Dotô, o que mudou no esquema vacinal do Zé Gotinha?

 

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Imagem licenciada para uso pelo Creative Commons.
Fonte: https://www.flickr.com/photos/portalpbh/6050570798

 

Caros papais, mamães e familiares, desde janeiro de 2016 o calendário de vacinação vem sofrendo algumas modificações, dentre elas, a mudança no esquema de vacinação contra poliomielite, também reconhecida como paralisia infantil – causada pelos vírus da poliomielite 1, 2 e 3.

Existem dois tipos de vacina contra poliomoelite, a vacina oral atenuada, também chamada de Vacina Oral contra Poliomielite (VOP), a popular “Zé Gotinha”; e a vacina inativada contra poliomielite (VIP), injetável, contendo apenas os vírus da pólio 1 e 3 (não existem mais casos associados ao vírus da pólio 2 desde 1999).

O programa da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite, lançado pela Organização Mundial da Saúde em 1988, que utilizou a VOP, vem obtendo sucesso na interrupção da transmissão do vírus selvagem, hoje restrita a três países (Afeganistão, Nigéria, e Paquistão) (www.polioeradication.org). Por existir ainda o vírus selvagem circulando nesses países, precisamos sempre estar atentos e vacinarmos nossas crianças.

No entanto, é relevante relatar a existência de casos de poliomielite em países com baixa cobertura vacinal, causados pelos vírus derivados da vacina oral devido a sucessivas alterações genéticas. Estima-se que possa ocorrer um caso a cada 2 a 3 milhões de doses administradas. Porém até a presente data nenhum caso de poliomielite causado por virus vacinal tem sido descrito no Brasil.

Sendo assim, para erradicar totalmente a doença, existe a necessidade da retirada gradual da VOP, com a introdução de um novo esquema vacinal. Assim, na nova campanha de vacinação para pólio, toda criança recebe as três primeiras doses do esquema – aos dois, quatro e seis meses de vida – com VIP (forma injetável) seguida por reforço com a VOP (gotinha) aos 15 meses, quatro anos e anualmente durante a campanha nacional, para crianças de um a quatro anos.

Portanto, fiquem atentos na hora de vacinar seus filhos, olhem sempre a caderneta de vacinação de seus pequenos quanto ao momento certo e forma de administrar a vacina contra polio.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação. Brasília, 2008.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica. Plano de Erradicação da Poliomielite: Estratégia no Brasil. Brasília, 2015.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL. Progress toward eradication of polio worldwide – Nigeria, January 2011–September 2012. MMWR Morb Mortal Wkly  2012 Rep61:899–904.

HAMPTON LM, FARRELL M, RAMIREZ-GONZALEZ A et al. Cessation of Trivalent Oral Poliovirus Vaccine and Introduction of Inactivated Poliovirus Vaccine – Worldwide, 2016. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2016 Sep 9;65(35):934-8.

Organização Mundial de Saúde – OMS. Polio Laboratory Manual. 4a edição, Geneva, 2004.

THACKER N, YEWALE VN, PATHAK A. Global Polio Eradication, The Journey So Far. Indian Pediatr. 2016 Aug 7;53 Suppl 1:S61-S64.

VASHISHTHA VM, CHOUDHARY J, YADAV S, UNNI JC et al. Introduction of Inactivated Poliovirus Vaccine in National Immunization Program and Polio Endgame Strategy. Indian Pediatr. 2016 Aug 8;53 Suppl 1:S65-S69.

 

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Texto realizado pelo aluno de pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, Lucas Morgado, sob a orientação da Dra Elba R. Sampaio de Lemos e DraRenata Carvalho de Oliveira.

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