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Abraços, “Dotô, é virose?”

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Dotô, a vacinação pode acabar com o câncer?

Parece que sim. Mas, por enquanto, apenas por cânceres causados por alguns tipos de Papilomavírus ou HPV.

HPV

Dentre os vírus, existem alguns que causam câncer. Esses vírus são chamados de vírus oncogênicos. Eles têm a habilidade de transformar células normais do seu corpo em células cancerígenas que podem se multiplicar indefinidamente, como no câncer. Um dos vírus oncogênicos mais importantes é o HPV. Esse vírus é dividido em 140 subtipos (nesse caso, chamados de genótipos), sendo que cada genótipo infecta uma parte diferente do corpo (dentre células epiteliais e células das mucosas). Uma boa parte desses subtipos podem causar verrugas, que podem ser retiradas por uma simples cirurgia médica, mas 13 desses genótipos podem causar câncer no colo do útero, vagina, pênis, anus e em outras partes do corpo.

O câncer do colo do útero é um dos cânceres produzidos por vírus que mais afeta as mulheres, sendo por isso considerado um dos cânceres mais importantes do mundo. Para vocês terem uma noção, existe  uma estimativa de 529.000 novos casos de câncer cervical causado por esse vírus e 275.000 novas mortes por ano. Dessas infecções, 85% ocorrem em países em desenvolvimento (como o Brasil), levando 8% das mulheres infectadas à óbito.

Com esses dados, uma vacina para curar a infecção pelo vírus era o sonho de consumo de muitos Dotôres pelo mundo. Há alguns anos, foram licenciadas duas vacinas para a prevenção da doença. A vacina Gardasil, produzida pela Merck@ e a Cervarix, produzida pela GlaxoSmithKline@. A produção e comercialização dessas vacinas foi um sucesso para a indústria farmacêutica, e elas serão sempre reconhecidas como “as primeiras vacinas contra o câncer”.

Ao se produzir uma vacina contra a infecção de determinado vírus, o pesquisador tem que levar em conta contra qual subtipo do vírus que ele deseja que a vacina atue. Dentre os genótipos do HPV que causam câncer, dois são os mais importantes para o câncer do colo do útero, os genótipos 16 e 18. Esses dois genótipos juntos são responsáveis por, pelo menos, 70% dos casos de câncer do colo do útero no mundo inteiro. Alem disso, são responsáveis por 80% dos casos de câncer anal, 60% de câncer vaginal, 40% dos casos de câncer de vulva, podendo causar cânceres orais e cânceres genitais raros. Por isso, a escolha ideal para se produzir as vacinas, seriam vacinas que atuassem contra esses genótipos (16 e 18). A vacina Cervarix tem exatamente essa função, a de proteger contra esses dois genótipos (sendo, por isso, bivalente). Já a vacina Gardasil foi um pouco mais além, protegendo contra os genótipos 16, 18, 6 e 11, pois os genótipos 6 e 11 são responsáveis por aproximadamente 90% da verrugas genitais.

A organização das nações unidas (ONU) e alguns países mundo afora recomendam a vacinação de mulheres jovens contra o HPV para prevenir o câncer do colo do útero e para reduzir o numero de tratamentos contra este tipo de câncer. Além disso, a vacinação contra o HPV é aprovada para uso em homens por vários motivos como a proteção de suas parceiras contra o câncer de colo do útero, proteção contra o câncer anal e para a prevenção de cânceres associados. Além disso, a vacinação é recomendada em populações com alto risco de desenvolvimento de câncer associado ao HPV, como em indivíduos imunocomprometidos, ou seja, que seu sistema imune não está funcionando como deveria (como indivíduos com AIDS e transplantados) e homossexuais do sexo masculino.

A idade recomendada para vacinação em ambos os sexos é dos 9 aos 26 anos e, no caso de mulheres, essa recomendação é válida para aquelas que nunca foram expostas ao vírus. Essa recomendação é um grande problema, pois os genótipos que causam câncer do útero são contraídos primariamente pela via sexual, então a vacinação tem que ocorrer antes do primeiro ato sexual da menina. Há um problema ético em se vacinar antes do primeiro ato sexual, tanto com os pais da paciente que vai se vacinar quanto com a própria paciente em relatar que não é mais virgem ao médico e aos pais. O interessante é que novos estudos demonstram que as duas vacinas funcionariam em mulheres que entraram em contato com o vírus até 45 anos e alguns amigos Dotôres acreditam que mulheres de todas as idades poderiam tomar as duas vacinas.

