Dotô, e o ebola, como é que tá?

Dotô, e o ebola, como é que tá?

Caro paciente, a epidemia do Ebola na África ainda continua…sem previsão de acabar. De acordo com o último boletim da Organização Mundial de Saúde (OMS), até o momento foram reportados 15.351 casos (dentre casos confirmados, prováveis e suspeitos) em oito países (Guiné, Libéria, Serra Leoa, Mali, Nigéria, Senegal, Espanha e Estados Unidos), totalizando 5.459 óbitos. Enquanto a transmissão do vírus continua intensa em Guiné, Libéria e Serra Leoa, os outros países tiveram apenas casos iniciais ou com transmissão localizada.

Mas e os casos de ebola fora da África?

Caro paciente, tiveram sim, casos fora da África (na Espanha e nos Estados Unidos), mas que já estão contidos e a transmissão cessou. Esses países não são o alvo do problema, devido à magnitude que a maior epidemia do vírus ebola da história está causando na África Ocidental. Só para você ter uma ideia, dá uma olhada nesse gráfico de casos reportados em Guiné, Libéria e Serra Leoa, pra você ter noção de como essa epidemia está crescendo e está bem longe do fim:

mapa da epidemia

 Total de casos reportados nos três países da África Ocidental: Guiné, Libéria e Serra Leoa (CDC, 19 de novembro de 2014).

Dentre esses casos, foram relatados 588 casos em profissionais da saúde, dos quais 337 vieram a óbito. Por isso o Dotô queria aproveitar e deixar um alerta pra dizer para os outros Dotôres, que eles tem que se cuidar. Existe toda uma roupa especial, que esse pessoal deve usar em casos relacionados à epidemia, chamada de equipamento de proteção pessoal, ou simplesmente EPI.

Dotô, eu quero ajudar as pessoas doentes, como faço?

Caro paciente, o Dotô incentiva e admira a sua vontade de participar e desejaria que todo mundo pensasse como você. Por isso, preparei uma listinha de organizações que estão trabalhando bastante pra acabar com essa epidemia.

Uma delas é a Médicos Sem Fronteiras, para doar, basta acessar o site www.msf.com.br

Outro exemplo é a International Medical Corps, onde também é possível doar pelo site https://internationalmedicalcorps.org/ e a Save the Children http://www.savethechildren.org/

E aproveitando que estamos em clima natalino, artistas se uniram para arrecadar fundos para o Combate ao Ebola. Juntos, eles gravaram uma música chamada “Do they Know It´s Christmas?”. Ao baixar a música, caros pacientes, vocês estarão ajudando no combate à essa doença tão devastadora….então, vamos ajudar? Veja o clipe aqui: http://www.bandaid30.com/

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Dotô, já teve casos da epidemia atual de Ebola no Brasil?

ebolaFonte: http://rt.com/news/ebola-virus-guinea-border-177/

 

            Meu caro paciente, não entre em pânico, ATÉ O MOMENTO NÃO HOUVE CASO COMPROVADO DE INFECÇÃO PELO VÍRUS EBOLA DENTRO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO.           

            Mas Dotô, eu li na internet sobre dois casos comprovados no Brasil. O primeiro caso diz que um nigeriano teria sido internado no Hospital Universitário Huufma no Maranhão e teria sido diagnosticado com Ebola no começo de agosto de 2014. Este Nigeriano teria morrido e foi ordenado que o caso fosse mantido em sigilo. O outro caso que eu li na internet dizia que dois Africanos foram diagnosticados com Ebola nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Botafogo e de Marechal Hermes no Rio de Janeiro e que, também, a Secretaria de Saúde se recusou a divulgar. Isso é verdade? Será que o governo quer esconder os casos da gente?

            E você acredita em tudo que lê na internet, meu estimado paciente? Não acredite em tudo o que você lê, busque sempre informações de fontes oficiais do governo. Essas mensagens não são verdadeiras, elas apenas ajudam a causar pânico e medo entre a população. Se você estiver em dúvida, você sempre pode perguntar que o Dotô vai te responder ou então acessar o site oficial do ministério da saúde.

            Não foi apenas no Brasil que não foram encontrados casos de Ebola. Até o momento nenhum caso de Ebola foi visto tendo transmissão ocorrendo fora da África. Os únicos casos de indivíduos de fora da África que foram diagnosticados com Ebola foram aqueles em que os indivíduos de alguma forma entraram em contato com pessoas infectadas pelo vírus, seja profissionais de saúde (como enfermeiras ou médicos) ou pesquisadores enquanto estavam na África.

            Mas será que essa epidemia pode chegar aqui no Brasil, Dotô?

Olha, eu tenho duas notícias para você, uma notícia boa e outra notícia ruim.  A notícia ruim é que a transmissão da doença pode chegar até o Brasil. Essa possibilidade de uma epidemia do vírus Ebola no Brasil (e em outros países fora da África) ocorre pois sua transmissão acontece de 2-21 dias após o indivíduo entrar em contato com o vírus (a transmissão começa a ocorrer no mesmo momento em que aparecem os primeiros sintomas). A notícia boa é que é extremamente improvável que ocorra uma epidemia de Ebola aqui no Brasil. Como a transmissão do Ebola ocorre apenas pelo contato direto ou contato com os fluidos corporais de pessoas infectadas (como sangue, urina, fezes ou suor) os pacientes que apresentam os sintomas podem ser isolados e seus contactantes facilmente rastreados e também isolados. Esses pacientes suspeitos, após serem isolados, serão confirmados ou não de estarem infectados pelo vírus e seriam tratados, dificultando assim uma provável epidemia. Diferente do vírus Influenza que se propaga pelo ar através de tosse ou espirros podendo ser facilmente transmitido e aumentando o risco de epidemias, o vírus Ebola, como dito antes, só é transmitido através do contato direto ou contato com fluidos corporais, dificultando a ocorrência de uma epidemia em locais com uma estrutura mínima de saúde.

