Dotô, eu preciso dar vacina contra sarampo para o meu bebê?

Imagem1

Sim, cara(o) mãe/pai! Tomar a vacina contra o sarampo é super importante e a dose deve ser administrada quando o seu bebê completar 12 meses.

A vacina tríplice viral protege contra os vírus do sarampo, da rubéola e da caxumba. O Ministério da Saúde também disponibiliza a vacina tetra viral. Essa vacina, além dos três vírus da vacina tríplice viral também tem mais uma proteção, contra o vírus da catapora (varicela). Ela deve ser tomada aos 15 meses de idade.

Você pode ter feito essa pergunta por que foi divulgado na mídia em 2016 que todos os países da região das Américas: América do Norte, América Central e a América do Sul (claro que o Brasil está incluído) estão livres do sarampo. Isso mesmo…
Conseguimos essa vitória graças aos esforços por muitos anos para que todas as crianças tomassem a vacina contra o sarampo.

A gravidade do sarampo deixou de ser evidente graças à vacinação. Devido à drástica redução dos casos, muitas pessoas pensam que o sarampo é uma doença “boba da infância”, simples de ser tratada e que não colocam as crianças em risco. Está muito enganado quem pensa desse jeito!

O sarampo pode levar a problemas sérios de saúde, como pneumonia, cegueira, diarreia, e mais raramente a uma complicação no cérebro. O tratamento dessa infecção no sistema nervoso central é tão complicado como falar o nome dela, é chamada de panencefalite subaguda esclerosante. Quem tem mais de 49 anos e viveu antes da vacinação contra o sarampo deve ter visto todo o estrago, quantas mortes essa doença já causou e ainda causa em alguns países.

O sarampo é tão grave e contagioso que todos os países se comprometeram com a Organização Mundial da Saúde de controlar essa doença. Porém ainda há muitos países onde o vírus do sarampo está presente no ar, circulando e “passeando para lá e para cá, fazendo a festa quando encontra alguém que não tem proteção contra ele”, causando surtos e epidemias.

Apesar da disponibilidade de uma vacina eficaz por mais de 5 décadas, o vírus do sarampo ainda acomete cerca de 20 milhões de pessoas em todo o mundo, levando a óbito mais de 115 mil pessoas, anualmente.

Em países desenvolvidos, o acesso aos cuidados médicos é mais fácil. E a gravidade do sarampo, como falado antes, não é mais tão reconhecida pela população. Então alguns responsáveis deixaram de dar a vacina contra o sarampo para os seus filhos por medo de reações adversas, questões filosóficas e religiosas ou por pensar que a doença natural é mais saudável.

No Brasil, geralmente, a não administração da vacina ocorre por problemas sociais, como o responsável pela criança (por motivo de trabalho) não ter tempo de levá-la até o posto de saúde.

Em diversos países, principalmente países da Ásia e da África, o sarampo até os dias de hoje mata muito. Crianças que não tem acesso aos serviços básicos de saúde, a vacinação e uma alimentação adequada estão mais vulneráveis as complicações ocasionadas pela doença. Ultimamente, têm ocorrido surtos de sarampo em vários países incluindo alguns países da Europa.

Aqui no Brasil, os últimos surtos ocorreram em 2013 a 2015 no nordeste, nos estados do Ceará e de Pernambuco. No estado do Ceará 27 dos 184 municípios tiveram a cobertura vacinal baixa. É necessário que a cobertura vacinal da população esteja acima de 95% em todos os bairros, municípios, cidades e estados do país para que não ocorram surtos.

 Você sabia que o vírus do sarampo é transmitido pela respiração?

As gotinhas jogadas para fora quando uma pessoa com sarampo fala, tosse ou espirra e respiradas por pessoas próximas que não tenham proteção contra o sarampo podem se contaminar com o vírus. Pensa comigo, ainda existem lugares que tem o vírus circulando e também as pessoas vivem viajando, inclusive para outros países. Quem vai garantir que uma pessoa com o vírus do sarampo e que não está doente não vai embarcar num avião com tosse, espirro e espalhar o vírus pelo ar?

O período de maior transmissibilidade ocorre nos dois dias antes e depois do aparecimento das manchas na pele (exantema). Outra possibilidade são pessoas não vacinadas viajarem e se infectarem com o sarampo, voltando para o lugar onde residem e espalhando a doença. Ao trazer o vírus do sarampo consigo, nesse caso, a pessoa será “o mala” da história.

Então… Se as crianças deixarem de tomar a vacina, os casos de sarampo voltarão a explodir. Basta ter pessoas susceptíveis para ocorrer surtos.  Assim, proteja o seu filho levando-o até o posto de saúde para a vacinação. Com a vacina ele não precisará adoecer para estar protegido.

 A vacinação é responsabilidade de todos para construir uma barreira de proteção e assim manter as crianças livres do sarampo.

Pense nisso e faça seu papel como cidadão brasileiro e pela saúde de nossas crianças. Elas agradecem!

GLOSSÁRIO:

Epidemia: É a ocorrência de surtos de uma determinada doença em diversos locais num mesmo período de tempo.

Exantema: É o aparecimento de erupções cutâneas vermelhas no corpo causadas por infecções ou efeito colateral de medicamentos.

Panencefalite subaguda esclerosante: É uma doença inflamatória, neurodegenerativa, rara e crônica

Surto: Aumento no número de casos além da normalidade. Às vezes, um ou dois casos podem ser considerados um surto em lugares onde não ocorre determinada doença.

REFERÊNCIAS:

Castillo-Solorzano, C., C. Marsigli, M. C. Danovaro-Holliday, C. Ruiz-Matus, G. Tambini and J. K. Andrus (2011). “Measles and rubella elimination initiatives in the Americas: lessons learned and best practices.” J Infect Dis 204 Suppl 1: S279-283.

