Dotô, é carnaval!!!!

curta o carnaval

É meus caros pacientes, chegou o tempo de folia … correr atrás do trio e se divertir!!!! Mas e o Dotô com isso? Além da fantasia de Dotô ser bem comum nessa época, o número de infecções causadas por alguns vírus aumenta consideravelmente. Estamos falando das DSTs, ou doenças sexualmente transmissíveis, das arboviroses e das gastroenterites. Eu sei, que durante o carnaval, temos muitas coisas para pensar ao mesmo tempo: para onde vamos, quem vai, quais fantasias usar, qual nosso itinerário nos blocos, quantos dias, entre outras muitas grandes questões levantadas. Mas não custa nada incluir algumas precauções que vão te ajudar a ter um divertimento completo e sem riscos para sua saúde.

O ABC … R, T e V do Dotô para um carnaval saudável

            Segue abaixo algumas dicas para você curtir o carnaval sem se preocupar depois:

A – Alimentos: evite o consumo de alimentos de origem desconhecida, dê preferência para os alimentos e bebidas industrializados. Na dúvida opte sempre pelo consumo de alimentos cozidos ou assados.

B- Não beba água de bicas, torneiras e poços. É muito importante se hidratar, mas com segurança. Compre sempre garrafas de água industrializadas e evite beber água ou caipirinha de origem desconhecida ou de outros foliões que podem ter enchido seus cantis ou copos com água de bica, torneira ou sabe-se lá de onde mais.

C- CAMISINHA. É clichê, mas é verdade: sexo só de camisinha. A distribuição de camisinhas masculinas e femininas é feita pelos postos de saúde e pontos de distribuição durante o carnaval. Procure, não gasta nada e você se previne.

R- Repelente. Para todos os foliões e pra quem vai ficar em casa, não importa, na atual situação do Brasil frente a tripla epidemia (Dengue, Chikungunya e Zika) e após o prolongado período de chuvas na região sudeste, o repelente se faz necessário para todos.

É importante lembrar, que quando for passar o repelente com outros produtos como protetor solar e maquiagem, o repelente sempre deve ser o último a ser aplicado, para que ele tenha sua ação garantida. A aplicação deve ser realizada de acordo com o período estabelecido pelo fabricante.

T- Teste do HIV. Você que tem aquela pulga atrás da orelha ou você que quer ter certeza que está saudável para pular o carnaval, faça o teste de HIV antes ou depois do carnaval. O teste é de graça e está disponível nos postos de saúde do seu município … Partiu teste?!

V- Vacinação. Para você que vai viajar para outro estado, veja as recomendações de vacinação para aquela área. A vacina contra Febre Amarela é importante para aqueles que pretendem viajar para a região Amazônica, Centro-Oeste e algumas regiões do estado de Minas Gerais. Fiquem atentos também para a vacina contra a raiva, procure se informar onde encontrar atendimento em caso de acidente com animais errantes ou silvestres que podem transmitir o vírus da Raíva.

Outras recomendações relacionadas podem ser encontradas no blog do ministério da saúde:

http://www.blog.saude.gov.br/

Seja um folião consciente e se mantenha saudável durante o carnaval!!!!!

Divirtam – se!!!!!

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vaigem saudável

alerta aedes

O Calendário de vacinação mudou!

vacina_familia

Caras mamães, papais e toda a família: o ano de 2016 promete! E como o Brasil não é feito só de Carnaval e Olimpíadas, vamos ao foco principal dessa postagem, as novas mudanças no calendário de vacinação, que já estão acontecendo! Como a mudança não correu apenas para vacinas antivirais, o Dotô incluiu também as vacinas que previnem infecções bacterianas. Informação nunca é demais e a prevenção é a melhor medida de proteção sempre.

Vamos lá, anotem aí:

1. Vacina contra hepatite A. Para garantir a proteção das nossas crianças de até dois anos contra o vírus da hepatite A. Como era antes: aplicada a partir de 12 meses de idade. Como será agora: aplicada a partir de 15 meses de idade.

2. Vacina contra hepatite B. Essa vacina irá proteger vocês, queridos pacientes, da infecção contra o vírus da hepatite B. Como era antes: A vacinação ocorria até os 50 anos. Como será agora: Agora o público-alvo é TODA A POPULAÇÃO. Ou seja, os idosos, que eram os únicos que estavam de fora, agora podem se vacinar.

