Dotô, vamos falar de zika?

zika olimpiadas

Jader Correa (Jornal O Correio)

 

Caros pacientes, em março, o Dotô assistiu a uma palestra na Fiocruz sobre o vírus zika e a microcefalia, a maior preocupação em saúde pública do Brasil nesse momento. Para repassar o que foi discutido nesse dia e pelo impacto direto na saúde de nossas crianças, o Dotô fará três postagens sobre o que foi apresentado nessa palestra, continuando os especiais pelos três anos de existência do nosso querido blog Dotô, é virose?.

A primeira postagem é sobre a palestra da pesquisadora do Laboratório de Flavivírus, Drª Patrícia Carvalho de Sequeira, que contou a história do zika vírus, como ele chegou ao Brasil e o panorama atual.

O vírus zika foi isolado em 1947 em macacos rhesus na Floresta Zika (daí o seu nome), na Uganda. O pesquisador responsável (Dick) inoculou o soro desses animais no cérebro de camundongos para observar seu efeito no sistema nervoso central. Além disso, Dick também fez um macerado de mosquitos (Aedes africanus) e também inoculou no cérebro de camundongos para investigação.

Outro experimento feito em 1956 por um pesquisador chamado Bearcroft, ocorreu quando este pesquisador inoculou o macerado de cérebro de camundongo com o suposto vírus zika em um voluntário. Doideira não é? Pois é, foi assim que ele observou as manchas típicas na pele, chamada de exantema. Além disso, depois de apresentar os sintomas, ele inoculou o soro do voluntário no cérebro de camundongos (como fizeram com o soro dos macacos). E ainda tem mais: quando o voluntário foi picado pelo Aedes aegypti, a infecção não se perpetuou, indicando que esse Aedes não estava adaptado ao vírus zika na época.

Em 2007 aconteceu o primeiro grande surto do vírus zika, na ilha de Yap, na Micronésia, sendo observada a presença das manchas na pele, conjuntivite (pela primeira vez descrita) e dor nas articulações, mas nenhuma manifestação grave.

Em 2013/2014, ocorreu um surto do vírus zika na Polinésia Francesa, chegando na Ilha de Páscoa em 2014. Foi nesse momento que os médicos observaram os primeiros casos de Síndrome de Gullain-Barré, e descreveram a possível transmissão perinatal do vírus zika para o feto (sem microcefalia até então).

O vírus teria chegado ao Brasil em março de 2015. Existem duas hipóteses: de que teria chegado ao Brasil durante a copa do mundo ou então por atletas da polinésia francesa que vieram em 2014 para um campeonato de canoagem. Na mesma época, o primeiro caso de transmissão autóctone no Brasil foi confirmado por biologia molecular, usando uma técnica chamada RT-PCR e confirmado por sequenciamento e análise filogenética.

Em um determinado momento, a população fica apreensiva: um vírus com fortes indícios de que pode estar relacionado a casos de microcefalia em bebês. Então, surgem dúvidas quanto à possível via de transmissão: seria pela urina? Pela saliva? Por transmissão sexual? A única confirmada foi a transmissão transparentaria, onde o vírus pode atravessar a placenta da mãe e infectar o bebê, causando lesão neurológica. Então, em novembro de 2015, a Fiocruz do Rio de Janeiro, em parceria com a Paraíba, confirmou por biologia molecular a presença do vírus zika em amostras de líquido amniótico de gestantes apresentando sintomas característicos de uma infecção pelo vírus zika. Outro estudo brasileiro confirmou que o vírus zika circulante no país tem origem da polinésia francesa, e por análise filogenética inclusive, confirmou a sua semelhança com o vírus da encefalite japonesa.

A partir daí um estudo feito com mulheres grávidas no Estado do Rio de Janeiro, observou que casos de microcefalia em gestantes podem acontecer em qualquer momento da gestação (mulheres de 8 a 35 semanas de gestação apresentaram anomalia fetal), reforçando então a prevenção durante toda a gravidez. A notificação então se tornou obrigatória e cerca de 500 municípios brasileiros já confirmaram casos de microcefalia até o momento da publicação desse post.

