Microcefalia, vírus Zika e Vacinas

Caros pacientes, temos a honra de inaugurar a nossa seção de post convidado com o Dr. Reinaldo de Menezes Martins, membro titular da Academia Brasileira de Pediatria.
No post de hoje, Reinaldo discute sobre microcefalia, vírus zika e vacinas.
E então, tem relação, Dotô?

vacina

Microcefalia, vírus Zika e Vacinas

Sabe-se que as malformações congênitas, dentre elas a microcefalia, podem ter muitas causas, por exemplo, genéticas, alcoolismo, ou algumas infecções durante a gestação.  As evidências disponíveis até o momento indicam fortemente que o vírus Zika está relacionado ao aumento de ocorrência de microcefalia e síndrome de Guillain-Barré, doença grave do sistema nervoso, no Brasil.

O vírus Zika (nome de uma floresta onde foi descoberto o vírus em macacos) é do mesmo grupo dos vírus da febre amarela e dengue, e ainda é pouco conhecido, pois até há pouco tempo estava restrito à África. Em geral, causa uma infecção benigna.

A suspeita de que a microcefalia seja causada por vacinas não se justifica. Existe farta literatura científica documentando que as vacinas aplicadas normalmente na gravidez, isto é, a tríplice acelular tipo adulto contra coqueluche, difteria e tétano, e a de influenza, são seguras e eficazes, para proteger a gestante a o recém-nascido. Para maiores informações sugerimos o site do CDC – Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos: http://www.cdc.gov/flu/protect/vaccine/pregnant.htm.

No que se refere à rubéola, vários estudos foram feitos no Brasil, mostrando que a aplicação inadvertida dessa vacina em gestantes não acarretou consequências para o feto. A Organização Mundial de Saúde fez extensa revisão sobre o assunto, chegando à mesma conclusão.

Estudos estão sendo feitos e vão continuar, visando melhorar o diagnóstico de Zika e se possível obter uma vacina. Enquanto isso, colocar em prática o que todos sabem, mas muitos não fazem: eliminar os criadouros de mosquito, que além do Zika transmitem  o dengue e a febre amarela.

Reinaldo de Menezes Martins
Membro Titular da Academia Brasileira de Pediatria
Currículo lattes
Blog “Tire Suas Dúvidas Sobre Vacinas”

REFERÊNCIAS:

Castillo-Solorzano C, Reef SE, Morice A,  Vascones N, Ana Elena Chevez AE, Castalia-Soares R, Torres C, Vizzotti C,  Cuauhtemoc RM.  Rubella Vaccination of Unknowingly Pregnant Women During Mass Campaigns for Rubella and Congenital Rubella Syndrome Elimination, The Americas 2001–2008. JID, 204:S713–S717, 2011.

CDC – Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos:  http://www.cdc.gov/flu/protect/vaccine/pregnant.htm.

Da Silva e Sá GR, Camacho LAB, Stavola MS, Lemos XR, Oliveira CAB, Siqueira MM. Pregnancy Outcomes Following Rubella Vaccination: A Prospective Study in the State of Rio de Janeiro, Brazil, 2001–2002. JID,204: S722-S728, 2011

Global Advisory Committee on Vaccine Safety. Safety of Immunization during Pregnancy – A Review of the Evidence. WHO, 2014.

Ministério da Saúde. Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia, v. 1.3., Secretaria de Vigilância em Saúde, Brasília, 2016

Sato HK, Sanajotta AT, Moraes JC, Andrade JQ, Duarte G, Cervi MC, Curti SP, Pannuti CS, Milanez H, Pessoto M, Flannery B, Oselka GW, São Paulo Study Group for Effects of Rubella Vaccination During Pregnancy. Rubella Vaccination of Unknowingly Pregnant Women: The São Paulo Experience.  JID, 204:S737–S744, 2001.

Soares RC, Siqueira MM, Toscano CM, Maia MLS, Flannery B, Sato HK, Will RM, Rodrigues RCM, Oliveira IC, Barbosa TC, Sá GRS, Rego MF, Curti SP, Lemos XR, Morhdieck R, Sturmer D, Oliveira MJC, Silva JB, Solorzano CC, Camacho LAB, Luna E. Follow-up Study of Unknowingly Pregnant Women Vaccinated Against Rubella in Brazil, 2001–2002. JID, 204:S729–S736, 2011.

 

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Dotô, é carnaval!!!!

curta o carnaval

É meus caros pacientes, chegou o tempo de folia … correr atrás do trio e se divertir!!!! Mas e o Dotô com isso? Além da fantasia de Dotô ser bem comum nessa época, o número de infecções causadas por alguns vírus aumenta consideravelmente. Estamos falando das DSTs, ou doenças sexualmente transmissíveis, das arboviroses e das gastroenterites. Eu sei, que durante o carnaval, temos muitas coisas para pensar ao mesmo tempo: para onde vamos, quem vai, quais fantasias usar, qual nosso itinerário nos blocos, quantos dias, entre outras muitas grandes questões levantadas. Mas não custa nada incluir algumas precauções que vão te ajudar a ter um divertimento completo e sem riscos para sua saúde.

O ABC … R, T e V do Dotô para um carnaval saudável

            Segue abaixo algumas dicas para você curtir o carnaval sem se preocupar depois:

A – Alimentos: evite o consumo de alimentos de origem desconhecida, dê preferência para os alimentos e bebidas industrializados. Na dúvida opte sempre pelo consumo de alimentos cozidos ou assados.

B- Não beba água de bicas, torneiras e poços. É muito importante se hidratar, mas com segurança. Compre sempre garrafas de água industrializadas e evite beber água ou caipirinha de origem desconhecida ou de outros foliões que podem ter enchido seus cantis ou copos com água de bica, torneira ou sabe-se lá de onde mais.

C- CAMISINHA. É clichê, mas é verdade: sexo só de camisinha. A distribuição de camisinhas masculinas e femininas é feita pelos postos de saúde e pontos de distribuição durante o carnaval. Procure, não gasta nada e você se previne.

R- Repelente. Para todos os foliões e pra quem vai ficar em casa, não importa, na atual situação do Brasil frente a tripla epidemia (Dengue, Chikungunya e Zika) e após o prolongado período de chuvas na região sudeste, o repelente se faz necessário para todos.

É importante lembrar, que quando for passar o repelente com outros produtos como protetor solar e maquiagem, o repelente sempre deve ser o último a ser aplicado, para que ele tenha sua ação garantida. A aplicação deve ser realizada de acordo com o período estabelecido pelo fabricante.

T- Teste do HIV. Você que tem aquela pulga atrás da orelha ou você que quer ter certeza que está saudável para pular o carnaval, faça o teste de HIV antes ou depois do carnaval. O teste é de graça e está disponível nos postos de saúde do seu município … Partiu teste?!

V- Vacinação. Para você que vai viajar para outro estado, veja as recomendações de vacinação para aquela área. A vacina contra Febre Amarela é importante para aqueles que pretendem viajar para a região Amazônica, Centro-Oeste e algumas regiões do estado de Minas Gerais. Fiquem atentos também para a vacina contra a raiva, procure se informar onde encontrar atendimento em caso de acidente com animais errantes ou silvestres que podem transmitir o vírus da Raíva.

Outras recomendações relacionadas podem ser encontradas no blog do ministério da saúde:

http://www.blog.saude.gov.br/

Seja um folião consciente e se mantenha saudável durante o carnaval!!!!!

Divirtam – se!!!!!

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

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