Aqui no Brasil cada dose da vacina Gardasil custa em torno de R$ 400,00, enquanto cada dose de Cervarix custa em torno de R$ 300,00. Imagine quanto os meus amigos Dotôres e essas indústrias farmacêuticas estão ganhando com isso? Vários consultórios de ginecologistas estão sendo montados com essas vacinas. É vacina sendo receitada a torto e a direito. O pior de tudo é que quem mais sofre com o câncer de colo do útero são países que não tem como pagar a vacina, como os países em desenvolvimento da África e da Ásia. O que fazer?

Há uma luz no fim do túnel. Meu amigo Bill Gates com outros amigos se juntaram há algum tempo e formaram a “Gavi Alliance”, uma associação que tem como objetivo salvar as vidas de crianças e proteger a saúde da população humana, melhorando o acesso de países pobres à imunização em larga escala. A Gavi Alliance se juntou com as duas grandes indústrias farmacêuticas responsáveis pelas vacinas contra HPV e, em comum acordo, conseguiram abaixar o preço (até 2017) das vacinas para 4.50 dólares a dose de Gardasil e para 4.60 a dose de Cervarix em países com baixo desenvolvimento social. Esse acordo é um grande avanço na diminuição do HPV no mundo, ainda mais porque a vacinação nesses países vai ser custeada por ONG’s, pela UNICEF, pela ONU e outras organizações mundiais.

O Dotô espera que essa e outras iniciativas ocorram pelo mundo todo e que outras vacinas possam ficar mais baratas e diminuir a quantidade de pessoas doentes pelo mundo todo. É por isso que estudamos e é para isso que todos nós da área de saúde trabalhamos.      

 

GLOSSÁRIO

Vírus oncogênicos – Vírus que tem a capacidade de transformar células normais em células que causam câncer.

Genótipos – Divisão de uma mesma espécie de vírus por diferenças em seu genoma.

Células epiteliais – Formam o tecido epitelial ou epitélio e são células intimamente unidas entre si. O tecido epitelial tem como principal função revestir a superfície externa do corpo, os órgãos e as cavidades corporais internas. Em sua maior parte, composta pela pele.

Células das mucosas – Célula adaptada à produção, armazenamento e secreção de material protéico. Encontradas em locais como a boca, vagina, nariz e anus.

O Dotô vai para o congresso!!!

Congresso-Nacional

Dotô, o senhor está de férias?

Quem me dera, meu caro paciente?! Estou em um congresso. Apesar de o congresso proporcionar uma quebra no dia a dia do meu consultório, os dias são bem corridos…palestras, discussões, apresentações de trabalhos e mais discussões. Os congressos, geralmente, tem uma duração de três a cinco dias e são muito importantes para conhecer outras pessoas que trabalham em áreas semelhantes às suas e firmar colaborações.

Pesquisadores, profissionais de saúde e estudantes vão aos congressos no intuito de divulgar seus trabalhos, se atualizar e trocar ideias com profissionais da mesma área.  Esses eventos geralmente são concentrados por áreas como virologia, microbiologia, parasitologia, infectologia e muitos outros, podendo ser anuais, bianuais e também serem  nacionais ou internacionais.

Semana passada o Dotô participou do II Simpósio Hermann Schatzmayr de Virologia, uma iniciativa muito interessante idealizada pelo núcleo de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz, na Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). Esse evento, em sua segunda edição, tem como principal objetivo manter viva a lembrança de um dos maiores virologistas do Brasil (Doutor Hermann Schatzmayr) e contribuir para divulgação de pesquisas realizadas no campo da virologia por alunos de pós-graduação de diferentes instituições.

Durante o simpósio temas importantes foram abordados por palestrantes com longa experiência nos temas, como: Dengue, Poliomielite e Influenza. Nos dias seguintes os alunos tomaram conta do evento apresentando seus trabalhos. Os temas foram diversos e foram abordados de diferentes maneiras. Posso destacar para vocês trabalhos interessantíssimos, como o desenvolvimento de anticorpos contra rotavírus obtidos da gema do ovo da galinha com o intuito de baratear os testes para o diagnostico desses vírus, este projeto me parece um projeto promissor. Ainda na área de inovação, houveram trabalhos na área de virologia ambiental com detecção de vírus em amostras de frutas, avaliação de testes rápidos para o diagnostico de Hepatite B, estudos de surtos de Hepatite A, investigações do envolvimento de vírus no câncer, trabalhos com vacinas para Hepatite A e outros com vacinas para Influenza. Estudos demonstrando a circulação de vírus exóticos no país, como o vírus do Oeste do Nilo, também fizeram parte dos diversos trabalhos apresentados nesse evento.