            Ah Dotô, nessa eu não caio. Se você está falando que é difícil ocorrer uma epidemia do vírus Ebola, porque sempre falam de varias epidemias causadas por ele?

              Por vários motivos. O primeiro deles tem relação ao local onde, geralmente, ocorrem os primeiros casos da epidemia. Geralmente, o vírus Ebola começa a ser transmitido em vilarejos extremamente pobres, desprovidos de assistência básica em saúde. No caso do Ebola, os casos só são diagnosticados após o inicio dos sintomas e consequente começo da transmissão. Então, quando as autoridades começam a observar o aparecimento de indivíduos infectados pelo vírus, o número de casos suspeitos já é relativamente grande e a cadeia de transmissão pessoa-pessoa já se estabeleceu. O segundo problema é a cultura local. Alguns povos africanos tem como tradição velar seu ente querido após a sua morte, tendo como costume, inclusive, a lavagem do corpo dos mortos, o que aumenta o contato direto com o individuo infectado, aumentando o número de pessoas infectadas. Agora imaginem o que eles acham de não poder seguir essa tradição? Sim, pois logo que chegam os médicos e pesquisadores o seu ente querido é isolado do resto da população e nunca mais é visto (pois morreu infectado pela doença). Simplesmente, uma parte das pessoas dessas regiões infectadas acreditam que a doença não existe e que os órgãos de saúde não estão lá para ajuda-los e sim para extermina-los. Alguns profissionais são recebidos com pedradas pelos moradores dessas regiões. Esse fato dificulta a cooperação desses individuos com os profissionais de saúde. Chegando a ocorrer casos em que um possível caso de Ebola não é relatado aos profissionais de saúde, pois o individuo doente tem medo de ser morto pelos agentes de saúde.

            Por esses motivos, é difícil que ocorra uma epidemia de Ebola no Brasil e em outros países fora da África. Mas é sempre bom ficar de olho. O Dotô está observando atentamente a evolução da epidemia de Ebola e irá atualiza-los aos poucos. Teremos novos posts logo, logo. Podem contar.

            Ahhhh….não deixem de ler nosso primeiro post sobre a epidemia do Ebola e a crítica do filme Epidemia que se baseou na infecção pelo vírus Ebola.

Agora um vídeo divertido sobre o Ebola.

Observação do Dotô: O vídeo contém algumas explicações sobre o Ebola erradas. Você consegue descobrir quais? Se conseguir, deixe um recado para o Dotô.

GLOSSÁRIO:

Contactantes: indivíduos que tiveram contato com um indivíduo doente.

Dotô, a epidemia do filme Contágio pode virar realidade?

filme contagio

O Dotô está aqui hoje para discutir um dos seus filmes preferidos sobre epidemias virais na atualidade. Se você nunca viu o filme, cuidado! Não leia esse post, pois ele contém spoilers! Vamos discutir aqui qual o objetivo desse filme, quais foram as ferramentas utilizadas, pontos altos e baixos, e fazer uma reflexão se, afinal, a epidemia do filme Contágio pode ou não virar realidade?

 Dotô, qual o objetivo do filme Contágio?

 O filme tem como objetivo divulgar a ciência e seus impactos na nossa realidade. O diretor buscou mostrar o universo científico que envolve uma epidemia de origem desconhecida e todas as etapas de vigilância epidemiológica da descoberta do agente responsável, neste caso um novo vírus, sua transmissão, o pânico gerado, e a produção de uma vacina.

 Mas Dotô, o que o diretor fez de diferente nesse filme?

 Elaborar um filme sobre uma epidemia fictícia é uma tarefa árdua. Com os avanços cada vez maiores da ciência e tecnologia e com os recursos audiovisuais disponíveis, aliados a um público cada vez mais exigente, os diretores de cinema se unem a pesquisadores científicos (como pesquisadores do Centro de Controle de Doenças – CDC) para fazer um filme de ficção científica com um apelo que se assemelha à realidade. E foi assim que aconteceu no Filme Contágio: muita pesquisa foi feita para torna-lo ultrarrealista, como a inspiração dos roteiristas em vírus reais para criar um vírus fictício, chamado de MEV-1. Assistir a este filme claramente nos remete a outro filme clássico, Epidemia (1995), (veja o nosso post sobre esse filme aqui) que retrata uma história de ficção científica sobre uma epidemia causada por um vírus letal, semelhante ao vírus ebola, causador de febre hemorrágica viral, altamente letal.

Remetendo a uma reportagem da Revista Veja, “Estamos preparados para enfrentar um vírus igual ao do filme Contágio?”, (2011), o Jornalista Jones Rossi aborda justamente a possibilidade desse contexto cinematográfico do filme se tornar uma realidade. O autor dá exemplos dos vírus mais perigosos do mundo, como o vírus da gripe, varíola, ebola, marburg, etc. Ao lermos o texto escrito por Jones Rossi e se o compararmos com o filme, vemos algumas semelhanças com a realidade, mas precisamos ser críticos com esse filme de ficção científica.

 Dotô, quais são os pontos altos do filme?

  A iniciativa do filme em retirar os cientistas da “torre de marfim”, simbolizada pelos prédios do CDC e da Organização Mundial de Saúde (OMS) e mostrá-los como pessoas reais, que erram, com sentimentos, que também podem ficar doentes e até morrer, é de extrema importância para desmistificar a visão da população quanto ao profissional da ciência. Os Dotôres não são pessoas antissociais e malucas, eles são normais, possuem famílias, amigos e os mesmos problemas que todo mundo tem.