3. Vacina contra poliomielite. Mesmo não tendo mais casos no Brasil a um bom tempo, enquanto a doença não for erradicada, ou seja, enquanto o vírus da pólio ainda estiver por aí, precisamos vacinar nossas crianças. O público-alvo continua sendo as crianças de até 5 anos de idade, porém o esquema vacinal mudou. Como era antes: a terceira dose era por via oral (a famosa gotinha) usando o vírus atenuado. Como será agora: a terceira dose será injetável, usando vírus inativado (popularmente chamado de vírus “morto”).

Assim, o esquema da vacina contra poliomielite será:

  • 1ª dose aos 2 meses de idade (injetável)
  • 2ª dose aos 4 meses de idade (injetável)
  • 3ª dose aos 6 meses de idade (injetável)
  • 1º reforço aos 15 meses de idade (oral)
  • 2º reforço aos 4 anos de idade (oral)

4. Vacina contra HPV. Para proteger as meninas de 9 a 13 anos contra os principais tipos de papilomavírus humano, fortemente associado ao câncer de colo de útero. Como era antes: era aplicada em três doses. A segunda dose era após 6 meses da primeira, e a terceira, após cinco anos. Como será agora: a vacina será aplicada em duas doses, com intervalo de 6 meses cada.

5. Vacina anti-pneumocócica 10-valente. O público-alvo são as crianças até 5 anos. Essa vacina protege as crianças da infecção causada por uma bactéria, popularmente chamada de Pneumococos. Essa bactéria pode causar pneumonia, otite, meningite, entre outras doenças. Como era antes: era aplicada em três doses + um reforço. Como será agora: Só será aplicada em duas doses + reforço.

Assim, o esquema da vacinação anti-pneumocócica será:

  • 1ª dose aos 2 meses de idade
  • 2ª dose aos 4 meses de idade
  • Reforço aos 12 meses de idade.

6. Vacina anti-meningocócica C. Essa vacina protege contra a bactéria meningococo C, que causa meningite. O público-alvo são as crianças até 4 anos. Como era antes: o reforço acontecia aos 15 meses. Como será agora: o reforço foi antecipado para os 12 meses.

Assim, o esquema para vacina anti-meningocócica será:

  • 1ª dose aos 3 meses
  • 2ª dose aos 5 meses
  • 1º reforço: aos 12 meses

Em casos de não vacinados: dose única entre 12 meses e 4 anos.

Atualizaram aí os cartões da família, né?

Vacina é proteção PARA TODOS, não só para nossa família. Partiu exercer nossa cidadania? Vacine-se!

Segue um site bem legal da Sociedade Brasileira de Imunização, que fala sobre vacinação: http://familia.sbim.org.br/ Lá tem também alguns mitos que costumam circular por aí, informações sobre as doenças e uns vídeos bem bacanas incentivando a prevenção.

Aqui vai um vídeo contando a história de pessoas que tiveram poliomielite e incentivando às mães e pais à vacinarem seus filhos:

 

REFERÊNCIAS:

Nota normativa do Ministério da Saúde sobre as mudanças no calendário de vacinação. Disponível em: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/legislacao/2015/58563/nota_informativa_149_pdf_23535.pdf. Acessado em 06/01/2016

Portal Saúde. Ministério da Saúde realiza mudanças no calendário de vacinação. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/21518-ministerio-da-saude-realiza-mudancas-no-calendario-de-vacinacao. Acessado em 06/01/2016

Folha de São Paulo. Calendário de vacinação no SUS terá mudanças esse ano; veja alterações. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/01/1726049-calendario-de-vacinacao-no-sus-tera-mudancas-neste-ano-veja-alteracoes.shtml. Acessado em: 06/01/2016

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Dotô, é verdade que a microcefalia é causada pela vacina de Rubéola?

grávida

Fonte: http://www.canalgravidez.com.br

                Não, é mentira. Uma mentira extremamente exagerada e sem nexo.  Quando a mulher engravida, algumas vacinas são necessárias como a vacina de tétano e difteria causadas por bactérias, bem como a vacina da gripe causada pelo vírus Influenza. Mas a vacina da Rubéola é contra-indicada na gravidez. Na verdade, a vacina da Rubéola em grávidas pode causar uma doença chamada “Sindrome da Rubéola Congênita”, que afeta principalmente os fetos quando a mãe é vacinada no primeiro trimestre de gravidez. Essa doença pode causar aborto e comprometer o desenvolvimento do feto, causando mal formações como deficiência auditiva, catarata, glaucoma e deficiência auditiva. Podendo ainda causar retardo do desenvolvimento e diabetes mellitus. A vacina é formada pelo vírus da Rubéola no estado atenuado (vacina atenuada), que não causa a doença em geral, mas em grávidas, pelo seu sistema imune estar fraco, o vírus pode reverter e causar a doença. Por esse motivo, ela não é indicado para grávidas.

