Dotô, deu Zika?

charge_zikafonte: http://jornaldebrasilia.com.br/charges/442/doencas-provocadas-pelo-aedes-aegypti/

Dotô, tô com medo de pegar esse tal de vírus Zika e ficar zicado….

O vírus Zika está bombando nos jornais brasileiros, desde a suspeita da sua circulação no Brasil. Um grupo na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e outro no Rio Grande do Norte, na UFRN, identificaram 16 pacientes com diagnóstico preliminar de infecção pelo vírus Zika até o momento, 8 em cada Estado. Essas amostras foram encaminhadas aos laboratórios de referência Instituto Evandro Chagas, em Belém, e ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) para avaliação. A confirmação da circulação do vírus Zika no Brasil só vai acontecer após o laudo do laboratório de referência ratificando os achados, o que deve acontecer em breve. As pesquisas indicam que existem três tipos de vírus Zika: um de origem asiática e dois de origem africana. Os resultados preliminares de pacientes brasileiros indicam que o vírus Zika que circula aqui seria de origem asiática. A hipótese é que o vírus tenha chegado ao Brasil durante os jogos da Copa do Mundo, mas pra responder essa pergunta mais estudos precisam ser feitos para investigar a dispersão desse vírus no Brasil.

Mas Dotô, porque esse vírus tem esse nome?

Por incrível que pareça, não é porque deixa a gente zicado, ou com zic zira. Na verdade, o vírus Zika foi descoberto em macacos em 1947, em uma floresta tropical chamada Zika (que na língua local significa coberta), em Uganda, daí que vem o seu nome. Além da África, esse vírus já foi descrito na Ásia e na Oceania causando surtos, sendo definido como um vírus emergente. Os surtos mais recentes registrados aconteceram na Micronésia (em 2007) e na Polinésia Francesa (em 2013), esse último com dez mil casos, sendo que alguns pacientes tiveram sintomas neurológicos. Casos importados do vírus Zika foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Austrália. Esse vírus é transmitido por meio da picada de mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite o vírus da dengue. O vírus Zika é mantido no ambiente por um ciclo chamado de zoonótico, que envolve os mosquitos Aedes spp., e os primatas, podendo ocasionalmente infectar os humanos. A doença que ele causa, chamada de Febre do Vírus Zika, também tem sintomas parecidos com a dengue, porém mais  leves. Apenas 18% das pessoas infectadas pelo vírus Zika apresentarão manifestações clínicas da doença. Sua evolução é benigna, com um período de incubação de quatro dias. A doença é caraterizada por febre baixa, olhos vermelhos sem secreção e sem coceira, dores nas articulações, erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos, dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas. Os sinais e sintomas podem durar até 7 dias.

Se eu pegar o vírus Zika, o que eu faço?

O tratamento é parecido com um quadro de dengue clássica. O recomendado é usar paracetamol para febre e dor no corpo, ingestão de líquidos e não ingerir o ácido acetilsalicílico, devido às complicações hemorrágicas. Quanto à prevenção e controle, as medidas são focadas em eliminar o mosquito. Além disso, é recomendado o uso de repelentes e roupas que cubram as regiões expostas da pele, principalmente quando estão ocorrendo surtos e epidemias. Mais um Flavivírus achado no Brasil, um agravo semelhante à dengue e chikungunya. Por isso o Dotô chama a atenção de todos os seus pacientes: agora não temos só que combater a dengue, mas o chikungunya e o vírus Zika também. Por isso, atenção triplicada!

GLOSSÁRIO:

Vírus emergentes: são representativos de infecções virais em constante evolução. Podem ser ou não conhecidos anteriormente e se expandiram para uma região geográfica, muitas vezes sendo acompanhados por uma mudança na patogenia. Casos importados: São os pacientes que se infectaram em um país, mas viajaram e só apresentaram os sinais e sintomas quando já estavam fora. Isso acontece porque a maioria dos vírus tem um período de incubação, onde não há nenhum sinal e sintoma da doença. Zoonótico: É um ciclo que se mantem em animais, mas que pode potencialmente infectar os humanos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Diallo D, Sall AA, Diagne CT, et al. Zika Virus Emergence in Mosquitoes in Southeastern Senegal, 2011. Attoui H, ed. PLoS ONE. 2014;9(10):e109442. doi:10.1371/journal.pone.0109442.