Leite, R. D., J. L. Barreto and A. Q. Sousa (2015). “Measles Reemergence in Ceará, Northeast Brazil, 15 Years after Elimination.” Emerg Infect Dis 21(9): 1681-1683.

MEASLES & RUBELLA INICIATIVE, 2016. Read the World Health Organization’s Progress Toward regional measles elimination Disponível em: < http://measlesrubellainitiative.org/learn/the-impact/mortality-reduction/. Acesso: 23 set. 2016

MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016. O Brasil recebe o certificado de eliminação do sarampo. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/25846-brasil-recebe-certificado-de-eliminacao-do-sarampo. Acesso: 01 out. 2016]

Secretaria de Vigilância em Saúde, 2014. Guia de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília; 2014, 812 p.

PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES. Disponível em : http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/. Acesso: 17 nov. 2016.

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pelo aluna de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Suelen Soares, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e DraRenata Carvalho de Oliveira.

Anúncios

Dotô, eu preciso tomar vacina da gripe todo ano?

gripe

Imagem disponível em: c1.staticflickr.com/9/8807/17909756242_ee4e829310_b.jpg

A gripe é uma doença causada pelo vírus influenza, que pode ser prevenida anualmente através da vacina anti-influenza. Embora qualquer pessoa, a partir de seis meses de idade, possa tomar a vacina, apenas alguns grupos têm direito a vacina gratuitamente na rede pública de saúde. Isso porque a intenção da vacina não é evitar ou até mesmo eliminar a doença como, por exemplo, as vacinas da poliomielite ou do sarampo. O objetivo da vacinação contra o vírus influenza é reduzir a morbidade e a mortalidade nas populações que têm maior chance de desenvolver a forma mais grave da doença.

Os grupos prioritários a serem vacinados de acordo com recomendações do Ministério da Saúde são:

Crianças de 6 meses a menores de 5 anos;
Gestantes;
Puérperas;
Trabalhador de saúde;
Povos indígenas;
Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
População privada de liberdade;
Funcionários do sistema prisional;
Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis;
Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).
Fonte: Portal da Saúde – Ministério da Saúde

A gripe pode ser causada pelos vírus influenza A (subtipos H1N1pdm09 ou H3N2) e pelo vírus influenza B. A vacina anti-influenza protege para todos esses vírus e anualmente a OMS (Organização Mundial da Saúde) reune-se para que, com base em relatórios dos países do Hemisfério Sul reportando quais cepas virais irão circular no inverno de cada uma das regiões, possa recomendar quais serão as cepas vacinais que irão compor a vacina do ano seguinte.

Mas Dotô, por que tem que tomar a vacina todos os anos?

Porque os vírus influenza possuem uma taxa de mutação muito alta, isso significa dizer que o vírus pode mudar muito de um ano para o outro, sendo assim a vacina do ano anterior pode não proteger para o vírus que circula no ano seguinte. Além disso, algumas pesquisas científicas mostram que a imunidade contra o vírus dura entre seis meses a um ano, reforçando a necessidade de uma nova dose da vacina a cada ano.

Então, se você faz parte de algum grupo prioritário, deve tomar a vacina anti-influenza todos os anos sim, preferencialmente entre os meses de abril a junho quando o vírus, normalmente, começa a circular no Brasil.

Muitos cientistas estudam uma forma de produzir uma vacina universal que proteja de forma mais duradoura contra qualquer tipo de vírus influenza, porém esses estudos ainda não mostraram nenhum candidato à vacina eficaz.

Caso você tenha curiosidade sobre a produção da vacina anti-influenza, veja no link abaixo um vídeo abaixo mostrando como o Instituto Butantan fabrica a vacina:
Como é feita a vacina da gripe?

 

GLOSSÁRIO

Morbidade: número de pessoas doentes com relação a uma doença e uma população.
Puérpera: mulher que acabou de parir.
Trissomias: presença de um cromossomo extra
Cepa viral: vírus de uma determinada espécie viral que já foi caracterizado fenotipicamente e/ou genotipicamente.

REFERÊNCIAS:

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Influenza.  2016.  Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/influenza >.  Acesso em: 13 de novembro de 2016.

SIQUEIRA, M. M.  et al. Influenza. In: COURA, J. R. (Ed.). Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, v.2, 2013. cap. 161, p.1855-1872.  (Doenças produzidas por vírus). ISBN 9788527710947.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Health topics. Influenza.  2016.  Disponível em: < http://www.who.int/topics/influenza/en/ >. Acesso em: 13 de novembro de 2016. (página em inglês)

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pelo alun de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Priscila Born, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e Dra Renata Carvalho de Oliveira.

 

 

Dotô, vacino ou não meu filho contra o HPV?

vacina-luana

Fonte: autoria de Luana Lorena Silva Rodrigues

O Ministério da Saúde anunciou no dia 11 de outubro de 2016 que meninos de 12 e 13 anos também serão incluídos no público-alvo de vacinação contra o HPV a partir de 2017. Desde a implantação em 2014, até o ano de 2016, a vacina quadrivalente contra o HPV (Papilomavírus humano) foi destinada a meninas de 9 a 13 anos e para mulheres que vivem com HIV (Vírus da imunodeficiência humana) de 9 a 26 anos pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) no Sistema Único de Saúde (SUS). Diante das  novidades algumas perguntas sobre as principais  dúvidas são apresentadas a seguir.

Pergunta: Para começo de conversa a vacina contra o HPV pode causar eventos adversos? Quais?