                Por conta desta contraindicação para grávidas é que esse boato não tem cabimento. O boato surgiu na semana passada quando uma pessoa, que não parece conhecer direito a área de saúde, afirmou em um vídeo no youtube e em sua página no facebook de que a microcefalia causada pelo Zika, na verdade era causada por um lote de vacina de Rubéola vencido que estava sendo inoculado nas grávidas e, por isso, os bebês estavam tendo microcefalia. Se você, caro paciente, procurar um pouco na internet para se informar melhor verá que o que foi dito pelo individuo não faz o mínimo sentido, pois além de não ser indicada a vacinação para Rubéola em grávidas, ele faz várias afirmações que não coincidem com a realidade na virologia. Vocês podem até fazer uma brincadeira. Vejam o vídeo e tentem descobrir quantas vezes ele falou besteiras sobre a virologia. Chamem seus amigos. Vai ser super divertido. Aqui está o link para vocês brincarem: https://www.youtube.com/watch?v=Boy9_naXBEA

Além desse boato, outros boatos apareceram. Segue alguns dos que o Dotô soube:

1) O Zika não veio na Copa, foi produzido em laboratório.

2) O Zika só apareceu pois os mosquitos geneticamente modificados soltos pela Fundação Oswaldo Cruz para tentar diminuir a quantidade de mosquitos transmissores do mosquito da dengue, foram capazes de se infectar pelo Zika (então a culpa é da Fundação Oswaldo Cruz).

3) A epidemia de Zika é muito maior do que pensamos e o governo está escondendo tudo, a maior parte das crianças que nascerão em 2016 terão microcefalia (A verdade está lá fora…).

4) Alguns repelentes caseiros são mais fortes do que outros repelentes para “espantar” o Aedes aegypti.

4) O Zika só veio para o Brasil, pois ele gosta de futebol.

                Esses boatos atrapalham mais do que ajudam os Dotôres e o Ministério da Saúde. Simplesmente, pois ao acreditar nesses boatos as pessoas começam a deixar de se cuidar e, com isso, pode aumentar o número de mosquitos e aumentar o número de nascimentos de crianças com microcefalia. Afinal, para que se cuidar se a culpa não é do mosquito? Além disso, o alarde e preocupação das pessoas tem aumentado muito o uso de repelentes em crianças de todas idades, o que levou ao aumento de crianças com problemas ao usar os repelentes. Principalmente repelentes caseiros, não certificados. O filme Contágio mostra bem isso, quando um jornalista (interpretado pelo ator Jude Law), acredita que existe um remédio que pode tratar a infecção causada pelo vírus MEV-1 e alerta a população, dizendo que o governo está escondendo da população que esse remédio pode levar à cura da doença. Ao ver esse relato do jornalista, várias pessoas começam à procurar esse remédio e o utilizam acreditando que vão ser curados. O que não é bem a verdade. Assistam o filme, ele é bem interessante.

                Além dos boatos relacionados ao Zika, vários boatos relacionados à virologia vem sendo espalhado pela internet, facebook e o whatsapp todos os dias e muitas pessoas estão acreditando em boatos assim. É só pararmos para pensar se realmente faz sentido acreditar em um áudio que você recebeu pelo whatsapp de alguém que você não conhece ou de um vídeo de uma pessoa qualquer dizendo que vai acontecer isso ou aquilo, ou de que a causa de determinada doença não é exatamente a que a ciência diz. Você tem que avaliar o seguinte: Eu devo acreditar em uma pessoa sem credenciais cientificas, que não estudou, que não é um especialista na área ou acreditar em profissionais altamente gabaritados que passam a vida discutindo, estudando, testando e aplicando o seu conhecimento para melhorar a saúde da população? Uma imagem postada no facebook está mais correta do que páginas oficiais como as páginas da Fiocruz, Ministério da Saúde ou Organização Mundial da Saúde? Antes de pensar em uma teoria da conspiração pense em como as coisas podem dar errado se você não acreditar no trabalho dos dotôres e da ciência. Pergunte, se informe e sempre questione, pois acreditar em qualquer um pode ser a diferença entre você ficar doente, seus filhos ficarem doentes ou seus vizinhos ficarem doentes, e ajudar na diminuição de doenças como Zika e a microcefalia. O Dotô, por exemplo, estará sempre aqui para tirar suas dúvidas e discutir melhor sobre a virologia.

Abraços e até a próxima.