Faye O, Freire CCM, Iamarino A, et al. Molecular Evolution of Zika Virus during Its Emergence in the 20th Century. Bird B, ed. PLoS Neglected Tropical Diseases. 2014;8(1):e2636. doi:10.1371/journal.pntd.0002636.

FioCruz confirma novos casos do vírus Zika. Disponível em: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/fiocruz-confirma-novos-casos-do-virus-zika-16151785. Acessado em 19/05/2015. Hayes EB. Zika Virus Outside Africa. Emerging Infectious Diseases. 2009;15(9):1347-1350. doi:10.3201/eid1509.090442.

Portal Saúde. Perguntas e respostas – Zika vírus. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/maio/14/PERGUNTAS-E-RESPOSTAS-zika.pdf. Acessado em: 19/05/2015.

Portal Saúde. Ministério investiga casos de doenças exantemáticas. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17684&catid=11&Itemid=103. Acessado em: 19/05/2015

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Dotô, as arboviroses vão conquistar o Brasil?

Em primeiro lugar, preciso explicar para você, meu paciente, o que são arboviroses. As arboviroses são infecções virais transmitidas por artrópodes. E o que são artrópodes? Artrópodes são insetos. Então, meu paciente, as arboviroses mais importantes são transmitidas por quem? Por mosquitos, principalmente a dengue, que é transmitida através da picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti e Aedes albopictus. Mas parece que o reinado do vírus Dengue como o principal arbovírus do Brasil está em risco. Semana passada, o Ministério da Saúde confirmou os dois primeiros casos de infecção pelo vírus Chikungunya no município do Oiapoque, no estado do Amapá. Um pai e uma filha se infectaram pelo vírus. A notícia, apesar de esperada, traz grandes preocupações para as autoridades de saúde brasileiras. A preocupação vem do fato que o Brasil apresenta um ambiente favorável para adaptação e dispersão do vírus em nosso território, uma vez que os mosquitos são os mesmos da dengue e febre amarela, fêmeas de Aedes albopictus e Aedes aegypti. Estes vetores estão presentes no Brasil em altas densidades e, apesar das grandes epidemias de dengue, nós brasileiros estamos susceptíveis a infecção pelo vírus Chikungunya.

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Figura: Como diferenciar o Aedes aegypti e Aedes albopictus (fonte: http://www.cdc.gov/chikungunya/)

Mas Dotô, a febre provocada pelo vírus Chikungunya é parecida com a provocada pelo vírus Dengue?

            A febre Chikungunya é uma doença descrita inicialmente na Tanzania em 1952 e desde então, surtos tem sido descritos no continente Africano, na Ásia e Europa. Em dezembro de 2013 os primeiros casos foram identificados no continente Americano em ilhas do Caribe, em pouco tempo o vírus já foi identificado em mais de 32 países do continente Americano, com mais de 15 mil casos suspeitos. Com esse número aumentando à cada dia, principalmente em locais com climas tropicais, climas importantes para a proliferação de Aedes albopictus e Aedes aegypt.

            Em pouco tempo, as infecções causadas pelo vírus alastrando-se alastraram até chegar à América do Sul, mas com a presença de infecções causadas pelo vírus da febre amarela e da dengue, demorou um tempo até chegar ao Brasil. O que mudou na semana passada, quando o vírus finalmente chegou aqui.

            Existe uma preocupação com a chegada desse vírus ao Brasil, pois seu ciclo de transmissão é mais rápido que o da dengue, durando no máximo sete dias, porém a infecção por Chikungunya mata com menos frequência. Além disso, como é um vírus novo, infectando uma população que não tinha entrado em contato com ele (população Brasileira), ocorre uma ineficiência dessa população ao se defender contra esse vírus, o que aumenta o aparecimento de manifestações clínicas da doença e da morte dos individuos infectados. A infecção pelo Chikungunya afeta individuos de todas as idades e ambos os sexos, mas suas manifestações clínicas podem variar de acordo com a idade, sendo os mais jovens e mais idosos os mais afetados pela doença. Para aumentar ainda mais a preocupação, os vírus da febre chikungunya e da dengue tem sintomas bastante semelhantes, o que torna difícil a sua diferenciação em uma avaliação médica. Então o médico pode acreditar que o caso é de dengue quando, na verdade, trata-se de um caso de infecção pelo vírus Chikungunya. Esse diagnóstico clínico errôneo leva ao aumento da taxa de transmissão do vírus.