Então tá, Dotô…agora que você já contou a historinha do vírus zika, eu quero saber: minha sobrinha está grávida e cheia de manchas na pele e conjuntivite, como eu posso saber se ela está ou não com esse tal de vírus zika?

Primeiro ela deverá ir a um médico especialista (obstetra ou infectologista, por exemplo) que a orientará e investigará o caso dela e do bebê. Ele vai fazer uma série de perguntas e avaliar clinicamente sua sobrinha e o bebê. Ele pedirá exames como ultrassonografia, exames do pré-natal, sorologia para outras doenças que possuem sinais e sintoma semelhantes ao vírus zika, dentre outros. Caso as outras doenças forem excluídas e sua sobrinha for um caso suspeito de infecção pelo vírus zika, ele solicitará um exame chamado PCR em tempo real para zika vírus, que confere um resultado rápido e sensível. É importante coletar o sangue da sua sobrinha até 5 dias do início dos sintomas, pois é quando o vírus está circulando no soro dela. Além disso, seria interessante coletar a urina e levar junto no dia do exame. A urina entra como uma opção alternativa caso o teste não detecte o vírus nesse período, já que o vírus é encontrado na urina por um período bem maior do que no soro.  A detecção do vírus no soro da sua sobrinha é feita pesquisando uma região específica do material genético do vírus zika, que codifica o envelope do vírus.

Caros pacientes, essa é a primeira sessão especial sobre o vírus zika. Na próxima falaremos sobre a microcefalia e o impacto na vida de nossas crianças. Aguarde e até mais!

Para quem quiser dar uma espionada nos artigos que foram publicados sobre a história do vírus zika e a sua chegada ao Brasil, o Dotô fez um compilado para que seus pacientes antenados possam se atualizar. Informação é sempre a melhor forma de prevenção! Enjoy it!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

DICK GW, KITCHEN SF, HADDOW AJ. Zika virus. I. Isolations and serological specificity. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1952 Sep;46(5):509-20. PubMed PMID: 12995440.

DICK GW. Zika virus. II. Pathogenicity and physical properties. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1952 Sep;46(5):521-34. PubMed PMID: 12995441.

BEARCROFT WG. Zika virus infection experimentally induced in a human volunteer. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1956 Sep;50(5):442-8. PubMed PMID: 13380987.

Duffy MR, Chen TH, Hancock WT, Powers AM, Kool JL, Lanciotti RS, Pretrick M, Marfel M, Holzbauer S, Dubray C, Guillaumot L, Griggs A, Bel M, Lambert AJ, Laven J, Kosoy O, Panella A, Biggerstaff BJ, Fischer M, Hayes EB. Zika virus outbreak on Yap Island, Federated States of Micronesia. N Engl J Med. 2009 Jun 11;360(24):2536-43. doi: 10.1056/NEJMoa0805715. PubMed PMID: 19516034.

Besnard M, Lastere S, Teissier A, Cao-Lormeau V, Musso D. Evidence of perinatal transmission of Zika virus, French Polynesia, December 2013 and February 2014. Euro Surveill. 2014 Apr 3;19(13). pii: 20751. PubMed PMID: 24721538.

Cao-Lormeau VM, Roche C, Teissier A, Robin E, Berry AL, Mallet HP, Sall AA, Musso D. Zika virus, French polynesia, South pacific, 2013. Emerg Infect Dis. 2014 Jun;20(6):1085-6. doi: 10.3201/eid2006.140138. PubMed PMID: 24856001; PubMed Central PMCID: PMC4036769.

Oehler E, Watrin L, Larre P, Leparc-Goffart I, Lastere S, Valour F, Baudouin L, Mallet H, Musso D, Ghawche F. Zika virus infection complicated by Guillain-Barre syndrome–case report, French Polynesia, December 2013. EuroSurveill. 2014 Mar 6;19(9). pii: 20720. PubMed PMID: 24626205.