Dotô: Sim. O evento adverso mais comum é a dor, inchaço ou vermelhidão no local da aplicação da vacina. Há também relatos de febre, dor de cabeça, náusea, tonturas, vômito e desmaios associados a distúrbio psicogênico. Eventos adversos mais graves foram relacionados a doenças- autoimune, como síndrome de Guillain-Barré. Entretanto, a ocorrência dos eventos adversos graves foi rara e ainda não comprovada, porque alguns estudos científicos sugerem a relação, enquanto outros não.

Pergunta: Não entendi, o que é distúrbio psicogênico?

Dotô: Distúrbio psicogênico ou doença psicogênica é um conjunto de sintomas relacionados a transtornos psíquicos, isto é, alteração que ocorre no campo mental e comportamental de uma pessoa. Desmaio, dores, taquicardia e fibromialgia têm sido descritos isoladamente após a vacinação contra o HPV. Alguns estudos levantam a hipótese de que o alumínio (um componente da vacina) é o responsável por ocasionar esses eventos e que algumas pessoas são mais propensas. Em contrapartida, outros especialistas afirmam que o distúrbio psicogênico é um evento adverso comum em resposta a qualquer vacinação, não sendo exclusivo da vacina HPV e que ocorre principalmente entre adolescentes e que as tentativas de relacionar essas síndromes com a vacinação não têm base científica ainda comprovada.

Pergunta: Mas se a vacina contra o HPV causa evento adverso porque é considerada segura?

Dotô: As principais autoridades em saúde e reguladoras do mundo monitoram continuadamente a segurança da vacina HPV. Na ONU (Organização das Nações Unidas), por exemplo, isso ocorre através de um comitê de especialistas. Com a recomendação de que todos os eventos adversos sejam minunciosamente avaliados para se confirmar a causalidade, é importante frisar que a ocorrência de casos graves é raro, inferior a 0,1% e que a vacina HPV deve ser ministrada em virtude dos benefícios. No entanto, casos de pessoas com história de doença autoimune devem ser criteriosamente avaliados por médico, considerando o maior o risco de eventos adversos graves.

Pergunta: Porque tomar uma vacina que não protege contra todos os tipos de HPV…

Dotô: A Gardasil® é uma vacina que protege contra os quatro tipos do HPV que mais causam doenças nas pessoas. O HPV-6 e HPV-11 são os que mais causam verrugas em mucosas e o HPV-16 e HPV-18 podem causar lesões que podem evoluir para câncer. A infecção persistente pelo HPV é associada aos carcinomas anogenitais, de cabeça e pescoço. O HPV-16 e HPV-18 são identificados em 70% dos casos de câncer do colo do útero, 75,6% dos casos de câncer anal, 47,3% de câncer de vagina e 20,9% de câncer de vulva.

Pergunta: Se as meninas já estão sendo vacinadas, porque vacinar os meninos?

Dotô: Os meninos assim como as meninas podem se infectar e desenvolver manifestações clínicas associadas à infecção pelo HPV. Dificilmente uma campanha de vacinação atinge uma cobertura de 100%. Então, pode ser que no futuro ocorra algum contato sexual de homens com mulheres não vacinadas. Sem falar no contato sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Pergunta: Ok Dotô…mas se a contaminação pelo HPV se dá pelo contato sexual porque vou vacinar minha filha e meu filho que ainda são muito jovens e não têm vida sexual?

Dotô: Justamente porque a vacinação deve ser antes do contato com o HPV, que frequentemente ocorre com o início da vida sexual. Além disso, a vacina induz a produção de anticorpos mais eficiente em pré-adolescentes do que em adolescentes e mulheres jovens. O contato sexual é a principal forma de infecção pelo HPV, mas existem outras possibilidades menos comum, como durante o parto se a mãe estiver infectada e pelo compartilhamento de objetos de uso pessoal contaminados. É importante ter o entendimento de que a vacina contra o HPV proporciona benefícios a curto, médio e longo prazo. Após a vacinação, o seu filho ou filha estará imune aos quatro tipos de HPV que a vacina protege. No futuro, ainda que bem distante, seu filho ou filha ao iniciar a vida sexual estará protegido contra verrugas genitais, lesões pré-câncer e o câncer associado à infecção pelo HPV.

Pergunta: Como vou explicar para uma criança de 9 anos que essa vacina vai protegê-la contra um vírus que causa uma IST (infecção sexualmente transmitida)?

Dotô: A principal preocupação com a infecção pelo HPV é o câncer. A relação de diálogo estabelecida entre pais e filhos é algo muito particular de cada família. Uma sugestão é que você contextualize que o grande problema da infecção pelo HPV é o desenvolvimento de câncer, uma doença que ocorre na maior parte dos casos em adultos. Causado por diferentes agentes, o câncer está associado, entre diferentes fatores, com o uso do tabaco, fatores genéticos e agentes infecciosos, como no caso do câncer do colo do útero, que está associado com a infecção pelo HPV, demonstrando, assim, a importância da vacinação.

Por fim é preciso na fase na qual a criança se torna pré-adolescente/adolescente que, com muito diálogo em um ambiente de confiança, os pais esclareçam que infecções sexualmente transmissíveis (IST) são causadas por diversos microrganismos e que a vacina só protege contra um deles, o HPV. Por isso deve-se usar o preservativo nas relações sexuais sempre.

Pergunta: A vacina contra HPV disponibilizada no SUS é a mesma de clínicas particulares?

Dotô: Sim, é a mesma. A vacina disponibilizada no SUS é a quadrivalente Gardasil® que protege contra os tipos HPV-6, HPV-11, HPV-16 e HPV-18. Nas clínicas particulares pode-se encontrar tanto a quadrivalente Gardasil® quanto a bivalente Cervarix® que protege contra o HPV-16 e HPV-18. No SUS são duas doses com um intervalo de seis meses.