            Como no vírus da dengue, a febre causada pelo chikungunya se caracteriza como febre alta de inicio abrupto, acompanhada por dor de cabeça, conjuntivite, dor nas articulações e nos músculos, além de erupções na pele (exantema). O sintoma mais importante da doença é a dor nas articulações, que é extremamente forte no individuo infectado. Em casos graves essa dor forte pode impedir os movimentos do individuo infectado, levando até à incapacidade do individuo de andar e até de escrever. Na verdade, o nome chikungunya significa “aqueles que se dobram”, em referência à postura que os pacientes adotam diante das dores articulares que a doença causa. Essa dor nas articulações pode demorar de vários meses à 1 ano após cessar a febre.

Existe tratamento para a doença, Dotô?

            Até o momento não existe nenhuma vacina ou antiviral que trate a infecção pelo vírus, mas os individuos infectados devem ser tratados pela indicação de uma boa hidratação, além de analgésicos e antitérmicos, pois esses remédios aliviam os sintomas. No caso da persistência de dores na articulação, é necessário continuar a tomar anti-inflamatórios e até fazer fisioterapia.

            Além do tratamento, é importante falarmos da prevenção. No momento, o melhor método de prevenção da doença é igual ao do vírus Dengue: combater a proliferação dos mosquitos transmissores da doença evitando o acúmulo de lixo e objetos que possam acumular água parada, podendo servir de criadouro para as larvas do mosquito.

E será que vai aumentar o número de caos no Brasil?

            Esperamos que sim meu caro paciente, pois assim teremos mais trabalho e mais pacientes…Não, espera! Quero dizer que é muito provável que ocorra mais casos de pessoas apresentando infecção pelo Chikungunya no Brasil. Na verdade novos casos vêm sendo notificados o tempo todo. Logo após aparecerem os casos notificados no Oiapoque, 11 casos foram considerados suspeitos na mesma região e 10 no Macapá, além disso, 5 novos casos foram diagnosticados em Feira de Santana, na Bahia, no dia 19 de setembro de 2014. Por isso, acredita-se que o número de casos vai continuar aumentando. Principalmente, com a chegada da época das chuvas, de janeiro à maio, que também é o período de maior transmissão da dengue no Brasil, pois é o período em que aumenta o número de mosquitos transmissores dessas doenças.

            Mas, após os casos confirmados no Amapá, o Ministério da Saúde afirmou que prepara uma série de medidas de conscientização para evitar a disseminação da doença e adiantou a expansão do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), aumentando de 1,8 mil para 2 mil municípios. O que aumenta o mapeamento dos mosquitos e consequente rapidez na atuação em uma futura epidemia. Além disso, o Ministério da saúde promoverá reuniões de mobilização das secretarias estaduais e municipais de saúde para o combate ao vírus da Dengue e ao Chikungunya em novembro.

            Pois é, meu caro paciente, você que estava apenas preocupado com o Ebola, se esqueceu que nós temos outras doenças virais por aqui que podem te infectar à qualquer momento. Agora nós não temos apenas o vírus Dengue e Febre amarela para nos preocupar, temos um novo visitante, que parece que veio para ficar, o Chikungunya. Então cuidado com os mosquitos e não deixe agua parada por aí.

 

GLOSSÁRIO

Antiviral: Classe de medicamentos utilizados para tratar infecções virais. Lembre-se: apenas infecções virais. Os antivirais não tratam infecções bacterianas (o que trata infecções bacterianas são antibióticos) e nem infecções causadas por fungos (tratadas por antifúngicos ou antimicóticos)

Ciclo de transmissão: Período em que ao organismo infeccioso passa por mudanças de hospedeiro, do local ao qual ele infecta ou morfológico ao qual ele necessita para infectar determinado individuo, se reproduzir e amadurecer.

Exantema: Manchas ou pápulas (manchas com elevação da lesão) na pele transmitidas por vírus, bactérias, protozoários e parasitas helmínticos (normalmente chamado de vermes). A lesão pode ocorrer em apenas uma região do corpo (rash localizado) ou espalhar-se por todo o corpo (rash disseminado ou generalizado).

Manifestações clínicas: Sintomas e sinais de uma determinada doença (ou seja, de que você está doente).

Taxa de transmissão: Quantidade de transmissão em determinado momento. Se a taxa de transmissão diminui, menos individuos transmitiram a doença e menos individuos se infectaram.

Vetores: Todo ser vivo capaz de transmitir um agente infectante, de maneira ativa ou passiva.

