Dotô, tem como saber se tenho ebola?

Caros pacientes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou hoje um teste rápido para detecção do vírus ebola! Isso é uma vitória para os países da África Ocidental, onde o vírus ebola continua matando pessoas e se alastrando na população. O kit será distribuído nos países afetados, podendo ser utilizado nas emergências onde estão acontecendo os surtos.

Embora o vírus ebola também possa ser detectado através da detecção do material genético (RNA), que é muito mais preciso, possui uma metodologia mais complexa e precisa ser feitos em laboratórios e por pessoas preparadas. Assim, o diagnóstico final pelo material genético demora mais, podendo levar de 12 a 24 horas para ser feito.

Já o teste rápido é, como o nome diz, muito mais rápido! O teste demora 15 minutos para ser feito, e detecta uma proteína do vírus, ao invés do RNA. Quando comparado com a detecção do RNA, o teste rápido é capaz de identificar 92% dos pacientes infectados com o e ebola e descartar 85% das pessoas não infectadas.

Embora esse teste rápido da OMS seja menos preciso, ele consegue ser rápido, fácil de executar e, o mais importante, não precisa de equipamentos nem eletricidade para ser realizado! Pode ser usado tanto em locais com estrutura mais precária, locais remotos e unidades móveis. Porém, o Dotô alerta que sempre que possível o teste rápido deve ser confirmado pela detecção do RNA.

 GLOSSÁRIO

RNA: ácido ribonucleico, que corresponde ao material genético do vírus ebola

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Nota da OMS sobre o teste rápido: First Antigen Rapid Test for Ebola through Emergency Assessment and Eligible for Procurement. Disponível em: http://www.who.int/medicines/ebola-treatment/1st_antigen_RT_Ebola/en/ Acessado em: 20/02/2015.

Pacientes, curtam esse vídeo com uma música sobre o Ebola, é bem bonito e explicativo, não se esqueçam de colocar a legenda no youtube:

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Dotô, está aumentando o número de jovens com AIDS no Brasil?

Infelizmente sim. Uma doença que vinha diminuindo nos últimos anos, tanto pelo uso dos antivirais quanto pela conscientização de jovens e adultos, vem aumentando, e não é só no Brasil, mas no mundo todo.

Um relatório do Ministério da Saúde brasileiro que foi apresentado durante o lançamento da campanha de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids para o Carnaval 2015 entrevistou 12 mil pessoas entre 15 e 64 anos e teve resultados impressionantes. De um lado houve uma melhora no conhecimento dos brasileiros sobre a forma de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis como a AIDS e a sífilis. A pesquisa mostrou que 94% dos entrevistados conheciam a camisinha como melhor forma de prevenção contra essas doenças. Mas, essa melhora no conhecimento não importa muito quando não utilizada, não é mesmo? A mesma pesquisa mostra que, mesmo conhecendo a camisinha e os métodos de prevenção, 45% dos entrevistados não usaram camisinha em suas relações sexuais no último ano. É assustador imaginar o quanto isso pode representar em possíveis infecções causadas pelo vírus HIV.

Boa parte das infecções causadas pelo HIV vem ocorrendo em indivíduos jovens, pois estes estão entre o grupo que menos usa a camisinha, menos se previne e tem um número maior de parceiros sexuais. A mesma pesquisa chegou à conclusão de que o número de casos de AIDS aumentou 40% de 2006 até agora em todo país em jovens na faixa de 15 anos a 24 anos.

            Mas, se os jovens sabem do risco e sabem que devem usar camisinha, porque não a utilizam? Simplesmente porque os jovens estão cada vez mais tratando a AIDS como uma doença qualquer, “praticamente um resfriado”. A geração de jovens atual não passou pela época em que um grande número de pessoas morria pela doença e em que se infectar pelo vírus era considerado um atestado de morte. Hoje em dia, os jovens sabem que existe uma quantidade enorme de antirretrovirais (remédios que atuam diminuindo a quantidade de vírus HIV, mas não o curando) que tem menos efeitos colaterais do que os antivirais anteriores e aumentam significativamente o tempo de vida de um individuo infectado pela doença. O avanço da ciência, com o aumento de conhecimento sobre o vírus leva esses jovens a acreditarem que a ciência achará a cura para o vírus em pouco tempo e que por isso eles não precisam se preocupar e viver a vida loka.