No filme, os detentores do conhecimento seriam os centros de investigação científica, e a população em pânico sofreria com esse déficit do entendimento da epidemia, ansiosos por uma explicação do que estava acontecendo. Essa película também retrata de maneira fidedigna o caos gerado por uma pandemia desconhecida, com a instalação do pânico e inclusive a divulgação de informações errôneas, como o jornalista fanático que escrevia em um blog, dizendo descobrir uma medicação eficaz contra o vírus. O filme, de maneira criativa, demonstra o vírus se espalhando na população, desde o primeiro caso (caso índice). Porém, deixa somente para o final como esse vírus teria atingido os humanos, o que permite ao telespectador criar diversas hipóteses de como a primeira pessoa a ficar doente teria se infectado. O filme retrata que a necessidade de informações sobre ciência por parte da população são maiores em momentos de crise (nesse caso, a crise seria a epidemia do MEV-1), quando os próprios cientistas estariam incertos quanto aos fatos, pois a “ciência” estava sendo construída (os cientistas estavam pesquisando qual era a causa de tantas mortes).

 Dotô, quais são os pontos baixos do filme?

  O tempo entre a descoberta do vírus e a fabricação da vacina foge à realidade. Apesar de já termos ferramentas disponíveis que nos permitem fazer a descoberta de novos microrganismos, essas ferramentas estão limitadas aos grandes centros de referência, por serem locais onde são mantidos laboratórios aptos a manipular esses patógenos, chamados de Laboratórios de Nível de Segurança 4 (NB4). Por ser um filme norte-americano, observa-se um forte apelo na “propaganda” do CDC, não foi à toa que esse filme teve recorde de bilheteria nos EUA na época de estreia. Além disso, sabe-se que o tempo de aprovação de uma vacina é longo, geralmente são necessários 10 anos de estudos clínicos e uma forte injeção monetária das indústrias farmacêuticas para torná-la comercial. Porém, quando o risco de morte é iminente (como no filme), etapas acabam sendo deixadas de lado, podendo gerar muitos efeitos colaterais. Um exemplo de vacina que é produzida anualmente em apenas seis meses é a vacina da gripe, para ser aplicada na população de risco, e que contribui diminuindo a taxa de mortalidade, principalmente em idosos, mas que está fortemente associada à efeitos adversos nessa faita etária.

Muita gente diz que não gostou do filme por não ser cheio de emoções, sendo semelhante a um documentário, ficando sem entender algumas partes. Mas, olhando cientificamente, foi exatamente o fato de parecer um documentário que fez o Dotô gostar tanto do filme.

Dotô, qual o público-alvo do filme?

 Pessoas que frequentam o cinema, que alugam o DVD, ou que baixam filmes. A classificação indicativa do filme é de 12 anos, embora o ideal seja uma classificação de 16 anos. Por se tratar de um filme mais técnico, sugere-se utilizá-lo como objeto de estudo entre estudantes universitários, das mais diversas áreas, seja de comunicação ou de saúde. Também pode ser aplicado em contextualização com grupos de discussão sobre o tema que permitindoum diálogo mais voltado para a realidade da nossa população eque inclusive possam englobar a conversa com especialistas multidisciplinares para esclarecer as dúvidas e decodificar alguns aspectos técnicos do filme.

Trazendo o filme para a nossa realidade, em 2014 e 2016, o Brasil como um todo e em especial, o Rio de Janeiro, será palco de eventos esportivos, a Copa do Mundo, e as Olimpíadas. Porém, atualmente, nós não temos uma estrutura de hospitais públicos de qualidade para lidar com doenças emergentes que se disseminem pela população, importadas de outros países, por isso, o Brasil não está preparado para enfrentar um vírus igual ao do  filme, nossa estrutura não permite atender aos pacientes e a taxa de letalidade seria elevada. Infelizmente, precisaríamos de ajuda externa para lidar com a situação. Os governos atuais não levaram a saúde como premissa de atuação, e acabaram confirmando a hipótese do jogador Ronaldo de que Copa se faz com estádios e não com hospitais. As consequências dessa escolha estão presentes no dia-a-dia da população, independente da existência de uma epidemia viral: morte da população por descaso, falta de atendimento, filas e falta de estrutura. Essa é a realidade. O Dotô recomenda a todos os seus pacientes que assistam ao filme em casa, com amigos e famílias, e que discutam com seus colegas sobre esse tema após o filme. O assunto pode ser muito enriquecedor!

 Trailer do filme:

GLOSSÁRIO:

 

Caso índice: É o primeiro caso que chama a atenção do investigador pelo que determina uma série de ações necessárias para conhecer um foco de infecção.

Centro de Controle de Doenças – CDC: Órgão norte-americano localizado em Atlanta responsável pelo controle e vigilância de doenças infectocontagiosas.

 

Laboratórios de Nível de Segurança 4 (NB4): Laboratórios de Nível de Biossegurança 4 são utilizados para pesquisa e diagnósticos que envolvam agentes exóticos e perigosos que exponham o indivíduo a um alto risco de contaminação de infecções que podem ser fatais, além de apresentarem um potencial relevado de transmissão por aerossóis, classificados como microrganismos da classe de risco 4.

 

BIBLIOGRAFIA:

 Filme Contágio (2011), dirigido por Steven Soderbergh.

ROSSI, JONES. Estamos preparados para enfrentar um vírus igual ao do filme ‘Contágio’? Revista Veja, 2011. Disponível em:

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/estamos-preparados-para-enfrentar-um-virus-igual-ao-do-filme-contagio#amea%C3%A7a

 

 

 

Corram para as colinas, o vírus Ebola está de volta!