Zanluca C, de Melo VCA, Mosimann ALP, dos Santos GIV, dos Santos CND, Luz K. First report of autochthonous transmission of Zika virus in Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. 2015;110(4):569-572. doi:10.1590/0074-02760150192.

Brasil P, Pereira JP Jr, Raja Gabaglia C, Damasceno L, Wakimoto M, Ribeiro Nogueira RM, Carvalho de Sequeira P, Machado Siqueira A, Abreu de Carvalho LM, Cotrim da Cunha D, Calvet GA, Neves ES, Moreira ME, Rodrigues Baião AE, Nassar de Carvalho PR, Janzen C, Valderramos SG, Cherry JD, Bispo de Filippis AM, Nielsen-Saines K. Zika Virus Infection in Pregnant Women in Rio de Janeiro – Preliminary Report. N Engl J Med. 2016 Mar 4.

Calvet G, Aguiar RS, Melo AS, Sampaio SA, de Filippis I, Fabri A, Araujo ES, de Sequeira PC, de Mendonça MC, de Oliveira L, Tschoeke DA, Schrago CG, Thompson FL, Brasil P, Dos Santos FB, Nogueira RM, Tanuri A, de Filippis AM. Detection and sequencing of Zika virus from amniotic fluid of fetuses with microcephaly in Brazil: a case study. Lancet Infect Dis. 2016 Feb 17.

 

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Dotô, deu Zika?

charge_zikafonte: http://jornaldebrasilia.com.br/charges/442/doencas-provocadas-pelo-aedes-aegypti/

Dotô, tô com medo de pegar esse tal de vírus Zika e ficar zicado….

O vírus Zika está bombando nos jornais brasileiros, desde a suspeita da sua circulação no Brasil. Um grupo na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e outro no Rio Grande do Norte, na UFRN, identificaram 16 pacientes com diagnóstico preliminar de infecção pelo vírus Zika até o momento, 8 em cada Estado. Essas amostras foram encaminhadas aos laboratórios de referência Instituto Evandro Chagas, em Belém, e ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) para avaliação. A confirmação da circulação do vírus Zika no Brasil só vai acontecer após o laudo do laboratório de referência ratificando os achados, o que deve acontecer em breve. As pesquisas indicam que existem três tipos de vírus Zika: um de origem asiática e dois de origem africana. Os resultados preliminares de pacientes brasileiros indicam que o vírus Zika que circula aqui seria de origem asiática. A hipótese é que o vírus tenha chegado ao Brasil durante os jogos da Copa do Mundo, mas pra responder essa pergunta mais estudos precisam ser feitos para investigar a dispersão desse vírus no Brasil.

Mas Dotô, porque esse vírus tem esse nome?

Por incrível que pareça, não é porque deixa a gente zicado, ou com zic zira. Na verdade, o vírus Zika foi descoberto em macacos em 1947, em uma floresta tropical chamada Zika (que na língua local significa coberta), em Uganda, daí que vem o seu nome. Além da África, esse vírus já foi descrito na Ásia e na Oceania causando surtos, sendo definido como um vírus emergente. Os surtos mais recentes registrados aconteceram na Micronésia (em 2007) e na Polinésia Francesa (em 2013), esse último com dez mil casos, sendo que alguns pacientes tiveram sintomas neurológicos. Casos importados do vírus Zika foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Austrália. Esse vírus é transmitido por meio da picada de mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite o vírus da dengue. O vírus Zika é mantido no ambiente por um ciclo chamado de zoonótico, que envolve os mosquitos Aedes spp., e os primatas, podendo ocasionalmente infectar os humanos. A doença que ele causa, chamada de Febre do Vírus Zika, também tem sintomas parecidos com a dengue, porém mais  leves. Apenas 18% das pessoas infectadas pelo vírus Zika apresentarão manifestações clínicas da doença. Sua evolução é benigna, com um período de incubação de quatro dias. A doença é caraterizada por febre baixa, olhos vermelhos sem secreção e sem coceira, dores nas articulações, erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos, dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas. Os sinais e sintomas podem durar até 7 dias.