BIBLIOGRAFIA

Na Web

http://www.ebc.com.br/noticias/saude/2014/07/febre-chikungunya-o-que-e

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs327/en/

http://www.cdc.gov/chikungunya/

http://www.tribunadabahia.com.br/2014/09/19/5-casos-de-febre-chikungunya-sao-confirmados-em-feira-de-santana

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,12/2014/09/19/interna_brasil,447819/mais-de-20-pessoas-tem-suspeita-de-contagio-da-febre-chikungunya-no-amapa.shtml

http://www.brasil.gov.br/saude/2014/09/ministerio-da-saude-intensifica-medidas-de-controle-da-febre-chikungunya

Livros

Knipe DM, Howley PM, Griffin DE, Lamb RA, Martin MA, Roizman B, et al. Fields’ Virology: Lippincott Williams & Wilkins; 2007.

Santos NSO, Romanos MTVR, Wigg MD. Introdução a Virologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008.

Agora, com vocês os mosquitos causadores do Chikungunya e Dengue

Dotô, em época de dengue tudo é dengue mesmo?

dengue

Não, durante as epidemias de dengue nem todos os pacientes diagnosticados com Dengue realmente são casos de infecções causadas pelo vírus da Dengue.  O que acontece é que, durante as epidemias de Dengue, o número de casos aumenta, e, como os sinais e sintomas dessa doença (febre, dores no corpo e na cabeça) são semelhantes a diversas outras, fica difícil realizar o diagnóstico diferencial. Neste cenário, praticamente todos os casos febris passam a ser considerados casos suspeitos de dengue.

Então, como eu sei se eu tenho dengue ou não?

É difícil saber ao certo sem exames complementares e sem uma boa consulta médica. Uma maneira de ajudar o seu médico no diagnóstico é conversar bastante com ele sobre suas viagens recentes, sobre o seu local de trabalho, se você foi picado por insetos alem dos mosquitos (carrapatos e pulgas), se teve contato com animais (cães, gatos, ratos …), se houve histórico de parentes ou pessoas próximas que adoeceram nos últimos meses e sempre alerta-lo sobre qualquer sintoma que você possa apresentar, além da dor de cabeça, no corpo, febre e manchas.

Eu posso pegar Dengue todo ano?

Não meu caro paciente, você não pode pegar Dengue todo ano. Você só pode pegar dengue no máximo quatro vezes em toda sua vida.

Existem quatro, do que nós chamamos de sorotipos do vírus da Dengue, e uma vez que somos infectados por um sorotipo nós estamos “imunes” a uma reinfecção com o mesmo sorotipo. Exemplificando: Se uma pessoa é infectada pelo vírus da Dengue – tipo1 ela estará imune a outra infecção pelo tipo 1, mas ainda pode se infectar pelo Dengue – tipos 2, 3 e 4. Então, não acredite na sua vizinha, que diz que o filho dela ou a prima da amiga da irmã dela teve dengue mais de 4 vezes. Esse é outro aspecto que você deve lembrar-se de mencionar ao seu médico caso você já tenha tido Dengue as quatro vezes (o que, convenhamos, é difícil).

Dotô, existe vacina para dengue?

Sim, existem vacinas em teste, mas nenhuma até o momento foi boa o suficiente para conferir imunidade para os quatro sorotipos do vírus. Então, a melhor forma de combater a Dengue é através de medidas básicas de controle de um dos mosquitos que pode transmitir a dengue no Brasil, o Aedes aegypti que você pode encontrar no link abaixo: http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/10minutos.html.

GLOSSÁRIO:

Dengue: é uma doença infecciosa causada pelo vírus da dengue

Sorotipo: O sorotipo se refere a grupos de micro-organismos, cada sorotipo representa um conjunto de tipos de vírus que causam a mesma resposta imune no organismo.

Aedes aegypti: espécie de mosquito popularmente conhecido como mosquito da dengue.

Diagnóstico diferencial: usando como base os sinais e sintomas do paciente o médico pode levantar uma série de hipóteses limitando o diagnóstico a um grupo de possíveis doenças devido as suas semelhanças com o quadro apresentado pelo paciente. A partir do diagnóstico diferencial, o médico pode selecionar testes e exames complementares específicos para o diagnóstico final. Esse diagnóstico depende tanto do profissional quanto do paciente.

Dotô, o que é virose?

Apresentando o blog:

Quem nunca foi no médico com sintomas de resfriado, dor no corpo, dor de cabeça ou com aquela dor de barriga, e aí o médico virou e falou: “Você está com uma virose…”.
E você ficou se perguntando: “O que é virose? Será que tudo que eu pego é virose? Como o médico pode só olhar pra minha cara e falar isso?”.