 

 

GLOSSÁRIO:

Vacina atenuada: Vacina formada por vírus ou bactérias vivas, mas que foram cultivados em condições que levam à perda da capacidade de provocar doença. Mesmo não provocando a doença, o vírus é reconhecido pelo sistema imune que leva à resposta imune contra novas infecções pelo vírus. Em virologia, temos como exemplo vacinas atenuadas contra sarampo, varicela, febre amarela, rubéola, rotavírus e poliomielite.

REFERÊNCIAS:

Canal gravidez. A mulher pode tomar vacinas durante a gravidez?. Disponível em: http://www.canalgravidez.com.br/a-mulher-pode-tomar-vacinas-durante-a-gravidez/. Acessado em 19/12/2015.

Hayes EB. Zika Virus Outside Africa. Emerging Infectious Diseases. 2009;15(9):1347-1350. doi:10.3201/eid1509.090442.

Portal Saúde. Perguntas e respostas – Zika vírus. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/maio/14/PERGUNTAS-E-RESPOSTAS-Zika.pdf. Acessado em: 19/12/2015.

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Em tempos de Zika, porque ainda temos medo do Ebola?

Ebola

Em meio à tantas notícias preocupantes sobre o vírus Zika e possíveis impactos da sua infecção durante a gestação, como discutimos em nosso último post, nos surpreendemos no mês de novembro com o anuncio de mais um caso suspeito de Ebola no Brasil. Após meses de silêncio e de uma falsa sensação de que o vírus Ebola não era mais um problema mundial, eis que surge a dúvida: “é ebola ou não é?!”

Uffa, não foi! O caso suspeito se tratava de um paciente brasileiro que viajou para Guiné, país que ainda sofre com a epidemia causada pelo vírus Ebola. O paciente foi atendido no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e, através de testes realizados pela própria fundação, a suspeita foi descartada. O paciente foi diagnosticado com malária e recebeu alta na manhã do dia 14/11.

Quer saber mais detalhes sobre o caso? Segue o link: http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2449&sid=32

Mas Dotô, a epidemia de Ebola não acabou?

Não, meu caro paciente, a epidemia, que começou em março de 2014, já contabiliza cerca de 29 mil casos e mais de 11 mil mortes, seis países africanos e mais quatro países dos continentes Europeu e Americano. Apesar de um aparente controle, ainda existem alguns focos ativos da doença na África, como Guiné e Libéria.

Vamos focar na Libéria: A OMS havia anunciado no dia 03/09 o fim da transmissão do vírus Ebola na Libéria, onde a epidemia já deixou cerca de 4.000 mortos, com um total de 10.600 casos. A declaração foi feita após 42 dias sem casos no país. Porém, na última semana, três novos casos de ebola foram confirmados no país, depois de dois meses da Libéria ter sido declarada livre do vírus. O anúncio foi feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), na última sexta-feira (20/11). Um dos casos confirmados foi de um garoto de 15 anos de idade, admitido em uma unidade de saúde na Libéria, no dia 19/11. Depois de diagnosticado, o rapaz foi transferido para um centro de tratamento de Ebola, juntamente com outros cinco membros da sua família. Os outros dois casos confirmados com ebola eram da família do rapaz: um menino de 8 anos e seu pai, que já estão em isolamento. Além da família, 149 contatos foram identificados até agora, incluindo 10 profissionais de saúde que tiveram contato próximo com o jovem de 15 anos antes do isolamento. As investigações para descobrir a origem da infecção estão em um estágio inicial.

Dotô essa epidemia vai ter fim? O Ebola pode ser erradicado?

Bem, é difícil prever um fim para essa epidemia, porque pequenos focos continuam aparecendo, além de casos esporádicos. O ressurgimento da doença já era esperado, provavelmente por um vírus persistente em um indivíduo convalescente, ou através da infecção a partir de animais silvestres. Lembrando que, apesar do Ebola ser transmitido de uma pessoa para outra, estamos falando de uma zoonose. Além disso, a fonte das infecções iniciais desse surto está associada a transmissão a partir de animais silvestres.

Por esse motivo, o Ebola não pode ser erradicado, pois não possuímos uma vacina eficaz para interromper a transmissão pessoa a pessoa, e o mais importante: por poder infectar outros animais além do homem, o vírus Ebola vai continuar na natureza. Não podemos falar de erradicação, mas sim de controle, e este controle deve ser focado na vigilância de casos suspeitos, não só nos países africanos, mas no mundo inteiro.