            A intenção da campanha de carnaval de 2015 realizada pelo governo federal é informar aos jovens como se prevenir contra a AIDS, como usar camisinha, realizar o teste regularmente e, se o teste der resultado positivo começar o tratamento imediatamente. De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro: “Não adianta ter feito uma vez (o teste), deu negativo e está tudo bem. Assimilar como um hábito de vida, frequentemente fazer a testagem sorológica e, se der positivo, já tratar ainda que só tenha a infecção e não tenha a doença. Essa é uma mudança substantiva, porque antes se esperava a manifestação clínica da AIDS para iniciar o tratamento”. Para se fazer o teste não é complicado e é de graça em mais de 500 CTAs (Centros de Testagem e Acompanhamento). Além disso, o governo está trabalhando junto com as prefeituras para que o teste rápido contra o vírus possa ser realizado em todas as unidades básicas de saúde, diminuindo assim o tempo de espera para sair o resultado.

            Então vamos pensar um pouco. O carnaval é legal, se divertir é legal, se fantasiar de Dotô é legal (ano que vem venderemos a fantasia do Dotô para todos), beijar na boca é legal. Mas não usar camisinha não é legal, você pode achar que aquela menina “gata” ou aquele menino lindo é “limpinho”(a) e que não está doente, mas não tem como saber, você não vai conseguir encontrar o vírus nem se vocês estiverem sozinhos em um quarto e você estiver com uma lanterna e uma lupa. O vírus infecta a todos, sem distinção (lógico que tem um grupo de pessoas que não se infectam pelo vírus, mas é uma porcentagem muito pequena) e, por isso, pode acabar com seu estilo de vida e com sua vida em pouco tempo. Por isso, divirta-se no carnaval. Mas divirta-se com consciência e use camisinha sempre.

Agora para alegrar o carnaval, vamos ouvir 1 hora de marchinhas….”O teu cabelo não nega, mulata. Porque és mulata na cor…”

Dotô, eu preciso mesmo vacinar meu filho?

          Willy-Wonka-Poster-roald-dahlFonte: http://www.fanpop.com/clubs/roald-dahl/images/62803

              Bem, a resposta é óbvia: SIM, você DEVE vacinar seus filhos. E o motivo é simples: as vacinas são uma das formas mais eficazes de se prevenir contra as mais diversas doenças. Mesmo assim um grande número de pessoas têm se recusado ou mesmo negligenciado a vacinação. E isso vem ocorrendo, provavelmente, pela facilidade de acesso às mais diversas informações, nem sempre de maneira correta, ou de forma que sejamos capazes de compreendê-las. Informações fora de contexto ou mesmo distorcidas pela mídia representam grandes retrocessos para todo o investimento feito ao longo dos anos. Estamos falando do “doutor google”, e da informação propagada pelas mídias sociais que ressaltam os “problemas” das vacinas.

É de conhecimento geral que as vacinas apresentam efeitos colaterais, mas esses efeitos são raros, e na maioria dos casos, reversível, sem sequelas para o paciente. Meu caro paciente, você já parou para pensar porque gastaríamos milhões anualmente em pesquisa, produção, distribuição e armazenamento de vacinas se as mesmas não trouxessem um número maior de benefícios do que efeitos indesejáveis que trariam mais insatisfação e gastos para o nosso sistema de saúde?

            Mas Dotô, mesmo sendo raro, meu filho pode ser 1 caso em 1000.000.000, mesmo assim devo correr o risco?

SIM, seu filho tem chance de ficar doente com ou sem vacina, sendo que sem as vacinas, as chances de ficar doente são MUITO maiores, além de aumentar a chance de que esta doença se agrave, resultando em sequelas permanentes e até no óbito dependendo da doença.

Eae, convenci? Caso nem toda estatística do mundo seja capaz de convencê-los, o dotô decidiu compartilhar uma carta que foi recentemente divulgada no blog: IFLscience!(www.iflscience.com). Trata-se da carta do escritor britânico Roald Dahls (autor do livro a Fantástica Fábrica de Chocolates) relatando a perda de sua filha Olivia, que contraiu sarampo na década de 60 – período que não existia a vacina contra o sarampo. Durante o texto, escrito na década de 80 – quando a vacina contra sarampo estava disponível – Roald faz um apelo emocionante para aqueles pais que não estão convencidos do benefício da vacinação.

Sarampo: Uma doença perigosa

Olivia, minha filha mais velha, pegou sarampo quando tinha sete anos de idade. À medida que a doença tomou seu curso normal lembro-me de ler para ela muitas vezes na cama e de não me sentir alarmado com isso. Então, um dia, quando ela estava bem no caminho para a recuperação, eu estava sentado em sua cama, mostrando-lhe como fazer moldes de pequenos animais usando limpadores coloridos de cachimbos , e quando chegou a sua vez de fazer um molde sozinha, eu notei que os dedos das mãos e sua mente não estavam trabalhando juntos e ela não conseguia fazer nada.