 

O Dotô vai explicar o que esta acontecendo na Guiné e o porquê do pânico relacionado a esse vírus.

foto

Surto na Guiné

     Desde o final do mês de março casos de infecções causadas pelo vírus Ebola vem sendo registrados na África, a maioria ocorrendo na Guiné. Em aproximadamente 15 dias, 208 casos clinicamente compatíveis foram reportados às autoridades de saúde locais, onde cerca de 60% dos pacientes vieram à óbito. O surto se iniciou na região sudeste do país, mas logo se expandiu para a capital. Os casos têm ocorrido em todas as faixas etárias e em ambos os sexos. Mais de 623 contactantes foram rastreados e estão sob acompanhamento médico e 23 indivíduos encontram-se em isolamento.

     O Ministério da Saúde do país junto com a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituíram campanhas em massa veiculadas através da mídia local (rádio e TV), redes sociais e até mensagens de texto. As amostras de casos suspeitos estão sendo enviadas para laboratórios especializados que compõe a rede de patógenos emergentes e perigosos situados na África e na Europa.

      Alertas têm sido gerados principalmente aos viajantes daquela região. A preocupação é de que o surto se dissemine para outros países. Casos importados foram identificados na Libéria (30 casos suspeitos), Mali (quatro casos suspeitos) e Serra Leoa com 19 casos suspeitos. Um caso suspeito no Canadá e outro em Gana foram logo descartados, assim que os testes laboratoriais mais específicos foram realizados.

 Boletins diários contendo as informações sobre o surto na Guiné são emitidos no site da OMS: http://www.who.int/csr/don/archive/year/2014/en/

O porquê de tanto pânico Dotô?

      Meu caro paciente, o vírus Ebola é constantemente associado com medo e pânico, devido à sua alta taxa de letalidade, cerca de 90%, ou seja, aproximadamente 90% dos indivíduos infectados vão a óbito. O vírus pode ser transmitido de uma pessoa para outra através do contato com sangue e secreções (saliva, urina, fezes e sêmen) provenientes de indivíduos infectados. Uma das características marcantes da doença causada por esse vírus é o sangramento interno e externo que ocorre em alguns casos. Não existe um tratamento específico ou uma vacina.

      Apesar da febre hemorrágica causada pelo vírus Ebola ser considerada uma zoonose, o animal responsável pela transmissão e disseminação desse agente ainda não foi reconhecido. Acredita-se que morcegos frutívoros sejam os prováveis reservatórios naturais deste vírus, mas primatas não humanos, antílopes e suínos já foram encontrados infectados. Sendo assim, não se sabe ao certo como o homem adquire a infecção.

     Este vírus possui um histórico um tanto quanto sinistro, onde aldeias inteiras foram dizimadas durante surtos ocorridos nas primeiras décadas após sua identificação. Um total de 2.387 casos de febre hemorrágica por Ebola, com 1.590 mortes foram registradas de 1976 a 2012 na África Central. Somado a esses fatores, estão a dificuldade de contenção desde vírus, assim como o grande numero de profissionais de saúde que se infectam a partir do contato com os doentes e suas secreções.

      Um exemplo desse pânico pode ser visto em países vizinhos à Guiné, como o Senegal, onde a população já evita contato próximo como o apertar de mãos. Comerciantes de produtos oriundos da Guiné encontram dificuldades em vender seus produtos e os hospitais já se encontram em alerta para isolar qualquer paciente que apresente sinais e sintomas compatíveis com a doença.

        Bem meus caros pacientes, deixo prescrito para vocês apenas uma boa dose de reflexão sobre a fragilidade das unidades de saúde e da população em geral frente às doenças virais de alta letalidade como o vírus Ebola. Adicione a isso a proximidade da copa do mundo e a diversidade de microrganismos que podem ser trazidos pelos jogadores e, principalmente, torcedores de diversas nacionalidades e a facilidade de se deslocar de um país a outro em questão de horas. Pensem no numero de agentes virais que podem chegar ao Brasil?!

Será que estamos preparados? Fica a reflexão!

GLOSSÁRIO:

Contactantes: indivíduos que tiveram contato com um indivíduo doente.

Zoonose: doenças que são transmitidas dos animais para o homem.

Frutívoros: se alimentam de frutas.

Dotô, você já assistiu o filme Epidemia?

Roupa legal né?

Mas é claro que já assisti meu caro paciente. Na verdade, acho que agora eu vou trazer para vocês um pouco mais sobre a virologia no cinema. Não, calma aí. Apenas no cinema não, de tempos em tempos eu vou passar todo o meu conhecimento sobre a virologia no cinema, televisão, musica e outros instrumentos da cultura pop. Vamos começar falando sobre esse clássico de filmes de pandemias: o filme Epidemia.

                Esse filme foi lançado em 1995, embalado com os surtos epidêmicos do vírus Ebola que ocorreram no Gabão, em 1994, e na Republica Democrática do Congo em 1995, infectando 500 pessoas e levando à morte de, aproximadamente, 400 pessoas. Além da alta taxa de mortalidade, um dos maiores motivos do medo da infecção pelo vírus é o tempo em que o vírus mata o paciente infectado. Uma pessoa infectada pode morrer em até 8 dias após a infecção primária pelo vírus. Além disso, o vírus tem como manifestação clinica principal a febre hemorrágica, onde os indivíduos apresentam manchas avermelhadas na pele, diarreia sanguinolenta e começam a sangrar pelos olhos, ouvidos, nariz, boca e reto.