Sim, o vírus Zika é um problema grave de saúde pública, mas lembrem-se que o Zika foi introduzido na Copa de 2014 e as Olimpíadas vêm aí! Precisamos ficar de olho … o Dotô com certeza está antenado!

GLOSSÁRIO:

Zoonose: são doenças que podem ser transmitidas do animal para o homem e vice-versa, tanto através do contato direto com secreções ou excreções, quanto através da ingestão de alimentos contaminados de origem animal.

 

REFERENCIAS:

Organização Mundial de Saúde. Ebola report. http://apps.who.int/ebola/current-situation/ebola-situation-report-25-november-2015

Organização Mundial de Saúde. Update Libéria. http://www.who.int/csr/disease/ebola/flare-up-liberia/en/

Organização Médicos Sem Fronteiras. Informações sobre o ebola. http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/ebola

 

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Dotô, tô grávida e com medo do zika, o que eu faço?

Zikagravida

Caras mamães, estamos aqui para informar e alertar sobre o vírus zika, que atualmente está circulando pelo Brasil e está causando um rebuliço só nas famílias brasileiras. Mas, o que acontece de verdade? Vou contar desde o início para quem não acompanhou as últimas notícias do mundo dos vírus.

Nos últimos três meses o Brasil registrou 399 casos de bebês recém-nascidos com microcefalia em 7 estados do Nordeste. O primeiro boletim divulgado no dia 17/11/2015 registra, só em Pernambuco, por exemplo, 268 novos casos. Já nos outros estados foram registrados: Sergipe (44), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8). Por causa desse aumento repentino, o Ministério da Saúde decretou no último dia 11 de novembro, Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional.

Mas o que é esse nome aí, Dotô? Micro o quê?

Microcefalia. É uma má formação detectada através da ultrassonografia do feto. Nesses casos, os bebês nascem com um cérebro menor do que o normal. Por exemplo, um bebê em tempo normal de gestação (que não seja prematuro) apresenta geralmente um perímetro de, pelo menos, 34 cm da cabeça. Já em casos de microcefalia, esses valores podem ser menores do que 33 cm, podendo causar algumas complicações neurológicas no bebê. Essa alteração pode ser causada por diversos fatores, como medicações, infecções por vírus e bactérias e até por radiação.

Mas e o Zika vírus com isso?

Inicialmente, gostaríamos de deixar claro que casos de microcefalia sempre ocorreram em nosso país e no mundo. O que chamou a atenção dos médicos e das autoridades foi o grande número de casos que começaram a ocorrer neste ano. Durante a revisão dos prontuários e históricos das gestantes e mães de bebês com microcefalia, observou-se que muitas delas relatavam ter apresentado febre e manchas pelo corpo, mas sem maiores alardes. Então os responsáveis apontaram a possível associação entre esses casos e vírus Zika, recém chegado no país em 2014.

A discussão ganhou ainda mais força com a divulgação dos resultados obtidos pelo Laboratório de Flavivirus da Fiocruz  (Rio de Janeiro), onde os pesquisadores detectaram a presença do material genético do vírus zika no líquido amniótico de duas gestantes da Paraíba cujos bebês tiveram a microcefalia confirmada pela ultrassonografia. E quando confrontaram o sequenciamento do material genético com o banco de dados de genes, descobriram que o vírus encontrado aqui é semelhante ao que circula pela Ásia. Confira a reportagem na integra aqui: (http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/11/deteccao-de-zika-no-liquido-amniotico-feita-pela-fiocruz-e-inedita-na-ciencia.html)

Mas atenção, não podemos dizer ainda que existe uma relação de causa e efeito, ou que todas as mamães que se infectarem com o zika vão ter bebês com microcefalia, e vice-versa. Mas sim que existe uma hipótese de que isso possa acontecer.

Esse estudo é muito importante em termos de saúde pública, e o que temos pra dizer agora pra todas as mamães grávidas que acompanham o blog do Dotô, e que ficam super preocupadas (com razão) é:

Na dúvida, se protejam.

Mantenham as portas e janelas fechadas ou com telas de proteção, usem calça e blusa de manga comprida e usem o repelente adequado para vocês, gestantes!

Se antes vocês tinham que se proteger da dengue, se protejam mais ainda. Também se informem, seja por aqui, seja pelo blog do Ministério da Saúde (www.blog.saude.gov.br/), e de outras fontes que sejam confiáveis, busquem se atualizar não só sobre infecções congênitas como a do vírus zika, mas também tantas outras que podem ser transmitidas para o seu bebê durante a gestação.