“Você está se sentindo bem?” Eu perguntei a ela.

“Eu me sinto sonolenta”, disse ela.

Em uma hora, ela estava inconsciente. Em 12 horas ela estava morta. O sarampo tinha se transformado em algo terrível chamado encefalite, e não havia nada que os médicos poderiam fazer para salvá-la. Isso foi há 24 anos atrás, em 1962, mas até agora, se uma criança com sarampo desenvolver a mesma reação mortal de sarampo como a Olivia, ainda não haveria nada que os médicos pudessem fazer para ajudá-la. Por outro lado, há hoje algo que os pais podem fazer para se certificar de que esse tipo de tragédia não aconteça à um de seus filhos. Eles podem insistir que seu filho seja imunizado contra o sarampo. Eu não consegui fazer isso por Olivia em 1962 porque naqueles dias uma vacina confiável contra o sarampo não havia sido descoberta. Hoje uma vacina boa e segura está disponível para todas as famílias e tudo que você tem a fazer é pedir ao seu médico para administrá-la.

Ainda não é bem aceito que o sarampo possa ser uma doença perigosa. Acredite em mim, é. Na minha opinião, pais que agora se recusam de ter seus filhos imunizados estão colocando a vida dessas crianças em risco. Nos Estados Unidos, onde a imunização contra o sarampo é obrigatória, o sarampo, como a varíola, foi praticamente exterminado. Aqui na Grã-Bretanha, porque muitos pais se recusam, seja por teimosia ou ignorância ou medo, para permitir que seus filhos sejam imunizados, ainda temos cem mil casos de sarampo a cada ano. Destes, mais de 10.000 vão sofrer efeitos colaterais de um tipo ou outro. Pelo menos 10.000 irão desenvolver infecções de ouvido ou no peito. Cerca de 20 morrerão.

Deixe que penetre

Todos os anos, cerca de 20 crianças morrerão de sarampo na Grã-Bretanha. Quais são os riscos que seus filhos correm ao serem imunizados? Eles são quase inexistentes. Ouça isso. Em um distrito de cerca de 300.000 pessoas, haverá apenas uma criança a cada 250 anos, que irá desenvolver efeitos colaterais graves decorrentes da imunização contra o sarampo! Isso é cerca de um caso em um milhão. Eu acredito que haveria mais chance de seu filho sufocar até a morte com uma barra de chocolate do que de se tornar gravemente doente em decorrência da imunização contra o sarampo. Então, com o que é que você está se preocupando? Realmente é quase um crime não permitir que o seu filho seja imunizado.

A idade ideal para imunização é aos 13 meses, mas nunca é tarde demais. Todas as crianças em idade escolar que ainda não foram imunizadas contra o sarampo devem implorar à seus pais para serem vacinadas o mais rápido possível. Aliás, eu dediquei dois de meus livros para Olivia, o primeiro foi “James e o Pêssego Gigante’. Foi quando ela ainda estava viva. O segundo foi ‘The BFG “, dedicado à sua memória depois que ela morreu de sarampo. Você vai ver o nome dela no início de cada um desses livros. E eu sei o quão feliz ela seria se ela pudesse saber que sua morte ajudou a salvar outras crianças.

Ass.: Roald Dahls, 1988.

Dahls and Olivia

       Roald Dahl com sua esposa, a atriz norte-americana Patricia Neal, com as filhas Olivia e Tessa, à esquerda, e o bebê Theo. Fonte: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1301083

            Acho que pouco precisa ser dito após uma carta tão emocionante e atemporal. Escrita a mais de 30 anos todas as afirmações e apelos feitos na carta são atuais e embasada por diversos estudos científicos. O Dotô espera que você pai ou mãe ao ler este texto consiga agora chegar as sua próprias conclusões.

Roald Dahls: escritor britânico, se tornou conhecido em 1940. Seu tornou conhecido mundialmente por seus livros infantis, tendo destaque: A Fantástica Fábrica de Chocolate, James e o Pêssego Gigante, Matilda e As Bruxas. Saiba mais acessando www.roalddahl.com.

Dotô, se meu filho for pra Disney ele vai pegar sarampo?

pluto

 (Imagem licenciada para uso pelo Creative Commons. Crédito: https://www.flickr.com/photos/ikoka/8386372699/, link da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/).