É isso pessoal, espero ter esclarecido algumas dúvidas. Consulte o glossário de termos se tiver dúvida sobre alguma palavra mencionada.

GLOSSÁRIO:

Vacina quadrivalente: aquela que protege contra quatro tipos do vírus, HPV-6, HPV-11, HPV-16 e HPV-18.

Vacina bivalente: aquela que protege contra dois tipos do vírus, HPV-16 e HPV-18.

Distúrbio psicogênico ou doença psicogênica: está relacionado a doenças causadas por transtornos psíquicos. Isto é, relacionado a distúrbio que ocorre no campo mental e comportamental de uma pessoa.

Prognóstico: Avaliação baseada no diagnóstico de uma possível doença, se pautando em dados reais, indica o que poderá acontecer.

Síndrome de dor regional complexa: é uma condição crônica e dolorosa, afetando apenas um membro que normalmente segue um episódio de trauma ou imobilização.

Síndrome de taquicardia ortostática postural: é caracterizada por um aumento anormal da frequência cardíaca quando muda-se de uma posição horizontal para uma posição vertical, o que pode causar desmaio de curta duração.

Frequência cardíaca: quantidade de vezes que o coração bate por minuto. O valor depende da idade, atividades físicas ou doenças cardíacas.

Fibromialgia: é caracterizada por dor muscular generalizada no corpo acompanhada de sintomas de fadiga, e alterações de sono, memória e humor. É uma das doenças reumatológicas mais frequentes.

Doenças auto-imunes: Doença que ocorre com uma falha no sistema imunológico levando ataque e destruição de tecidos saudáveis do corpo por engano.

Síndrome de Guillain-Barré: Doença auto-imune caracterizada por uma inflamação aguda causada por auto-anticorpos contra sua própria mielina (membrana de lipídios e proteína que envolve os nervos e facilita a transmissão do estímulo nervoso) dos nervos periféricos e às vezes de raízes nervosas proximais e de nervos cranianos (nervos que emergem de uma parte do cérebro chamada tronco cerebral e suprem às funções específicas da cabeça, região do pescoço e vísceras).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BOGAZ, Camila; AMORIM, Ana Cláudia. Portal Saude. Ministério da Saúde. Imunização. Meninos também serão vacinados contra HPV. Disponível em: < http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/25953-meninos-tambem-serao-vacinados-contra-hpv&gt; Acesso em 11 de nov de 2016.

Bruni L, Barrionuevo-Rosas L, Albero G, Serrano B, Mena M, Gómez D, Muñoz J, Bosch FX, De Sanjosé S. ICO Information Centre on HPV and Cancer (HPV Information Centre). Human Papillomavirus and Related Diseases in the World. Summary Report 7 October 2016. Acesso em 11 de nov de 2016.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Genital HPV Infection – Fact Sheet. Disponível em: <http://www.cdc.gov/std/hpv/stdfact-hpv.htm&gt; Acesso em 11 de nov de 2016.

Kash N, Lee MA, Kollipara R, Downing C, Guidry J, Tyring SK. Safety and Efficacy Data on Vaccines and Immunization to Human Papillomavirus. J Clin Med. 2015 Apr 3;4(4):614-33. doi: 10.3390/jcm4040614. PubMed PMID: 26239350; PubMed Centrar PMCID: PMC4470159.

LARSON H. The world must accept that the HPV vaccine is safe. Nature, 528(7580):9. doi: 10.1038/528009a. PMID: 26632553.

Martínez-Lavín M, Martínez-Martínez LA, Reyes-Loyola P. HPV vaccination syndrome. A questionnaire-based study. Clin Rheumatol. 2015 Nov;34(11):1981-3. doi: 10.1007/s10067-015-3070-3. PMID: 26354426.

MARTÍNEZ-LAVIN M. Re: Proposed HPV vaccination syndrome is unsubstantiated. Clin Rheumatol. 2016 Mar;35(3):835-6; discussion 837-8. doi: 10.1007/s10067-015-3118-4. PMID: 26576761.

Nicol AF, de Andrade CV, Russomano FB, Rodrigues LS, Oliveira NS, Provance DW Jr, Nuovo GJ. HPV vaccines: their pathology-based discovery, benefits, and adverse effects. Ann Diagn Pathol. 2015 Dec;19(6):418-22. doi: 10.1016/j.anndiagpath.2015.07.008. PMID: 26321154.

Ojha RP, Jackson BE, Tota JE, Offutt-Powell TN, Singh KP, Bae S. Guillain-Barre syndrome following quadrivalent human papillomavirus vaccination among vaccine-eligible individuals in the United States. Hum Vaccin Immunother. 2014;10(1):232-7. doi: 10.4161/hv.26292. PubMed PMID: 24013368; PubMed Centrar PMCID: PMC4181024

PETOUSIS-HARRIS H. Proposed HPV vaccination syndrome is unsubstantiated. Clin Rheumatol. 2016 Mar;35(3):833-4. doi: 10.1007/s10067-015-3090-z. PMID: 26490038.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Human papillomavirus (HPV) and cervical cancer. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs380/en/&gt; Acesso em 12 de nov de 2016.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Safety of HPV vaccines. Disponível em: <http://www.who.int/vaccine_safety/committee/topics/hpv/Dec_2015/en/&gt; Acesso em 12 de nov de 2016.

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a
fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pela aluna de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Luana Lorena Silva Rodrigues, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e Dra Renata Carvalho de Oliveira.