                A história do filme se baseia em uma possível epidemia causada por um vírus bem parecido com o vírus Ebola e que foi levado aos Estados Unidos, infectando uma cidade inteira. O filme apresenta noções de controle de doenças emergentes nos Estados Unidos, mostrando órgãos de vigilância e controle sanitários importantes como o Center for Disease Control (CDC). O filme reuniu também ótimos atores do cinema como Dustin Hoffmann, Rene Russo (não tão boa assim, mas bastante famosa), Morgan Freeman, Kevin Spacey, Cuba Gooding Jr. (também não é um bom ator, mas fazer o quê?), Donald Sutherland e Patrick Dempsey (Doutor Gray, para os mais íntimos).

A narrativa começa como em todo filme de epidemia, com uma selva qualquer e um macaquinho. No caso do filme, essa selva era encontrada na África, no Zaire em 1967 (por um acaso a mesma época e o mesmo país em que foi encontrado o vírus Ebola pela primeira vez). Estava ocorrendo uma guerra em que soldados morriam por uma doença desconhecida (como a gripe espanhola de 1917, que estava ocorrendo no meio da primeira guerra mundial e matava os soldados sem ninguém saber a causa). O filme também mostra que a doença desconhecida avançava rápido matando os soldados em pouquíssimo tempo.

Logo após essa cena da guerra, acontece uma das cenas mais emocionantes do filme e que habitou a mente deste jovem Dotô, ajudando-o a escolher sua profissão. A sequência em si é a de uma possível visão do que seria o CDC, passando por todos os laboratórios de biossegurança, usados para manipular microrganismos, variando do nível 1 ao nível 4. O interessante é, que quanto maior o nível de biossegurança, mais graves são os agentes infecciosos que são pesquisados e, por isso, é necessária uma segurança maior na manipulação e combate desse agente. Quando chegamos ao nível 4, encontramos os patógenos mais perigosos. Esse nível de segurança é requisitado para se trabalhar com agentes perigosos que representam risco individual de doença fatal. Existem poucos desses laboratórios ao redor do mundo (nenhum deles na América do Sul, o que é bastante estranho, considerando que existem vírus emergentes e reemergentes causadores de febres Hemorrágicas, como os arenavirus). Nos laboratórios de nível quatro são manipulados os vírus Ebola, por exemplo, os quais são altamente transmissíveis e sem cura conhecida. Nele só entram profissionais extremamente treinados, o que faz o Dotô perguntar: “quem é que limpa esses laboratórios”?

Trinta anos depois, a mesma doença que matou os soldados é encontrada em pequenas vilas no Zaire. O personagem principal Sam Daniels (nosso querido Dustin Hoffmann), um, digamos, cientista/militar precisa fazer a investigação da doença. Na viagem, um dos cientistas/militares da equipe (Kevin Spacey) afirma que essa doença é uma febre hemorrágica e explica suas manifestações clínicas. Já que ele explica, por que eu faria isso? Recomendo que todos assistam ao filme.

Quando a equipe chega à vila do Zaire, aparecem os primeiros casos da “nova” doença e as cenas seguintes ilustram os sintomas vivenciados pelos doentes. Na verdade, os sintomas desses pacientes são bastante parecidos com os do vírus Ebola. Ao mesmo tempo, o filme demonstra como é estressante o trabalho desses cientistas em situações de risco. Tão estressante que um dos cientistas/militares (Cuba Gooding Jr.) entra em pânico e tira o equipamento de proteção individual (EPI). O que poderia acontecer? É lógico que sem o EPI, o personagem ficaria vulnerável ao vírus, mas por sorte essa febre hemorrágica por si só não se transmite (até o momento) pelo ar, então não houve transmissão da doença pela via aérea para esse indivíduo. Ainda na vila do Zaire, Sam Daniels discute com um médico local, esse médico explica que o período de incubação da doença é bastante rápido (2 a 3 dias) levando a uma taxa de mortalidade de 100%. Aí temos um erro no filme, mas que podemos entender facilmente. Não existe até hoje uma doença infecciosa com taxa de mortalidade de 100%, talvez apenas a raiva. Em qualquer infecção, sempre há algum caso de alguém que sobrevive. Mas em Hollywood tudo pode acontecer. Nessa mesma conversa, eles falam sobre o paciente zero.

Vocês se lembram do macaquinho do começo do filme? Pois bem, ele aparece de novo. Mas agora o coitadinho é capturado e levado à civilização. Coitadinho do bichinho (cadê as Sociedades Protetoras dos Animais quando a gente precisa?). Mas mesmo raptado e fora do seu habitat natural, ele prevalece e arranja um amiguinho que dá umas bananinhas para o macaquinho.

Conversa vai, conversa vem e Sam vai trabalhar no laboratório com sua equipe. Logo que coloca o EPI especifico para o nível 4 de biossegurança (antes de entrar no laboratório, pois nesse nível de biossegurança é necessário ter uma ante-sala para colocar a roupa), ele percebe que seu EPI está rasgado. Dependendo do vírus, um rasgo na sua roupa de proteção pode ser o suficiente para o vírus atravessar a roupa e conseguir causar uma infecção. Ao perceber o estrago a tempo, e antes de entrar no laboratório de nível 4, ele consegue isolar a roupa e trabalhar eficientemente. A partir daí, o filme mostra muito bem como deve ser um laboratório de nível 4. Assim o vírus é observado em um microscópio eletrônico, e então vemos que ele tem formato diferente do usual, extremamente fino e parecido com qual vírus???? Dou uma consulta grátis para quem adivinhar. É o vírus Ebola que é mostrado. Na verdade, é uma foto clássica do vírus Ebola (Dotô é virose deveria ganhar um prêmio pela sua habilidade em encontrar erros nos filmes). O vírus passa a ser nomeado pelo mesmo nome da vila onde foi encontrado, Motaba (mas como eu vejo o Ebola na foto do vírus, então vamos chamá-lo de MotEbola).