E aí, caro paciente?.Pretende levar seu filho à Disney esse ano? Certifique-se que ele esteja em dia com as suas vacinas, não queremos nossas crianças doentes, não é mesmo?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos está investigando um surto de sarampo associado a viagens para a Disneylândia, em Orlando. A vigilância é muito importante durante a ocorrência de surtos, principalmente de doenças altamente contagiosas como o sarampo.  Os EUA vem sofrendo com aumento do número de casos de doenças imunopreveníveis, devido ao aumento do número de pais adeptos a uma pratica nada saudável, a não vacinação de seus filhos.

Dotô, me conta desse surto na Disney?! Queria levar meus filhos nessas férias. Agora tô com medo!

Dos 52 casos associados ao surto, 28 (o que equivale a 55%) não eram vacinados, 17 (31%) não sabiam se tinham tomado a vacina, e somente 6 casos (12%) eram vacinados. E a idade dos infectados variou de 10 meses a 57 anos de idade, indicando que há um grande número de pessoas susceptíveis, independente da idade. E em todo o EUA, segundo o CDC, o número de casos bateu recorde desde a eliminação do sarampo em 2000, pois em 2014, foram notificados 644 casos em 27 estados.

Mas dotô, como um surto como esse pode influenciar aqui no Brasil?

Muitos brasileiros tem o costume de viajar para a Disney, e os médicos devem estar atentos caso apareça uma criança com febre e erupções cutâneas no hospital. O médico deve conversar com o paciente, e perguntar aos pais se eles fizeram alguma viagem recente, principalmente se tiver ido à locais que estejam tendo surto.

Mas meu caro paciente, não fique pensando que você precisa ir para Disney para se infectar. No Brasil, o número de casos tem aumentado no Nordeste, por exemplo. Em 2014, foram confirmados casos no Ceará (681 casos), em Pernambuco (24 casos) e em São Paulo (7 casos) Até o momento, em 2015, os casos foram confirmados somente no Ceará (09 casos).

Mas dotô, como saber se meu filho está com sarampo?

Caro paciente, o sarampo é uma doença viral aguda e altamente contagiosa. Ela começa com sintomas não específicos, como febre, tosse, coriza (nariz escorrendo) e conjuntivite, com duração de 2-4 dias antes do início do exantema. O sarampo pode causar complicações de saúde graves, incluindo pneumonia, encefalite, e até morte. O sarampo é transmitido pelo contato direto com uma pessoa infectada através de tosse e espirros. As pessoas infectadas transmitem a doença a partir de 4 dias antes do início do exantema até quatro dias depois do aparecimento desse sintoma. Depois de uma pessoa infectada sair de um local, o vírus permanece por lá até 2 horas nas superfícies e no ar.

Mas o que acontece com o sarampo? Por causa do sucesso do programa de vacinação contra o sarampo em décadas passadas, os casos de sarampo foram controlados. Não tinha mais caso no hospital, não tinha mais criança doente…hoje, o cenário está mudando. O sarampo está retornando, porque muita gente simplesmente optou por não tomar a vacina, e se expor à doença. Como o número de casos está começando a aumentar, e muitos dos jovens médicos nunca viram um caso de sarampo antes, o que pode acontecer é o médico não coletar um histórico detalhado de viagem ou exposição potencial e, inicialmente, pode não considerar o diagnóstico de sarampo como uma opção real. Por isso, que agora os médicos devem ser conscientizados da reemergência de doenças anteriormente consideradas controladas.

Por isso, a recomendação é universal!! Previna-se, Tome a vacina!!! Informe-se com o pediatra do seu filho e vá à um posto de saúde. A vacinação é gratuita!!

 

GLOSSÁRIO:

Imunopreviníveis: São doenças que podem ser prevenidas através da vacinação

Exantema: É uma erupção cutânea que pode ser causada por diversos microrganismos. O exantema é sinal característico do sarampo, onde há o aparecimento de manchas ou pápulas, que podem ser localizadas ou espalhadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CDC Health alert Network. U.S. Multi-state Measles Outbreak, December 2014-January 2015. Disponível em: http://emergency.cdc.gov/HAN/han00376.asp. Acessado em 28/01/2015.

Boletim Epidemiológico do Sarampo, 23/01/2015. Governo do Estado do Ceará. Secretaria de Saúde. Disponível em: http://www.saude.ce.gov.br/index.php/boletins?download=1520%3Aboletim