Para responder essas e outras perguntas, criamos esse blog. Formado por alunos de Pós Graduação da área de Virologia, preocupados em como a virologia é disseminada para todos e como as pessoas entendem o estudo dos vírus.

Dotô, o que é virose?

Virose é um conceito muito usado na medicina pra falar de qualquer infecção causada por microorganismos que tenha sintomas gerais e inespecíficos, e que confunde muito os pacientes. Enfim, o que é virose? Será que esse conceito é utilizado de forma correta?

Para os cientistas, o conceito de virose, utilizado no dia a dia por todos, não é o conceito correto. Quando estamos doentes, alguns sintomas são considerados inespecíficos como: dor de cabeça, febre, diarreia, mal estar, tosse. Eles são considerados inespecíficos, pois são sintomas encontrados em várias doenças comuns a microrganismos diferentes, como bactérias, protozoários e vírus. Hoje em dia, quando os médicos encontram um paciente que apresenta esses sintomas, ele considera que esse paciente está com uma virose. Ou seja, virose seria uma infecção causada por um microorganismo que apresenta sintomas inespecíficos.

Mas os cientistas tem outra visão: uma virose seria aquela doença causada apenas por vírus e não por outros microrganismos. Então, quando o médico diz que você tem uma virose e receita um antibiótico, ele está agindo de maneira inadequada, pois os antibióticos são remédios utilizados para inibir o crescimento ou eliminar as bactérias que possam estar causando a doença. Se essa doença não estiver ocorrendo por uma infecção bacteriana, qual seria a vantagem do antibiótico? O ideal nesse caso é fazer um diagnóstico clinico (feito pelo medico) e laboratorial. Assim, quando se confirma pelos sintomas e pelo laboratório que a doença é causada por um vírus, e não por uma bactéria, impede-se a utilização errada de antibióticos, o que contribui para diminuir os casos de resistência a antibióticos, tão comum nos dias de hoje.

Porém, nem sempre essa conduta pode ser realizada pelo sistema público de saúde. Isso ocorre pois os médicos enfrentam problemas que vão desde o tempo curto para o atendimento do  paciente, até  a falta de recursos nos hospitais públicos. Mesmo assim o profissional deve sempre estar atento e deve disponibilizar aos seus pacientes a atenção básica necessária, conversando e examinando o paciente pelo tempo que for preciso, fazendo um trabalho de qualidade.

Outra abordagem é feita durante casos de epidemias (como a dengue) e pandemias (como a influenza A H1N1 2009). Por exemplo, atualmente, no Estado do Rio de janeiro, está acontecendo uma epidemia de dengue, onde há uma prevalência do dengue tipo 4. O médico, sabendo disso, direciona o diagnóstico de febre, dores no corpo e de cabeça, náuseas e vômitos, aliado com a queda de plaquetas, para uma suspeita de dengue e assim ele faz o diagnóstico e escolhe o tratamento. Porém, a confirmação só é feita aliada ao diagnóstico laboratorial por métodos mais específicos como os ensaios imunoenzimáticos, que tentam encontrar proteínas do vírus ou anticorpos específicos contra o vírus (como o teste de ELISA) ou métodos de biologia molecular (como o PCR) que procuram detectar o material genético do vírus.

O diagnóstico laboratorial utilizando a biologia molecular ajudou no controle da pandemia de influenza A H1N1 em 2009, pois com a utilização de ensaios de PCR em tempo real (um método em que você consegue amplificar e quantificar a sequência especifica do genoma de um organismo e, a partir daí, diferenciá-lo de outro organismos ou mesmo detectar pequenas diferenças genéticas do vírus) se observou que a grande maioria dos casos de infecção respiratória foi devido ao vírus influenza A H1N1, e não a outros vírus, porque ele era o mais prevalente nos estudos de vigilância epidemiológica. Assim, havia uma infinidade de casos que foram acompanhados e tratados quando necessário para a infecção causada por esse vírus.

Aproveitando pra falar do vírus Influenza, vai aí uma alerta pra toda a população: em abril começa a campanha de vacinação contra gripe! Os grupos a serem vacinados são: idosos (+60 anos), gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, portadores de doenças crônicas (ex: respiratória, cardíaca, renal, hepática, neurológica, obesidade, diabetes, imunossupressão), indígenas e profissionais de saúde! Vacine-se!

Agora, vai um hit pra descontrair!