Façam o pré-natal, tenham todas as vacinas em dia, tenham cuidados na alimentação e usem bastante repelente, afinal, o vírus zika é transmitido pela picada do mosquito mais famoso do Brasil, o Aedes aegypti.

É só o que podemos dizer enquanto não temos novas novidades na pesquisa para as mamães mega ansiosas. Em breve voltamos com mais updates virais! Até mais!

Ficou na dúvida sobre os sintomas do zika vírus, o Dotô relembra: manchas na pele, conjuntivite e febre, acompanhado ou não de dores nas articulações.

REFERÊNCIAS:

Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (publicado dia 17/11/2015). Disponível em:
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/20805-ministerio-da-saude-divulga-boletim-epidemiologico

Ministério orienta as gestantes sobre casos de microcefalia (publicado dia 13/11/2015):
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/20692-orientacoes-as-gestantes-sobre-os-casos-de-microcefalia

IOC Fiocruz identifica a presença do zika virus em dois casos de microcefalia. Disponível em:
http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/iocfiocruz-identifica-presenca-de-zika-virus-em-dois-casos-de-microcefalia

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Gemycircula … o quê, Dotô?

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Mesmo com todo avanço ainda não conseguimos desvendar os agentes por trás de muitas das nossas “viroses”. Felizmente, existem muitos dotôres que dedicam seus trabalhos a identificação dessas viroses. Nesse post vamos discutir a descoberta de um novo vírus causador de diarreia.

           

Dotô, eu fiquei sabendo que têm uma “virose” nova no Brasil, um tal de Gemycircula…?????

É verdade meu caro paciente, mais um vírus foi descoberto no Brasil para se juntar ao “time viral” que vem sendo detectado em nosso país. O vírus de nome difícil, Gemycircularvirus, foi detectado em amostras de fezes de crianças atendidas em hospitais de Manaus. Caracterizado a partir da análise molecular das fezes de crianças com diarreia, os colegas Dotôres manauaras encontraram um vírus que causa, além de diarreia, paralisia flácida temporária nos membros inferiores.

Dotô, esse vírus foi encontrado apenas aqui no Brasil?

 

Não, este vírus vem sendo detectado em diferentes regiões da Ásia e da Europa, infectando os mais diversos seres vivos, entre eles temos os fungos, plantas e mamíferos como roedores, raposas, entre outros. O Gemycirculavirus vem sendo detectado em humanos com casos de diarreia, paralisia flácida e encefalite de causa desconhecida.

Mas como esse vírus é transmitido?

Os Gemycirculavirus são transmitidos por via fecal oral, ou seja, através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes infectadas pelo vírus. Assim, este vírus está associado à condições sanitárias ruins, como falta de saneamento básico e acesso à água potável, sendo detectado em esgotos e águas contaminadas. Aqui no Brasil este vírus foi encontrado em pacientes que moram nas periferia de Manaus, alertando para a necessidade de melhorias nas condições de saneamento nessa região.

Recomenda-se como prevenção dessa virose medidas básicas de saúde: lavar as mãos após usar o banheiro, antes das refeições e tomar apenas água filtrada ou fervida

Esse vírus está presente apenas na região amazônica, Dotô?

 

Bem, isso ainda não se sabe, cabe aos nossos amigos Dotôres continuarem buscando por esse vírus do Oiapoque ao Chuí. O que vale ressaltar aqui é a curiosidade e a persistência dos nossos colegas em não se contentar com resultados negativos. A busca de agentes causadores de um caso clínico sem diagnóstico é muito importante para que possamos conhecer o que realmente está acontecendo em nossos hospitais. E com esse exemplo fica claro que muitas outras “viroses” serão descobertas no nosso país e no mundo.

GLOSSÁRIO:

 

Contactantes: indivíduos que tiveram contato com um indivíduo doente.

Manauaras: nascido em Manaus, capital do Amazonas.

Paralisia flácida: manifestação clínica caracterizada como paralisia ou redução do tônus muscular.

Encefalite: inflamação e infecção do cérebro.

REFERÊNCIA:

Phan TG, Mori D, Deng X, Rajindrajith S, Ranawaka U, Fan Ng TF, Bucardo-Rivera F, Orlandi P, Ahmed K, Delwart E.Small circular single stranded DNA viral genomes in unexplained cases of human encephalitis, diarrhea, and in untreated sewage. Virology. 2015 Aug;482:98-104. doi: 10.1016/j.virol.2015.03.011.

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De onde vieram os vírus, Dotô?