 

Dotô, eu posso ter hepatite mesmo depois de vacinado?

hepatite

 

Sim, é possível! A hepatite é uma inflamação que acontece no fígado e pode ter diversas causas. Entre elas estão as hepatites A e B (que possuem vacina) e a D (que é prevenida de forma indireta pela vacina da hepatite B). No entanto, diversos outros agentes (infecciosos ou não) podem causar os mesmos sinais e sintomas e alguns deles não podem ser prevenidos através de vacinação. Vamos falar de alguns deles.

Entre os vírus existem cinco tipos principais que causam a doença. Além dos três que já foram citados anteriormente, há também os causadores das hepatites C e E. Entretanto, apesar de não ser o quadro clínico mais comum, existem casos relatados de hepatite que surgiram após infecções pelos vírus da dengue e herpesvírus, por exemplo.

Em relação às bactérias, a literatura científica mostra grande importância dos casos associados à sífilis e à leptospirose, porém outras bactérias também já foram relacionadas à doença. Entre parasitas também já foi observado a possibilidade de dano no fígado causado durante a evolução de fasciolose, malária e toxoplasmose. O mesmo também foi relatado para algumas espécies de fungos capazes de causar doenças em seres humanos.

E como se não bastassem todas estas possibilidades, existem outros agentes não infecciosos que podem induzir quadros de hepatite. Entre essas causas destacam-se o álcool, uso de medicamentos (especialmente anti-inflamatórios e anabolizantes), consumo de drogas, cânceres, doenças autoimunes, entre outros.

– Mas Dotô, é possível que eu tenha hepatite A ou B depois da vacina?

Também pode acontecer, apesar de ser bastante incomum. A recomendação de muitos cientistas é que fossem feitas duas doses de vacina contra hepatite A, porém no Brasil há apenas uma dose garantida no programa nacional de imunização (PNI). Neste esquema de dose única a maior parte das pessoas já consegue produzir anticorpos e ficar protegida contra o vírus, mas não são todas. Portanto, é possível que algumas pessoas, mesmo vacinadas, estejam descobertas e venham a desenvolver a doença caso entrem em contato com o vírus posteriormente. Além disso, a vacina contra hepatite A foi disponibilizada gratuitamente à população apenas em 2014, e somente para crianças de 1 ano até 2 anos incompletos. Isto faz com que a atual população de mais idade não possa ser protegida através da vacinação.

Em relação ao vírus da hepatite B, o pensamento é diferente. As doses oferecidas pelo SUS são suficientes, porém existem alguns indivíduos que, por particularidades de seus sistemas imunológicos, não conseguem responder à vacina e produzir anticorpos mesmo se forem ofertadas doses extras de reforço. Este problema é mais comum em pacientes que tenham algumas doenças de base como hepatite C, diabetes ou insuficiência renal crônica, mas também pode ocorrer na população em geral.

Portanto, caso você tenha desenvolvido hepatite, tente sempre investigar qual foi a causa, pois dificilmente estará acontecendo falha vacinal. No entanto, mesmo que exista a possibilidade de a vacina não ser totalmente eficaz, lembramos que é sempre importante recorrer à imunização, pois ao longo da história a quantidade de exemplos de sucessos foram extremamente superiores aos fracassos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COURA, José Rodrigues. Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

CZAJA, A. J. Diagnosis and Management of Autoimmune Hepatitis: Current Status and Future Directions. Gut Liver, v. 10, n. 2, p. 177-203, Mar 2016. ISSN 2005-1212. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26934884 >.

FOCCACIA, R. Tratado de infectologia. VERONESI, R.: Editora Atheneu 1: 493-683 p. 2015.

MORAES, J. C.; LUNA, E. J.; GRIMALDI, R. A. Immunogenicity of the Brazilian hepatitis B vaccine in adults. Rev Saude Publica, v. 44, n. 2, p. 353-9, Apr 2010. ISSN 1518-8787. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20339636 >.

NIH. LiverTox – Clinical and research information on drug-induced liver injury.  2016.  Disponível em: < https://livertox.nlm.nih.gov/ >. Acesso em: 21/10/2016.

SAÚDE, M. D. Programa Nacional de Imunizações.  2016.  Disponível em: < http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/ >. Acesso em: 20/10/2016.

SINGH, A. E.  et al. Factors associated with vaccine failure and vertical transmission of hepatitis B among a cohort of Canadian mothers and infants. J Viral Hepat, v. 18, n. 7, p. 468-73, Jul 2011. ISSN 1365-2893. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20546502 >.

ZHANG, X.  et al. Comparison of immune persistence among inactivated and live attenuated hepatitis a vaccines 2 years after a single dose. Hum Vaccin Immunother, v. 12, n. 9, p. 2322-6, Sep 2016. ISSN 2164-554X. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27494260 >.

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pelo aluno de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Derick Mendes Bandeira, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e Dra Renata Carvalho de Oliveira.

 

 

Dotô, me falaram que a Africa está livre do ebola, é verdade?