Se eu pegar o vírus Zika, o que eu faço?

O tratamento é parecido com um quadro de dengue clássica. O recomendado é usar paracetamol para febre e dor no corpo, ingestão de líquidos e não ingerir o ácido acetilsalicílico, devido às complicações hemorrágicas. Quanto à prevenção e controle, as medidas são focadas em eliminar o mosquito. Além disso, é recomendado o uso de repelentes e roupas que cubram as regiões expostas da pele, principalmente quando estão ocorrendo surtos e epidemias. Mais um Flavivírus achado no Brasil, um agravo semelhante à dengue e chikungunya. Por isso o Dotô chama a atenção de todos os seus pacientes: agora não temos só que combater a dengue, mas o chikungunya e o vírus Zika também. Por isso, atenção triplicada!

GLOSSÁRIO:

Vírus emergentes: são representativos de infecções virais em constante evolução. Podem ser ou não conhecidos anteriormente e se expandiram para uma região geográfica, muitas vezes sendo acompanhados por uma mudança na patogenia. Casos importados: São os pacientes que se infectaram em um país, mas viajaram e só apresentaram os sinais e sintomas quando já estavam fora. Isso acontece porque a maioria dos vírus tem um período de incubação, onde não há nenhum sinal e sintoma da doença. Zoonótico: É um ciclo que se mantem em animais, mas que pode potencialmente infectar os humanos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Diallo D, Sall AA, Diagne CT, et al. Zika Virus Emergence in Mosquitoes in Southeastern Senegal, 2011. Attoui H, ed. PLoS ONE. 2014;9(10):e109442. doi:10.1371/journal.pone.0109442.

Faye O, Freire CCM, Iamarino A, et al. Molecular Evolution of Zika Virus during Its Emergence in the 20th Century. Bird B, ed. PLoS Neglected Tropical Diseases. 2014;8(1):e2636. doi:10.1371/journal.pntd.0002636.

FioCruz confirma novos casos do vírus Zika. Disponível em: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/fiocruz-confirma-novos-casos-do-virus-zika-16151785. Acessado em 19/05/2015. Hayes EB. Zika Virus Outside Africa. Emerging Infectious Diseases. 2009;15(9):1347-1350. doi:10.3201/eid1509.090442.

Portal Saúde. Perguntas e respostas – Zika vírus. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/maio/14/PERGUNTAS-E-RESPOSTAS-zika.pdf. Acessado em: 19/05/2015.

Portal Saúde. Ministério investiga casos de doenças exantemáticas. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17684&catid=11&Itemid=103. Acessado em: 19/05/2015

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Dotô ainda existem vírus desconhecidos?

Imagem virus Doto eh virose

Vírus Bourbon. Fonte:http://dx.doi.org/10.3201/eid2105.150150

Sim, existem mais vírus entre o céu e a terra que julga a nossa vã filosofia, meu caro paciente. Acredita-se que os vírus são as “entidades” biológicas em maior número no planeta Terra, sendo que a maioria permanece desconhecida.

Mas então, como se descobre um novo vírus Dotô?

Bem, são muitas as formas de estudos para a detecção e descoberta de novos vírus. Muitos grupos de dotôres tem como linha de pesquisa a procura por novos grupos de vírus nos mais diferentes tipos de amostras: água salgada e doce, insetos, fezes, fosseis, entre outros. Ainda existe outra forma, a qual a maioria dos vírus que causam doença no homem são detectados, que é através do diagnóstico laboratorial, ou seja, pela pesquisa do agente causador da doença.

É mesmo Dotô, existem casos de novos vírus causando doenças em humanos?