Em uma cena posterior, o chefe de Sam pede para ele ir ao Novo México avaliar um surto de Hanta. E Sam responde se querem que ele vá caçar ratos. Sam está certíssimo, pois Hanta na verdade é um grupo de vírus chamados de hantavírus que infectam ratos. Esse vírus pode ser transmitido para os homens através da inalação de partículas virais aerolisadas (tipo o seu desodorante) presentes nas secreções de roedores, principalmente roedores silvestres. Ahh é, se vocês querem saber resumidamente como é feito o isolamento de um novo vírus (chamado de emergente) vejam os 30 segundos de discussão de Sam após falar sobre os hantavírus. Sam nos explica tudo, ele é o cara (Roberto Carlos fez a música inspirado nele).

Ahhh meu Deus e o macaquinho mais “bunitinho” desse filme??? Onde ele está??? Já chegou de barquinho aos EUA e encontra-se com um amigo meu, o Dotô Gray, do Gray’s Anatomy. Só que antes de ser médico, ele vendia macacos trazidos da África para compradores inescrupulosos. Disseram-me que ele fazia isso para pagar a faculdade de medicina. Nunca vamos saber. Mas o nosso amigo macaquinho, revoltado com esse futuro médico, cospe em sua cara e arranha o comprador da loja de animais. Nosso macaquinho, que agora sabemos que é uma macaquinha, é muito nervosa e logo, logo, ela é levada a uma florestinha que fica ali por perto (Existe um fato bastante importante sobre o macaco que interpretou essa macaquinha na continuação do filme.Vocês só saberão se lerem até o final dessa resenha).

O nosso amigo Gray, triste por ter libertado a macaquinha, viaja de avião e começa a ficar doente. Os sintomas começam a aumentar e descobrimos que a nossa amiga macaquinha infectou uma boa parte das pessoas que entrou em contato com ela e, com isso, a infecção foi se espalhando. Além disso, um técnico de laboratório bem esperto se corta na centrifuga. Acho que ninguém ensinou noções de biossegurança para essas pessoas. Existem péssimos professores na área da saúde, desde o curso técnico até a pós-graduação. Aonde a saúde no mundo vai parar? Além disso, nosso amigo Gray morre antes de virar médico. Mas como pode isso? Será que foi o irmão gêmeo dele que morreu?

A partir dessas infecções, ocorre um surto em uma cidade americana que passa a ser isolada pelos militares e a população fica em quarentena, para a doença não se espalhar. O nosso herói Dustin “Sam” Hoffmann descobre que a doença é transmissível pelo ar. Mas como assim? Como esse vírus é transmitido pelo ar se no começo do filme não era? A explicação é que ocorreu uma mutação do vírus que o tornou capaz de ser transmitido pelo ar. Nãããão, ele ficou mais parecido com o vírus Influenza. O que faremos? Temos que encontrar o hospedeiro original, que nós sabemos que é a nossa famosa amiguinha macaquinha. Nossos heróis imaginam que o hospedeiro original deve ter os dois tipos de vírus (o MotEbola original e o MotEbola transmitido pelo ar).

Quando começam a analisar as amostras de sangue dos pacientes, ocorre o maior e mais absurdo erro de todos os filmes de epidemia que foram analisados pelo nosso blog até o momento (ou seja, nenhum): as amostras de sangue foram analisadas com a utilização de um simples microscópio ótico. Aquele microscópio que tem em qualquer laboratório de ensino médio, no qual você consegue ver “bichinhos” se movendo e começa a se achar “O cientista”. Por que está errado? Pois, em um microscópio ótico, não conseguimos visualizar nenhum vírus, eles são extremamente pequenos, só podemos visualizá-los com um microscópio eletrônico. O que ele veria em um exame de sangue seria apenas a contagem de células sanguíneas, o que poderia dizer se a pessoa tinha ou não uma infecção. Mas que infecção seria essa, não daria para saber.

Ao trabalhar com o vírus e extremamente cansado, um dos pesquisadores da equipe (Kevin Spacey) de Sam, desastrado demais, tem seu traje de biossegurança danificado e, por isso, contrai o vírus. Como desgraça pouca é bobagem, a ex-mulher do protagonista (Rene Russo) se fere com uma agulha contendo sangue infectado e também contrai o vírus (isso ocorre mais vezes do que a gente imagina em hospitais desse nosso Brasil varonil). E, me esqueci de dizer, que nesse momento descobrimos que a atriz Rene Russo é tão branca como a luva que ela está usando (na verdade eu achei que ela não estava usando luva).

Com várias pessoas morrendo, dentre eles sua ex-mulher (ex-mulher atrapalha até para morrer). Nosso herói descobre que a nossa amiguinha macaquinha é a hospedeira e ele precisa encontrá-la. A chave da cura está nela. Em uma jogada do destino absurdamente estranha, uma mãe descobre que sua filha tem brincado com nossa amiga macaquinha apenas de olhar pro desenho da garota (que deve ter mais ou menos 5 anos) e comparar com a foto do macaco na TV. Isso é que é mãe com sexto sentido. A macaquinha é capturada e começam a sintetizar o soro, contendo seus anticorpos, que tem os dois tipos de vírus (o vírus em que ocorreu a mutação e o que não teve a mutação). Neste caso, isto foi o suficiente para salvar os pacientes. Fim da história (ainda tem outras coisinhas hollywoodianas que não vem ao caso).