O evento contou com participantes de diversas instituições de ensino e pesquisa como USP, UFRJ, INCA entre outros. O Dotô aprendeu muito durante os três dias do evento e ficará de olho nos próximos pra trazer mais novidades do mundo da virologia para vocês.

Dotô, vírus pode curar coração partido?

Não, meu caro paciente. Até agora, parece que o vírus só pode curar a insuficiência cardíaca.

coração

 

            Uma pesquisa clínica, que está para começar, está dando o que falar. Essa pesquisa é de um tratamento promissor para uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todo, a insuficiência cardíaca. Só nos Estados Unidos, as doenças do coração tem um custo de cerca de 34,4 bilhões de dólares em tratamento, sendo que a insuficiencia cardíaca é uma das principais causas de morte na população.

Tá, até aí tudo bem Dotô, mas qual a ligação do vírus com o coração?

            Querido paciente, vírus também pode ser usado para curar. E, nesse caso, somente uma parte da estrutura do vírus, que não é infectante, é utilizada. Se essa estrutura do vírus não é infectante, ela não faz mal ao paciente, então ele não vai ficar doente. Existe um tipo de vírus chamado vírus adeno associado (AAV), muito usado em terapia gênica. Esse vírus pode ser modificado para não causar doença e ser utilizado no paciente como um vetor. Esse vetor tem um gene que expressa alguma molécula que pode ser usada como terapia, podendo curar o paciente. Sim, parece surreal, não? Isso é o futuro! Pois bem, pesquisadores britânicos vão iniciar, em breve, os testes clínicos em pacientes para usar vetores adeno-associados recombinantes no tratamento de insuficiência cardíaca.

          Primeiro, para que ocorra a contração do músculo cardíaco, chamado de miocárdio, o cálcio, que fica armazenado no retículo sarcoplasmático da célula do miocárdio, precisa ser transportado para o citoplasma, ocorrendo o evento chamado de sístole. Já para que aconteça o evento seguinte de relaxamento do músculo cardíaco, é necessária a ação de uma enzima chamada “ATPase de Cálcio do Retículo Sarcoplasmático 2a” (SERCA2a), que faz o papel inverso, sequestrando o cálcio para o retículo sarcoplasmático e promovendo o evento chamado de diástole. Pessoas com insuficiência cardíaca apresentam uma expressão diminuída da enzima SERCA2a, não relaxando o miocárdio, não bombeando o sangue de forma eficiente para fora do coração.

       O uso de vetores adeno-associados está crescendo a cada dia e eles tem ótimas vantagens, pois diferente de outros vetores utilizados na terapia gênica, eles raramente se integram ao DNA da célula hospedeira, o que poderia causar doença, e, com exceção da expressão da proteína de interesse, não levam à produção de proteínas virais nativas do vírus. Além disso, não são oncogênicos, isto é, não causam câncer.

Mas Dotô, como vai ser esse experimento em seres humanos?

          Para uma pesquisa clínica poder ser aplicada em seres humanos, ela primeiro passou por um teste em cultura de células, chamado teste in vitro, para depois ser testada em animais. Somente após ser comprovada a sua eficácia em animais é que o vetor pode ser utilizado em seres humanos, mas para isso o ensaio clínico necessita ser aprovado por um comitê de ética de pesquisa com seres humanos. Os pacientes que farão parte do ensaio clínico deverão assinar e concordar com o experimento através de um termo de concentimento livre e esclarecido (TCLE). Esse teste clínico possui uma expectativa enorme, pois os tratamentos por medicamentos disponíveis não são capazes de reverter o quadro da insuficiência cardíaca, enquanto que o uso desse vetor viral expressando diretamente uma enzima envolvida na doença, talvez possa.

O Dotô fica na torcida para que o experimento seja bem sucedido. Os pacientes agradecem.

GLOSSÁRIO

Insuficiência Cardíaca: É um comprometimento crônico do coração, mas que pode às vezes se desenvolver de forma repentina. Ela pode estar presente quando o coração não consegue bombear o sangue para o resto do corpo de forma eficiente. Outros fatores que podem levar à insuficiência cardíaca são: doenças cardíacas congênitas, ataques cardíacos, doenças nas válvulas do coração, miocardite e arritmias.

ATPase de Cálcio do Retículo Sarcoplasmático 2a (SERCA2a): Enzima envolvida na regulação do transporte de cálcio do citoplasma para dentro do retículo sarcoplasmático, levando ao relaxamento muscular. Assim, pessoas com insuficiência cardíaca apresentam uma dificuldade no relaxamento muscular cardíaco. O transporte de cálcio é realizado no retículo sarcoplasmático, organela responsável por armazenar o cálcio nas células musculares, e no estudo, focando no retículo sarcoplasmático do coração. Quando essa organela libera o cálcio no citoplasma, leva à contração muscular.