Sim, prova disso foi um novo vírus detectado em um caso fatal no Kansas que ocorreu no ano de 2014 nos Estados Unidos. O homem de, aproximadamente, 50 anos de idade, apresentava sintomas inespecíficos (fraqueza, diarreia, febre, …) e o que chamava atenção era o histórico de diversas picadas de carrapatos, foi internado e morreu dias depois. A suspeita inicial foi de bactérias causadoras de doenças humanas que tem como forma de transmissão a picada de carrapatos (rickettsioses ). Os exames laboratoriais não confirmaram a suspeita médica e o caso continuou a ser investigado em laboratórios americanos especializados em doenças transmitidas por artrópodes .

Meses de análises levaram os dotôres americanos à identificação de um novo vírus que pertence à mesma família do vírus Influenza. O vírus recebeu o nome de vírus Bourbon, por ser o mesmo nome do local onde o paciente vivia (condado de Bourbon). Assim como esse vírus, outros vírus da família Orthomyxoviridae, os thogotovírus, foram associados a carrapatos, mas a maioria sem descrição de infecção em humanos.

Apesar de ser o primeiro caso diagnosticado, esse pode não ser o único caso de infecção pelo vírus Bourbon. Agora com o reconhecimento e caracterização do vírus, novos casos poderão ser investigados resultando em um maior conhecimento sobre o agente e a doença. Esse é um exemplo atual meus pacientes, mas como esses, diversos outros vírus e doenças já foram descobertos e muitos mais estão por vir. O Dotô continua de olho!

Glossário

Artrópodes – são um filo de animais invertebrados, que possuem exoesqueleto rígido e vários pares de apêndices articulados, cujo número varia de acordo com a classe.

Rickettsioses – são bactérias gram-negativas intracelulares obrigatórias que são transmitidas ao homem através da picada de artrópodes.

Referência

Kosoy OI, Lambert AJ, Hawkinson DJ, Pastula DM, Goldsmith CS, Hunt DC, et al. Novel Thogotovirus species associated with febrile illness and death, United States, 2014. Emerg Infect Dis. 2015 May [date cited].http://dx.doi.org/10.3201/eid2105.150150

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Dotô, tem como saber se tenho ebola?

Caros pacientes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou hoje um teste rápido para detecção do vírus ebola! Isso é uma vitória para os países da África Ocidental, onde o vírus ebola continua matando pessoas e se alastrando na população. O kit será distribuído nos países afetados, podendo ser utilizado nas emergências onde estão acontecendo os surtos.

Embora o vírus ebola também possa ser detectado através da detecção do material genético (RNA), que é muito mais preciso, possui uma metodologia mais complexa e precisa ser feitos em laboratórios e por pessoas preparadas. Assim, o diagnóstico final pelo material genético demora mais, podendo levar de 12 a 24 horas para ser feito.

Já o teste rápido é, como o nome diz, muito mais rápido! O teste demora 15 minutos para ser feito, e detecta uma proteína do vírus, ao invés do RNA. Quando comparado com a detecção do RNA, o teste rápido é capaz de identificar 92% dos pacientes infectados com o e ebola e descartar 85% das pessoas não infectadas.

Embora esse teste rápido da OMS seja menos preciso, ele consegue ser rápido, fácil de executar e, o mais importante, não precisa de equipamentos nem eletricidade para ser realizado! Pode ser usado tanto em locais com estrutura mais precária, locais remotos e unidades móveis. Porém, o Dotô alerta que sempre que possível o teste rápido deve ser confirmado pela detecção do RNA.

 GLOSSÁRIO

RNA: ácido ribonucleico, que corresponde ao material genético do vírus ebola

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Nota da OMS sobre o teste rápido: First Antigen Rapid Test for Ebola through Emergency Assessment and Eligible for Procurement. Disponível em: http://www.who.int/medicines/ebola-treatment/1st_antigen_RT_Ebola/en/ Acessado em: 20/02/2015.

Pacientes, curtam esse vídeo com uma música sobre o Ebola, é bem bonito e explicativo, não se esqueçam de colocar a legenda no youtube: