Dotô, está aumentando o número de jovens com AIDS no Brasil?

Infelizmente sim. Uma doença que vinha diminuindo nos últimos anos, tanto pelo uso dos antivirais quanto pela conscientização de jovens e adultos, vem aumentando, e não é só no Brasil, mas no mundo todo.

Um relatório do Ministério da Saúde brasileiro que foi apresentado durante o lançamento da campanha de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids para o Carnaval 2015 entrevistou 12 mil pessoas entre 15 e 64 anos e teve resultados impressionantes. De um lado houve uma melhora no conhecimento dos brasileiros sobre a forma de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis como a AIDS e a sífilis. A pesquisa mostrou que 94% dos entrevistados conheciam a camisinha como melhor forma de prevenção contra essas doenças. Mas, essa melhora no conhecimento não importa muito quando não utilizada, não é mesmo? A mesma pesquisa mostra que, mesmo conhecendo a camisinha e os métodos de prevenção, 45% dos entrevistados não usaram camisinha em suas relações sexuais no último ano. É assustador imaginar o quanto isso pode representar em possíveis infecções causadas pelo vírus HIV.

Boa parte das infecções causadas pelo HIV vem ocorrendo em indivíduos jovens, pois estes estão entre o grupo que menos usa a camisinha, menos se previne e tem um número maior de parceiros sexuais. A mesma pesquisa chegou à conclusão de que o número de casos de AIDS aumentou 40% de 2006 até agora em todo país em jovens na faixa de 15 anos a 24 anos.

            Mas, se os jovens sabem do risco e sabem que devem usar camisinha, porque não a utilizam? Simplesmente porque os jovens estão cada vez mais tratando a AIDS como uma doença qualquer, “praticamente um resfriado”. A geração de jovens atual não passou pela época em que um grande número de pessoas morria pela doença e em que se infectar pelo vírus era considerado um atestado de morte. Hoje em dia, os jovens sabem que existe uma quantidade enorme de antirretrovirais (remédios que atuam diminuindo a quantidade de vírus HIV, mas não o curando) que tem menos efeitos colaterais do que os antivirais anteriores e aumentam significativamente o tempo de vida de um individuo infectado pela doença. O avanço da ciência, com o aumento de conhecimento sobre o vírus leva esses jovens a acreditarem que a ciência achará a cura para o vírus em pouco tempo e que por isso eles não precisam se preocupar e viver a vida loka.

            A intenção da campanha de carnaval de 2015 realizada pelo governo federal é informar aos jovens como se prevenir contra a AIDS, como usar camisinha, realizar o teste regularmente e, se o teste der resultado positivo começar o tratamento imediatamente. De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro: “Não adianta ter feito uma vez (o teste), deu negativo e está tudo bem. Assimilar como um hábito de vida, frequentemente fazer a testagem sorológica e, se der positivo, já tratar ainda que só tenha a infecção e não tenha a doença. Essa é uma mudança substantiva, porque antes se esperava a manifestação clínica da AIDS para iniciar o tratamento”. Para se fazer o teste não é complicado e é de graça em mais de 500 CTAs (Centros de Testagem e Acompanhamento). Além disso, o governo está trabalhando junto com as prefeituras para que o teste rápido contra o vírus possa ser realizado em todas as unidades básicas de saúde, diminuindo assim o tempo de espera para sair o resultado.

            Então vamos pensar um pouco. O carnaval é legal, se divertir é legal, se fantasiar de Dotô é legal (ano que vem venderemos a fantasia do Dotô para todos), beijar na boca é legal. Mas não usar camisinha não é legal, você pode achar que aquela menina “gata” ou aquele menino lindo é “limpinho”(a) e que não está doente, mas não tem como saber, você não vai conseguir encontrar o vírus nem se vocês estiverem sozinhos em um quarto e você estiver com uma lanterna e uma lupa. O vírus infecta a todos, sem distinção (lógico que tem um grupo de pessoas que não se infectam pelo vírus, mas é uma porcentagem muito pequena) e, por isso, pode acabar com seu estilo de vida e com sua vida em pouco tempo. Por isso, divirta-se no carnaval. Mas divirta-se com consciência e use camisinha sempre.

Agora para alegrar o carnaval, vamos ouvir 1 hora de marchinhas….”O teu cabelo não nega, mulata. Porque és mulata na cor…”

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