Uoopppsss .CALMA AÍ!!! Um grande último erro do filme: o soro retirado da macaquinha era composto de anticorpos. Os anticorpos dão proteção imediata por, mais ou menos, 3 meses. Não protegem por muito tempo. Então não é “a cura” para o vírus. Seria necessária a produção de uma vacina para o MotEbola, utilizando o vírus ou antígenos do vírus, por exemplo, o que não ocorreu. Desta forma, as pessoas não estão curadas da doença para sempre, e sim por apenas 3 meses. Em pouco tempo todos poderiam morrer pela doença, se houvesse uma segunda infecção.

OBSERVAÇÃO ESPECIAL E QUE TODOS ESTAVAM ESPERANDO. SE VOCÊ LEU ATÉ AQUI, MERECE SABER DISSO

                Alguém aqui se lembra do seriado Friends? Aquele no qual Joey sempre dizia “How you doing”? Se não sabem, procurem no Google. Mas se vocês sabem, se lembram do animal de estimação do Ross no começo da série? Era um macaquinho bonitinho que se chamava Marcel. Adivinhem quem era Marcel? Era nossa querida macaquinha que causou todos os problemas para Sam Daniels e a população daquela cidade dos Estados Unidos. Pois é, ela resolveu trabalhar no seriado Friends.

                Na verdade, os produtores da série fizeram até uma piada com isso. Em determinado episódio, Rachel perde Marcel, para, na temporada seguinte, ele ser encontrado por Ross fazendo parte de um filme como estrela principal. Esse filme se chama “Outbreak 2: The Virus Takes Manhattan”. Oh, meu Deus! É a continuação do filme Epidemia. Será que Sam Daniels aparece de novo?

macacos

Olha a nossa querida macaquinha no filme Epidemia na primeira figura e na série Friends na segunda figura

GLOSSÁRIO

Antígeno – É considerado como toda partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune. No caso de vírus, os antígenos geralmente são proteínas que desencadeiam essa resposta imune.

Doenças emergentes – São aquelas cuja incidência nos seres humanos tem aumentado nas últimas duas décadas ou que poderão ameaçar a humanidade num futuro próximo (Ex: AIDS).

Paciente zero – Paciente inicial em uma população que está infectada pela doença. Considerado o primeiro paciente que indica a existência de um surto.

 

O trailer do filme Epidemia, vale a pena ver esse filme.

Dotô, que epidemia de gripe é essa que está acontecendo na China?

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            É uma epidemia causada pelo vírus Influenza A H7N9, um novo vírus Influenza que surgiu no leste da China durante fevereiro e março de 2013 e espera-se que apareçam novos casos.

            Sempre é preocupante quando aparecem novas mortes ocasionadas pelo vírus Influenza em qualquer parte do mundo. Mais preocupante ainda é quando o novo subtipo do vírus que está causando essas mortes aparece na China e na Ásia. Desde o século passado, vários surtos de Influenza foram noticiados, geralmente pelo contato das pessoas com animais como porcos e galinhas, que podem hospedar esses vírus e passar para os humanos. O que geralmente ocorre é que na Ásia (em particular na China) há muitos tratadores de galinhas e de porcos que vivem em contato direto com esses animais, sem nenhuma higiene e sem nenhum cuidado e esses animais são vendidos diretamente para pessoas que os utilizarão como alimento. Ao se infectarem, tanto os tratadores, quanto os compradores ficam doentes e não notificam sua enfermidade para as autoridades de sua região (só quando a doença chega no estágio de tratamento hospitalar). Nesse meio tempo, a doença se espalha pela região e o número de casos aumenta, dificultando a contagem dos casos e, com isso, dificultando o tratamento dos possíveis doentes e a prevenção de novos casos.

            No caso da epidemia de H7N9, 82 casos foram notificados às autoridades da China, com 17 mortos, ou seja, quase uma  em cada cinco pessoas infectadas pelo vírus vieram à óbito. Os sintomas encontrados nas pessoas doentes variou desde uma pneumonia de progressão rápida, falha respiratória e síndrome do estresse respiratório agudo, todos altamente relacionados às infecções respiratórias graves. O mais alarmante é que uma boa parte dos pacientes que se infectaram pelo vírus e ainda estão vivos, estão com sintomas graves da doença, o que pode aumentar a quantidade de mortes pelo vírus. Outro fator importante é a quantidade de pessoas infectadas que não devem ter notificado a doença para as autoridades responsáveis. A região onde foram notificados os casos possui poucos recursos, o que dificulta a ação das autoridades para diminuir o numero de casos.

            Ao se depararem com o aumento dos casos da gripe H7N9, as autoridades e cientistas ficaram preocupados com o fato de que essa doença poderia vir a ser uma nova epidemia com possibilidade de se estender pelo mundo todo, como a epidemia de Influenza H1N1 foi em 2011. Mas, até o momento a epidemia se mantém limitada ao território Chinês.

Saber como ocorre a transmissão da doença é um fator importante para avaliar seus métodos de prevenção. Para isso, pesquisadores investigaram o contato de indivíduos infectados pelo vírus com animais que poderiam ser os responsáveis pela transmissão do Influenza. Dos 82 indivíduos infectados pelo vírus, 59 (77%) tiveram exposição recentes à animais, sendo que  45  (76%) dos indivíduos tiveram exposição à galinhas, 12 (20%) à patos e quatro (7%) à porcos. Preocupados com a alta taxa de contato com galinhas, um outro grupo de pesquisadores chineses decidiu investigar se o contato com esses animais seria a causa da epidemia de H7N9. Para isso, coletaram amostras de pacientes que entraram em contato com galinhas do mercado de animais local e de galinhas comercializadas por esses mesmos locais. Como eles esperavam, as amostras dos pacientes continham um isolado viral do H7N9 bastante similar aos das amostras das penosas. Além disso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que esse vírus estava altamente associado com a gravidade dos sintomas, como a pneumonia severa, e que o vírus H7N9 pode ser considerado o terceiro subtipo do vírus Influenza transmitido de galinhas para humanos, documentado, que pode causar óbito. O primeiro e mais importante desses vírus é o subtipo H5N1 (chamado de gripe aviária) que causou 58,3% de mortes em 1997 em Hong Kong e 62% de mortes em 2007 à 2008 em países na Ásia como o Vietnã, Tailândia e Cambodja.

