminidase, que junto com rearranjos entre segmentos do material genético do vírus de diferentes espécies, pode gerar novos vírus que nunca antes o nosso sistema imunológico tenha entrado em contato.

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Puérperas: puerpério é o nome dado à fase pós-parto, então, puérperas são as mulheres que tiveram filhos recentemente.

Rinovírus: principal vírus que causa resfriado.

 

Agora uma musiquinha para diminuir os sintomas da gripe…