Por enquanto não, caro paciente. Mas, temos novidades vindas da África Ocidental. A Libéria, por enquanto, parece estar no caminho para se livrar definitivamente do ebola. Até o dia 8 de março a Libéria não notificou novos casos por duas semanas consecutivas. Isso é um avanço, principalmente em um país que vem sofrendo com essa epidemia de ebola há tanto tempo (os primeiros casos na África Ocidental começaram a ser notificados em março de 2014). Mas, como os vírus são imprevisíveis, tudo pode acontecer. A Organização Mundial de Saúde (OMS) só dará o veredicto de que a África estará livre do ebola quando os três países estiverem livres da doença. É necessário prestar atenção, também, pois a movimentação de pessoas nessa região pode causar mais surtos na Libéria. Nesse gráfico podemos observar todos os casos confirmados (em azul) e os locais em que continuam a ocorrer casos nas últimas semanas (bolas amarelas). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), Guiné e Serra Leoa continuam tendo casos até hoje, mas há uma tendência à queda no aparecimento de novos casos.   ebola março nova   Distribuição de casos confirmados de ebola na África Ocidental: totais e novos. Fonte: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/155082/1/roadmapsitrep_11March2015_eng.pdf?ua=1&ua=1. Desde o início do surto em 2014, foram notificados 24.282 casos (incluindo casos suspeitos, prováveis e confirmados), com 9.976 mortes. Na semana de 8 de março, foram confirmados somente 116 casos novos de Ebola, 58 em Serra Leoa e 58 em Guiné. Mas e a vacina Dotô, quando estará disponível para a população? Em fevereiro de 2015, a OMS aprovou duas vacinas para serem testadas em voluntários na África Ocidental. Uma das vacinas foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) em parceria com a GlaxoSmithKline (GSK). A outra vacina foi desenvolvida pela empresa de biotecnologia NewLink Genetics em parceria com a Merck. Os ensaios clínicos que começaram na Libéria conseguiram realizar a primeira fase de testes, responsável por avaliar a segurança da vacina. Porém, não puderam continuar, pois não ocorreram novos casos nas duas últimas semanas naquela região. Segundo o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), “Precisamos ter certeza de que escolhemos uma população que ainda está em risco de infecção pelo vírus Ebola para que possamos mostrar o efeito protetor de uma ou de ambas as vacinas.” Por esse motivo, os estudos foram transferidos para Guiné e começaram dia 07 de março. O receio para o desenvolvimento dos testes clínicos da vacina é que a epidemia possa acabar, e os ensaios tenham que ser interrompidos. Aguardemos as próximas notícias! Mas e outras alternativas, Dotô? Existe algum tratamento sendo testado? Outro tratamento, utilizando RNA de interferência (RNAi), também começou a ser testado em humanos, em Serra Leoa. Produzido pela empresa canadense Tekmira Pharmaceuticals e chamado de TKM-Ebola, consiste em RNAi sintéticos recobertos por nanopartículas lipídicas, que possuem a capacidade de bloquear a replicação do vírus. O TKM-Ebola funcionou em macacos e seus ensaios de eficácia ainda estão começando também. Outra terapia alternativa para tratamento é o ZMapp, desenvolvido pela Mapp Biopharmaceutical Inc, que usa três anticorpos monoclonais humanizados diferentes, produzidos contra uma glicoproteína de superfície do vírus Ebola Zaire em plantas de tabaco (Nicotiana benthamiana) para combater a doença. Os ensaios clínicos começaram a ser testados em adultos e crianças infectadas na Libéria no final de fevereiro. O ensaio clínico está disponível na internet em: https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02363322 Vale a pena lembrar que o ZMapp já havia sido testado em dois profissionais de saúde norte-americanos infectados, porém os ensaios clínicos só tinham sido feitos em primatas. Você lembra do Kent Brantly e  Nancy Writebol, que foram tratados e sobreviveram? O artigo sobre esses dois casos até foi publicado em uma revista inglesa, chamada The New England Journal of Medicine, mas o próprio autor afirma que não há como concluir o quanto ou se o ZMapp influenciou na sua sobrevivência, pois não houve um controle no estudo. Agora, com a possibilidade do início do estudo em humanos em um ensaio randomizado e com grupos controles, poderemos realmente ver a eficácia e segurança do uso do ZMapp nos indivíduos infectados. Um profissional de saúde voluntário que se infectou em Serra Leoa foi transferido para o NIH para ser tratado. Além dele, outros dez profissionais de saúde estão sob suspeita e também foram enviados para o NIH, por entrarem em contato com o profissional infectado. Agora que os ensaios clínicos se iniciaram, o profissional infectado poderia ser incluído, caso estivesse dentro dos critérios de inclusão, nos ensaios clínicos do ZMapp. Será? Aguardem as cenas do próximo capítulo!

GLOSSÁRIO:

Instituto Nacional de Saúde (NIH) : Agência de pesquisa médica nacional, que inclui 27 Institutos e Centros e faz parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. É a principal agência federal que conduz e apoia a pesquisa médica básica, clínica e translacional, além de investigar as causas, tratamentos e curas para doenças raras e comuns.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

National Institutes of Health. Liberia-U.S. clinical research partnership opens trial to test Ebola treatments. Disponível em: http://www.nih.gov/news/health/feb2015/niaid-27.htm. Acessado em 15/03/2015 National Institutes of Health. Ebola Vaccine Trial Opens in Liberia. Disponível em: http://www.nih.gov/news/health/feb2015/niaid-02.htm. Acessado em 15/03/2015 Word Health Organization. Ebola Situation Report – 11 March 2015. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/155082/1/roadmapsitrep_11March2015_eng.pdf?ua=1&ua=1. Acessado em 15/03/2015 Time. Lack of Ebola Cases Shifts Vaccine Trials Away From Liberia. Disponível em: http://time.com/3743945/ebola-vaccine-trials/. Acessado em 15/03/2015. The New England Journal of Medicine. Clinical Care of Two Patients with Ebola Virus Disease in the United States. Disponível em: http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa1409838. Acessado em 16/03/2015. Link de vídeo para a reflexão sobre o ebola, falando sobre as pessoas que lutam no combate ao ebola e a realidade vivenciada pela população, um exemplo para nós. O vídeo está em inglês: Lutadores contra o ebola na África Ocidental

 É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Dotô, está aumentando o número de jovens com AIDS no Brasil?