Atenção, o Dotô e o vírus da foto não são comunistas, socialistas, anarquistas ou capitalistas. O Dotô é virologista e o vírus é um vírus. Entendam que esta foto é apenas para ilustrar o post e não para apoiar uma forma de governo. O Dotô e o vírus da foto agradecem.

Oi Dotô, eu sempre tive uma dúvida: de onde vieram os vírus? Será que eles vieram do espaço? Foram trazidos pelos deuses astronautas? Ou foram criados pelos Illuminati para podem tomar conta do mundo? Será que os vírus foram feitos para acabar com a humanidade? Essas dúvidas me atormentam todos os dias. Você pode me ajudar?

Mas é claro, meu caro paciente. Eu posso “tentar” responder a sua dúvida. Eu digo “tentar”, pois ninguém sabe exatamente como os vírus apareceram. Mas existem várias hipóteses tentando responder a essa pergunta.

Antes de tudo, você tem que saber que as infecções virais têm sido relatadas há muito tempo. No entanto, a origem exata desses microrganismos ainda é desconhecida. O principal problema para se chegar à sua origem exata, é que não existem fósseis de vírus, pois as partículas virais são muito pequenas e frágeis para formar fósseis ou para a preservação das sequências de ácidos nucleicos em tecidos de plantas ou de insetos em âmbar. Assim, o estudo da origem dos vírus depende de vírus isolados no presente ou de material que tem, no máximo, algumas dezenas de anos de idade.

Uma das grandes dúvidas sobre a origem dos vírus é se os vírus vieram de apenas um ancestral em comum. Os vírus são muito antigos e o fato de infectarem todos os seres vivos indica que sua origem é anterior ao mais antigo ancestral comum universal (LUCA para os íntimos) de todos os seres vivos da Terra. Ou seja, os vírus podem ter aparecido antes do mais antigo ancestral de todos os seres vivos que existem atualmente na face da Terra.

Outro ponto que torna o estudo sobre a origem dos vírus extremamente complicado é o fato de não ser encontrado um gene em comum a todos os vírus, o que torna impossível construir uma árvore filogenética para se detalhar o parentesco entre os vírus. Assim, as teorias sobre a origem e evolução dos vírus são baseadas na análise comparativa de genomas virais tendo por base aproximações matemáticas.

Mesmo sendo difícil se detalhar o parentesco entre os vírus, provavelmente os primeiros vírus apareceram nos oceanos, pois se sabe que a maioria evoluiu junto das principais classes de organismos encontrados nos oceanos e que eles vieram para a superfície terrestre junto com seus hospedeiros quantos estes saíram dos oceanos e vieram para a superfície. Sabe-se, por exemplo, que a maioria dos vírus de plantas terrestres, provavelmente infectaram algas verdes há mais de 1 bilhão de anos atrás.

Considerando que os vírus tiveram muito tempo para evoluir junto com seus hospedeiros nos oceanos, eles se encontravam bem diferentes quando vieram para a superfície terrestre. Por exemplo, acredita-se que a maior parte dos vírus de vertebrados terrestres derivaram daqueles vírus que vieram à superfície terrestre com os primeiros vertebrados. Isso pode explicar porque vírus com diferentes tipos de hospedeiros são geralmente diferentes. Então, as bactérias e os eucariotas não compartilham o mesmo vírus, pois eles divergiram há muito tempo. Lógico que existem casos de vírus que conseguem infectar, por exemplo, artrópodes e mamíferos, como o vírus da Dengue. Mas essas adaptações ocorreram bem depois na história evolutiva desses agentes.

Dotô, depois de aprender que os vírus vieram dos oceanos junto com os seus hospedeiros, uma pergunta fica no ar: Como apareceram os vírus?

Na verdade, existem quatro hipóteses principais que tentam explicar o aparecimento do primeiro vírus: hipótese do vírus primeiro, hipótese da compartimentação, hipótese da regressão e hipótese do escape.

A hipótese do vírus-primeiro nasceu na década de 1920 e afirma que os vírus evoluíram de moléculas primitivas com propriedades autoreplicativas, juntamente com as células. Essa hipótese assume que os vírus existiram como as primeiras entidades replicantes em um mundo pré-celular. Através do tempo, começaram a aparecer outros individuos que se tornaram mais organizados, formando as células. Os vírus, puderam então parasitar essas novas células. Esta ideia é apoiada por evidências de que moléculas de RNA apresentam potencial de se multiplicar sem a ajuda de outros elementos.

