Dotô, eu preciso mesmo vacinar meu filho?

          Willy-Wonka-Poster-roald-dahlFonte: http://www.fanpop.com/clubs/roald-dahl/images/62803

              Bem, a resposta é óbvia: SIM, você DEVE vacinar seus filhos. E o motivo é simples: as vacinas são uma das formas mais eficazes de se prevenir contra as mais diversas doenças. Mesmo assim um grande número de pessoas têm se recusado ou mesmo negligenciado a vacinação. E isso vem ocorrendo, provavelmente, pela facilidade de acesso às mais diversas informações, nem sempre de maneira correta, ou de forma que sejamos capazes de compreendê-las. Informações fora de contexto ou mesmo distorcidas pela mídia representam grandes retrocessos para todo o investimento feito ao longo dos anos. Estamos falando do “doutor google”, e da informação propagada pelas mídias sociais que ressaltam os “problemas” das vacinas.

É de conhecimento geral que as vacinas apresentam efeitos colaterais, mas esses efeitos são raros, e na maioria dos casos, reversível, sem sequelas para o paciente. Meu caro paciente, você já parou para pensar porque gastaríamos milhões anualmente em pesquisa, produção, distribuição e armazenamento de vacinas se as mesmas não trouxessem um número maior de benefícios do que efeitos indesejáveis que trariam mais insatisfação e gastos para o nosso sistema de saúde?

            Mas Dotô, mesmo sendo raro, meu filho pode ser 1 caso em 1000.000.000, mesmo assim devo correr o risco?

SIM, seu filho tem chance de ficar doente com ou sem vacina, sendo que sem as vacinas, as chances de ficar doente são MUITO maiores, além de aumentar a chance de que esta doença se agrave, resultando em sequelas permanentes e até no óbito dependendo da doença.

Eae, convenci? Caso nem toda estatística do mundo seja capaz de convencê-los, o dotô decidiu compartilhar uma carta que foi recentemente divulgada no blog: IFLscience!(www.iflscience.com). Trata-se da carta do escritor britânico Roald Dahls (autor do livro a Fantástica Fábrica de Chocolates) relatando a perda de sua filha Olivia, que contraiu sarampo na década de 60 – período que não existia a vacina contra o sarampo. Durante o texto, escrito na década de 80 – quando a vacina contra sarampo estava disponível – Roald faz um apelo emocionante para aqueles pais que não estão convencidos do benefício da vacinação.

Sarampo: Uma doença perigosa

Olivia, minha filha mais velha, pegou sarampo quando tinha sete anos de idade. À medida que a doença tomou seu curso normal lembro-me de ler para ela muitas vezes na cama e de não me sentir alarmado com isso. Então, um dia, quando ela estava bem no caminho para a recuperação, eu estava sentado em sua cama, mostrando-lhe como fazer moldes de pequenos animais usando limpadores coloridos de cachimbos , e quando chegou a sua vez de fazer um molde sozinha, eu notei que os dedos das mãos e sua mente não estavam trabalhando juntos e ela não conseguia fazer nada.

“Você está se sentindo bem?” Eu perguntei a ela.

“Eu me sinto sonolenta”, disse ela.

Em uma hora, ela estava inconsciente. Em 12 horas ela estava morta. O sarampo tinha se transformado em algo terrível chamado encefalite, e não havia nada que os médicos poderiam fazer para salvá-la. Isso foi há 24 anos atrás, em 1962, mas até agora, se uma criança com sarampo desenvolver a mesma reação mortal de sarampo como a Olivia, ainda não haveria nada que os médicos pudessem fazer para ajudá-la. Por outro lado, há hoje algo que os pais podem fazer para se certificar de que esse tipo de tragédia não aconteça à um de seus filhos. Eles podem insistir que seu filho seja imunizado contra o sarampo. Eu não consegui fazer isso por Olivia em 1962 porque naqueles dias uma vacina confiável contra o sarampo não havia sido descoberta. Hoje uma vacina boa e segura está disponível para todas as famílias e tudo que você tem a fazer é pedir ao seu médico para administrá-la.

Ainda não é bem aceito que o sarampo possa ser uma doença perigosa. Acredite em mim, é. Na minha opinião, pais que agora se recusam de ter seus filhos imunizados estão colocando a vida dessas crianças em risco. Nos Estados Unidos, onde a imunização contra o sarampo é obrigatória, o sarampo, como a varíola, foi praticamente exterminado. Aqui na Grã-Bretanha, porque muitos pais se recusam, seja por teimosia ou ignorância ou medo, para permitir que seus filhos sejam imunizados, ainda temos cem mil casos de sarampo a cada ano. Destes, mais de 10.000 vão sofrer efeitos colaterais de um tipo ou outro. Pelo menos 10.000 irão desenvolver infecções de ouvido ou no peito. Cerca de 20 morrerão.

Deixe que penetre

Todos os anos, cerca de 20 crianças morrerão de sarampo na Grã-Bretanha. Quais são os riscos que seus filhos correm ao serem imunizados? Eles são quase inexistentes. Ouça isso. Em um distrito de cerca de 300.000 pessoas, haverá apenas uma criança a cada 250 anos, que irá desenvolver efeitos colaterais graves decorrentes da imunização contra o sarampo! Isso é cerca de um caso em um milhão. Eu acredito que haveria mais chance de seu filho sufocar até a morte com uma barra de chocolate do que de se tornar gravemente doente em decorrência da imunização contra o sarampo. Então, com o que é que você está se preocupando? Realmente é quase um crime não permitir que o seu filho seja imunizado.

A idade ideal para imunização é aos 13 meses, mas nunca é tarde demais. Todas as crianças em idade escolar que ainda não foram imunizadas contra o sarampo devem implorar à seus pais para serem vacinadas o mais rápido possível. Aliás, eu dediquei dois de meus livros para Olivia, o primeiro foi “James e o Pêssego Gigante’. Foi quando ela ainda estava viva. O segundo foi ‘The BFG “, dedicado à sua memória depois que ela morreu de sarampo. Você vai ver o nome dela no início de cada um desses livros. E eu sei o quão feliz ela seria se ela pudesse saber que sua morte ajudou a salvar outras crianças.

Ass.: Roald Dahls, 1988.

Dahls and Olivia

       Roald Dahl com sua esposa, a atriz norte-americana Patricia Neal, com as filhas Olivia e Tessa, à esquerda, e o bebê Theo. Fonte: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1301083

            Acho que pouco precisa ser dito após uma carta tão emocionante e atemporal. Escrita a mais de 30 anos todas as afirmações e apelos feitos na carta são atuais e embasada por diversos estudos científicos. O Dotô espera que você pai ou mãe ao ler este texto consiga agora chegar as sua próprias conclusões.

Roald Dahls: escritor britânico, se tornou conhecido em 1940. Seu tornou conhecido mundialmente por seus livros infantis, tendo destaque: A Fantástica Fábrica de Chocolate, James e o Pêssego Gigante, Matilda e As Bruxas. Saiba mais acessando www.roalddahl.com.

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