Infelizmente sim. Uma doença que vinha diminuindo nos últimos anos, tanto pelo uso dos antivirais quanto pela conscientização de jovens e adultos, vem aumentando, e não é só no Brasil, mas no mundo todo.

Um relatório do Ministério da Saúde brasileiro que foi apresentado durante o lançamento da campanha de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids para o Carnaval 2015 entrevistou 12 mil pessoas entre 15 e 64 anos e teve resultados impressionantes. De um lado houve uma melhora no conhecimento dos brasileiros sobre a forma de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis como a AIDS e a sífilis. A pesquisa mostrou que 94% dos entrevistados conheciam a camisinha como melhor forma de prevenção contra essas doenças. Mas, essa melhora no conhecimento não importa muito quando não utilizada, não é mesmo? A mesma pesquisa mostra que, mesmo conhecendo a camisinha e os métodos de prevenção, 45% dos entrevistados não usaram camisinha em suas relações sexuais no último ano. É assustador imaginar o quanto isso pode representar em possíveis infecções causadas pelo vírus HIV.

Boa parte das infecções causadas pelo HIV vem ocorrendo em indivíduos jovens, pois estes estão entre o grupo que menos usa a camisinha, menos se previne e tem um número maior de parceiros sexuais. A mesma pesquisa chegou à conclusão de que o número de casos de AIDS aumentou 40% de 2006 até agora em todo país em jovens na faixa de 15 anos a 24 anos.

            Mas, se os jovens sabem do risco e sabem que devem usar camisinha, porque não a utilizam? Simplesmente porque os jovens estão cada vez mais tratando a AIDS como uma doença qualquer, “praticamente um resfriado”. A geração de jovens atual não passou pela época em que um grande número de pessoas morria pela doença e em que se infectar pelo vírus era considerado um atestado de morte. Hoje em dia, os jovens sabem que existe uma quantidade enorme de antirretrovirais (remédios que atuam diminuindo a quantidade de vírus HIV, mas não o curando) que tem menos efeitos colaterais do que os antivirais anteriores e aumentam significativamente o tempo de vida de um individuo infectado pela doença. O avanço da ciência, com o aumento de conhecimento sobre o vírus leva esses jovens a acreditarem que a ciência achará a cura para o vírus em pouco tempo e que por isso eles não precisam se preocupar e viver a vida loka.

            A intenção da campanha de carnaval de 2015 realizada pelo governo federal é informar aos jovens como se prevenir contra a AIDS, como usar camisinha, realizar o teste regularmente e, se o teste der resultado positivo começar o tratamento imediatamente. De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro: “Não adianta ter feito uma vez (o teste), deu negativo e está tudo bem. Assimilar como um hábito de vida, frequentemente fazer a testagem sorológica e, se der positivo, já tratar ainda que só tenha a infecção e não tenha a doença. Essa é uma mudança substantiva, porque antes se esperava a manifestação clínica da AIDS para iniciar o tratamento”. Para se fazer o teste não é complicado e é de graça em mais de 500 CTAs (Centros de Testagem e Acompanhamento). Além disso, o governo está trabalhando junto com as prefeituras para que o teste rápido contra o vírus possa ser realizado em todas as unidades básicas de saúde, diminuindo assim o tempo de espera para sair o resultado.

            Então vamos pensar um pouco. O carnaval é legal, se divertir é legal, se fantasiar de Dotô é legal (ano que vem venderemos a fantasia do Dotô para todos), beijar na boca é legal. Mas não usar camisinha não é legal, você pode achar que aquela menina “gata” ou aquele menino lindo é “limpinho”(a) e que não está doente, mas não tem como saber, você não vai conseguir encontrar o vírus nem se vocês estiverem sozinhos em um quarto e você estiver com uma lanterna e uma lupa. O vírus infecta a todos, sem distinção (lógico que tem um grupo de pessoas que não se infectam pelo vírus, mas é uma porcentagem muito pequena) e, por isso, pode acabar com seu estilo de vida e com sua vida em pouco tempo. Por isso, divirta-se no carnaval. Mas divirta-se com consciência e use camisinha sempre.

Agora para alegrar o carnaval, vamos ouvir 1 hora de marchinhas….”O teu cabelo não nega, mulata. Porque és mulata na cor…”

Dotô, eu preciso mesmo vacinar meu filho?

          Willy-Wonka-Poster-roald-dahlFonte: http://www.fanpop.com/clubs/roald-dahl/images/62803

              Bem, a resposta é óbvia: SIM, você DEVE vacinar seus filhos. E o motivo é simples: as vacinas são uma das formas mais eficazes de se prevenir contra as mais diversas doenças. Mesmo assim um grande número de pessoas têm se recusado ou mesmo negligenciado a vacinação. E isso vem ocorrendo, provavelmente, pela facilidade de acesso às mais diversas informações, nem sempre de maneira correta, ou de forma que sejamos capazes de compreendê-las. Informações fora de contexto ou mesmo distorcidas pela mídia representam grandes retrocessos para todo o investimento feito ao longo dos anos. Estamos falando do “doutor google”, e da informação propagada pelas mídias sociais que ressaltam os “problemas” das vacinas.

É de conhecimento geral que as vacinas apresentam efeitos colaterais, mas esses efeitos são raros, e na maioria dos casos, reversível, sem sequelas para o paciente. Meu caro paciente, você já parou para pensar porque gastaríamos milhões anualmente em pesquisa, produção, distribuição e armazenamento de vacinas se as mesmas não trouxessem um número maior de benefícios do que efeitos indesejáveis que trariam mais insatisfação e gastos para o nosso sistema de saúde?