Já a hipótese da compartimentação, fala que os vírus podem ter surgido como elementos que teriam a capacidade de se multiplicar sem a ajuda de outros elementos, mas tendo origem em compartimentos inorgânicos no ambiente. Esses compartimentos teriam fornecido isolamento e porosidade para a troca de moléculas que ajudariam a catalisar suas reações e ainda ajudariam como fonte de energia para suas reações. Agrupamentos de moléculas que se replicavam e cooperavam umas com as outras teriam dado origem a estas células, já as moléculas que se replicavam, mas não cooperavam, teriam parasitado as células, sendo os vírus que conhecemos atualmente. Contudo esta hipótese também acarreta alguns problemas: As temperaturas elevadas das fontes hidrotermais são incompatíveis com a estabilidade da molécula de RNA. Mas, nesse ano foi encontrado, em fontes hidrotermais, infectando a arqueobactéria Sulfolobus islandicus o vírus SIRV2. Esse vírus é extremamente resistente ao calor, desidratação e raios ultravioleta, o que poderia ser um ponto a favor dessa hipótese.

A terceira hipótese (hipótese de regressão), afirma que os vírus são restos de organismos celulares. Nela, se afirma que determinadas células, que parasitavam outras células (como, por exemplo, bactérias), começaram a perder uma boa parte de seus genes, regredindo, até o ponto em que só sobraram os genes responsáveis pela sua replicação. Assim, necessitariam somente de suas células hospedeiras para se replicar, ficando extremamente dependente delas. Essa hipótese é considerada ineficiente, pois não se conhece formas intermediárias entre vírus e células, mas existem vírus, como os vírus de DNA gigante (Mimivirus, por exemplo), que produzem enzimas virais sem o auxílio de seu hospedeiro, sendo um possível elo entre os vírus e as células.

A hipótese do escape (fuga ou progressão) diz que o vírus se originou através de um processo progressivo. Os elementos genéticos móveis (peças do material genético capazes de migrar de uma região do DNA para outra) ganharam a habilidade de sair de uma célula e entrar em outra. Com o passar do tempo, esses elementos evoluíram formando o capsídeo e novos genes que os possibilitaram usar o maquinário celular para se replicar.

Dentre todas as hipóteses, não parece que nenhuma consegue dar uma explicação clara para o aparecimento dos primeiros vírus. Todas as hipóteses apresentam problemas e parece difícil solucioná-los com o conhecimento que temos sobre a virologia atual. Além disso, a falta de fósseis virais para comprovar essas hipóteses dificulta muito o estudo da origem dos primeiros vírus. Por isso, mesmo que você simpatize com uma hipótese ou outra, não quer dizer que ela esteja certa. O estudo da origem dos vírus e da evolução viral ainda está caminhando. Mas, quem sabe, nos próximos anos o Dotô não escreva nessas páginas que foi descoberta a origem dos vírus? O Dotô espera por isso.

 

GLOSSÁRIO

Âmbar: Resina fóssil produzida pelos vegetais e que agiam como proteção contra a ação das bactérias e contra o ataque de insetos que perfuravam a casca até atingir o cerne das árvores. A resina que saía da madeira acaba por perder o ar e a água em seu interior, se polimerizando, formando assim uma resina endurecida e resistente ao tempo e à água. Os microorganismos podem ser encontrados em âmbar pois o âmbar protege o material desses individuos.

Eucariotas: Domínio taxonômico que inclui todos os seres vivos que possuem núcleo celular e várias organelas.

Illuminati: Denominação usada para se referir a sociedades secretas (históricas, modernas, reais ou fictícias) que controlaria os assuntos de diversos países secretamente, com os objetivos primários de unir o mundo sob uma espécie de tirania global.

Árvore filogenética: Representação em forma de árvore das relações evolutivas e de parentesco entre as diferentes espécies que possuem um ancestral comum.

Arqueobactérias: Domínio dos seres vivos relacionados com as bactérias. São organismos procariotas, quimiotróficos, que em geral sobrevivem em lugares extremos como fontes de água quente, lagos ou mares muito salinos, pântanos (onde produzem metano) e ambientes ricos em gás sulfídrico com altas temperaturas.

BIBLIOGRAFIA

Livros

Ryan F. Virolution: Collins; 2009.

Zimmer C. A planet of viruses. Chicago, USA: University Of Chicago Press; 2012.

Artigos

DiMaio, F., Yu, X., Rensen, E., Krupovic, M., Prangishvili, D., Egelman, E.H., 2015. Virology. A virus that infects a hyperthermophile encapsidates A-form DNA. Science 348, 914-917.

Koonin, E.V., Martin, W., 2005. On the origin of genomes and cells within inorganic compartments. Trends in genetics : TIG 21, 647-654.

Vídeo

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