O aumento do número de casos vem sendo observado com muito cuidado pelas autoridades Chinesas e mundiais. O medo de que essa epidemia de H7N9 se alastre pelo mundo e se torne uma pandemia é bastante grande. Por enquanto, não se sabe como ocorre a transmissão de humanos para humanos ou se a transmissão não é tão importante como a transmissão de galinhas para humanos. O mais preocupante são os sintomas que são rápidos e graves e a taxa de mortalidade que, por enquanto, beira os 21%. O Dotô está preocupado com mais outra epidemia de Influenza e ficará de plantão esperando novidades para trazer para nossos pacientes.

Falando de Influenza, o Dotô lembra que devemos tomar as seguintes medidas para não transmitirmos a doença para outros amiguinhos:

• Lavar (higienizar), com frequência, as mãos;

• Usar lenço descartável para higiene nasal;

• Encobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir;

• Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

• Higienizar (lavar) as mãos após tossir ou espirrar;

• Evitar aglomerações em locais fechados.

GLOSSÁRIO:

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos. É o H do nome do vírus, indo de H1 à H16.

Influenza A: Principal subtipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Influenza A H1N1: Subtipo do vírus de Influenza A que causou a gripe espanhola de 1918, levando à morte 50-100 milhões de pessoas no mundo todo. Uma nova variante do vírus H1N1 substituiu o vírus antigo, causando a pandemia de 2009, também chamada de gripe suína.

Influenza A H5N1 – Subtipo de Influenza A que causou a chamada gripe aviária, com seu inicio em 1997 na Ásia, tendo reaparecido em 2004 na Ásia, levando à 49 mortos.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos. É o N do nome do vírus, indo de N1 à N9

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Dotô, em época de dengue tudo é dengue mesmo?

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Não, durante as epidemias de dengue nem todos os pacientes diagnosticados com Dengue realmente são casos de infecções causadas pelo vírus da Dengue.  O que acontece é que, durante as epidemias de Dengue, o número de casos aumenta, e, como os sinais e sintomas dessa doença (febre, dores no corpo e na cabeça) são semelhantes a diversas outras, fica difícil realizar o diagnóstico diferencial. Neste cenário, praticamente todos os casos febris passam a ser considerados casos suspeitos de dengue.

Então, como eu sei se eu tenho dengue ou não?

É difícil saber ao certo sem exames complementares e sem uma boa consulta médica. Uma maneira de ajudar o seu médico no diagnóstico é conversar bastante com ele sobre suas viagens recentes, sobre o seu local de trabalho, se você foi picado por insetos alem dos mosquitos (carrapatos e pulgas), se teve contato com animais (cães, gatos, ratos …), se houve histórico de parentes ou pessoas próximas que adoeceram nos últimos meses e sempre alerta-lo sobre qualquer sintoma que você possa apresentar, além da dor de cabeça, no corpo, febre e manchas.

Eu posso pegar Dengue todo ano?

Não meu caro paciente, você não pode pegar Dengue todo ano. Você só pode pegar dengue no máximo quatro vezes em toda sua vida.

Existem quatro, do que nós chamamos de sorotipos do vírus da Dengue, e uma vez que somos infectados por um sorotipo nós estamos “imunes” a uma reinfecção com o mesmo sorotipo. Exemplificando: Se uma pessoa é infectada pelo vírus da Dengue – tipo1 ela estará imune a outra infecção pelo tipo 1, mas ainda pode se infectar pelo Dengue – tipos 2, 3 e 4. Então, não acredite na sua vizinha, que diz que o filho dela ou a prima da amiga da irmã dela teve dengue mais de 4 vezes. Esse é outro aspecto que você deve lembrar-se de mencionar ao seu médico caso você já tenha tido Dengue as quatro vezes (o que, convenhamos, é difícil).

Dotô, existe vacina para dengue?

Sim, existem vacinas em teste, mas nenhuma até o momento foi boa o suficiente para conferir imunidade para os quatro sorotipos do vírus. Então, a melhor forma de combater a Dengue é através de medidas básicas de controle de um dos mosquitos que pode transmitir a dengue no Brasil, o Aedes aegypti que você pode encontrar no link abaixo: http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/10minutos.html.

GLOSSÁRIO:

Dengue: é uma doença infecciosa causada pelo vírus da dengue

Sorotipo: O sorotipo se refere a grupos de micro-organismos, cada sorotipo representa um conjunto de tipos de vírus que causam a mesma resposta imune no organismo.

Aedes aegypti: espécie de mosquito popularmente conhecido como mosquito da dengue.

Diagnóstico diferencial: usando como base os sinais e sintomas do paciente o médico pode levantar uma série de hipóteses limitando o diagnóstico a um grupo de possíveis doenças devido as suas semelhanças com o quadro apresentado pelo paciente. A partir do diagnóstico diferencial, o médico pode selecionar testes e exames complementares específicos para o diagnóstico final. Esse diagnóstico depende tanto do profissional quanto do paciente.