            Mas Dotô, mesmo sendo raro, meu filho pode ser 1 caso em 1000.000.000, mesmo assim devo correr o risco?

SIM, seu filho tem chance de ficar doente com ou sem vacina, sendo que sem as vacinas, as chances de ficar doente são MUITO maiores, além de aumentar a chance de que esta doença se agrave, resultando em sequelas permanentes e até no óbito dependendo da doença.

Eae, convenci? Caso nem toda estatística do mundo seja capaz de convencê-los, o dotô decidiu compartilhar uma carta que foi recentemente divulgada no blog: IFLscience!(www.iflscience.com). Trata-se da carta do escritor britânico Roald Dahls (autor do livro a Fantástica Fábrica de Chocolates) relatando a perda de sua filha Olivia, que contraiu sarampo na década de 60 – período que não existia a vacina contra o sarampo. Durante o texto, escrito na década de 80 – quando a vacina contra sarampo estava disponível – Roald faz um apelo emocionante para aqueles pais que não estão convencidos do benefício da vacinação.

Sarampo: Uma doença perigosa

Olivia, minha filha mais velha, pegou sarampo quando tinha sete anos de idade. À medida que a doença tomou seu curso normal lembro-me de ler para ela muitas vezes na cama e de não me sentir alarmado com isso. Então, um dia, quando ela estava bem no caminho para a recuperação, eu estava sentado em sua cama, mostrando-lhe como fazer moldes de pequenos animais usando limpadores coloridos de cachimbos , e quando chegou a sua vez de fazer um molde sozinha, eu notei que os dedos das mãos e sua mente não estavam trabalhando juntos e ela não conseguia fazer nada.

“Você está se sentindo bem?” Eu perguntei a ela.

“Eu me sinto sonolenta”, disse ela.

Em uma hora, ela estava inconsciente. Em 12 horas ela estava morta. O sarampo tinha se transformado em algo terrível chamado encefalite, e não havia nada que os médicos poderiam fazer para salvá-la. Isso foi há 24 anos atrás, em 1962, mas até agora, se uma criança com sarampo desenvolver a mesma reação mortal de sarampo como a Olivia, ainda não haveria nada que os médicos pudessem fazer para ajudá-la. Por outro lado, há hoje algo que os pais podem fazer para se certificar de que esse tipo de tragédia não aconteça à um de seus filhos. Eles podem insistir que seu filho seja imunizado contra o sarampo. Eu não consegui fazer isso por Olivia em 1962 porque naqueles dias uma vacina confiável contra o sarampo não havia sido descoberta. Hoje uma vacina boa e segura está disponível para todas as famílias e tudo que você tem a fazer é pedir ao seu médico para administrá-la.

Ainda não é bem aceito que o sarampo possa ser uma doença perigosa. Acredite em mim, é. Na minha opinião, pais que agora se recusam de ter seus filhos imunizados estão colocando a vida dessas crianças em risco. Nos Estados Unidos, onde a imunização contra o sarampo é obrigatória, o sarampo, como a varíola, foi praticamente exterminado. Aqui na Grã-Bretanha, porque muitos pais se recusam, seja por teimosia ou ignorância ou medo, para permitir que seus filhos sejam imunizados, ainda temos cem mil casos de sarampo a cada ano. Destes, mais de 10.000 vão sofrer efeitos colaterais de um tipo ou outro. Pelo menos 10.000 irão desenvolver infecções de ouvido ou no peito. Cerca de 20 morrerão.

Deixe que penetre

Todos os anos, cerca de 20 crianças morrerão de sarampo na Grã-Bretanha. Quais são os riscos que seus filhos correm ao serem imunizados? Eles são quase inexistentes. Ouça isso. Em um distrito de cerca de 300.000 pessoas, haverá apenas uma criança a cada 250 anos, que irá desenvolver efeitos colaterais graves decorrentes da imunização contra o sarampo! Isso é cerca de um caso em um milhão. Eu acredito que haveria mais chance de seu filho sufocar até a morte com uma barra de chocolate do que de se tornar gravemente doente em decorrência da imunização contra o sarampo. Então, com o que é que você está se preocupando? Realmente é quase um crime não permitir que o seu filho seja imunizado.

A idade ideal para imunização é aos 13 meses, mas nunca é tarde demais. Todas as crianças em idade escolar que ainda não foram imunizadas contra o sarampo devem implorar à seus pais para serem vacinadas o mais rápido possível. Aliás, eu dediquei dois de meus livros para Olivia, o primeiro foi “James e o Pêssego Gigante’. Foi quando ela ainda estava viva. O segundo foi ‘The BFG “, dedicado à sua memória depois que ela morreu de sarampo. Você vai ver o nome dela no início de cada um desses livros. E eu sei o quão feliz ela seria se ela pudesse saber que sua morte ajudou a salvar outras crianças.

Ass.: Roald Dahls, 1988.

Dahls and Olivia

       Roald Dahl com sua esposa, a atriz norte-americana Patricia Neal, com as filhas Olivia e Tessa, à esquerda, e o bebê Theo. Fonte: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1301083

            Acho que pouco precisa ser dito após uma carta tão emocionante e atemporal. Escrita a mais de 30 anos todas as afirmações e apelos feitos na carta são atuais e embasada por diversos estudos científicos. O Dotô espera que você pai ou mãe ao ler este texto consiga agora chegar as sua próprias conclusões.

Roald Dahls: escritor britânico, se tornou conhecido em 1940. Seu tornou conhecido mundialmente por seus livros infantis, tendo destaque: A Fantástica Fábrica de Chocolate, James e o Pêssego Gigante, Matilda e As Bruxas. Saiba mais acessando www.roalddahl.com.