Vetores virais adeno-associados: São vírus adeno-associados (AAV) recombinantes. Os AAV são vírus muito pequenos que infectam homens e animais, não causam doença conhecida e geram uma fraca resposta imunológica. Pertencem à Família Parvoviridae, Gênero Dependovirus, sendo vírus não envelopados compostos por um DNA fita simples, linear, com 4,7 kb. Por não sem integrarem no genoma, estão sendo usados em pesquisa clínica. O uso de vetores virais adeno-associados está se tornando uma realidade para expressão de proteínas terapêuticas de forma continuada, porque não causam doença nos seus pacientes.

Dotô, que epidemia de gripe é essa que está acontecendo na China?

images

            É uma epidemia causada pelo vírus Influenza A H7N9, um novo vírus Influenza que surgiu no leste da China durante fevereiro e março de 2013 e espera-se que apareçam novos casos.

            Sempre é preocupante quando aparecem novas mortes ocasionadas pelo vírus Influenza em qualquer parte do mundo. Mais preocupante ainda é quando o novo subtipo do vírus que está causando essas mortes aparece na China e na Ásia. Desde o século passado, vários surtos de Influenza foram noticiados, geralmente pelo contato das pessoas com animais como porcos e galinhas, que podem hospedar esses vírus e passar para os humanos. O que geralmente ocorre é que na Ásia (em particular na China) há muitos tratadores de galinhas e de porcos que vivem em contato direto com esses animais, sem nenhuma higiene e sem nenhum cuidado e esses animais são vendidos diretamente para pessoas que os utilizarão como alimento. Ao se infectarem, tanto os tratadores, quanto os compradores ficam doentes e não notificam sua enfermidade para as autoridades de sua região (só quando a doença chega no estágio de tratamento hospitalar). Nesse meio tempo, a doença se espalha pela região e o número de casos aumenta, dificultando a contagem dos casos e, com isso, dificultando o tratamento dos possíveis doentes e a prevenção de novos casos.

            No caso da epidemia de H7N9, 82 casos foram notificados às autoridades da China, com 17 mortos, ou seja, quase uma  em cada cinco pessoas infectadas pelo vírus vieram à óbito. Os sintomas encontrados nas pessoas doentes variou desde uma pneumonia de progressão rápida, falha respiratória e síndrome do estresse respiratório agudo, todos altamente relacionados às infecções respiratórias graves. O mais alarmante é que uma boa parte dos pacientes que se infectaram pelo vírus e ainda estão vivos, estão com sintomas graves da doença, o que pode aumentar a quantidade de mortes pelo vírus. Outro fator importante é a quantidade de pessoas infectadas que não devem ter notificado a doença para as autoridades responsáveis. A região onde foram notificados os casos possui poucos recursos, o que dificulta a ação das autoridades para diminuir o numero de casos.

            Ao se depararem com o aumento dos casos da gripe H7N9, as autoridades e cientistas ficaram preocupados com o fato de que essa doença poderia vir a ser uma nova epidemia com possibilidade de se estender pelo mundo todo, como a epidemia de Influenza H1N1 foi em 2011. Mas, até o momento a epidemia se mantém limitada ao território Chinês.

Saber como ocorre a transmissão da doença é um fator importante para avaliar seus métodos de prevenção. Para isso, pesquisadores investigaram o contato de indivíduos infectados pelo vírus com animais que poderiam ser os responsáveis pela transmissão do Influenza. Dos 82 indivíduos infectados pelo vírus, 59 (77%) tiveram exposição recentes à animais, sendo que  45  (76%) dos indivíduos tiveram exposição à galinhas, 12 (20%) à patos e quatro (7%) à porcos. Preocupados com a alta taxa de contato com galinhas, um outro grupo de pesquisadores chineses decidiu investigar se o contato com esses animais seria a causa da epidemia de H7N9. Para isso, coletaram amostras de pacientes que entraram em contato com galinhas do mercado de animais local e de galinhas comercializadas por esses mesmos locais. Como eles esperavam, as amostras dos pacientes continham um isolado viral do H7N9 bastante similar aos das amostras das penosas. Além disso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que esse vírus estava altamente associado com a gravidade dos sintomas, como a pneumonia severa, e que o vírus H7N9 pode ser considerado o terceiro subtipo do vírus Influenza transmitido de galinhas para humanos, documentado, que pode causar óbito. O primeiro e mais importante desses vírus é o subtipo H5N1 (chamado de gripe aviária) que causou 58,3% de mortes em 1997 em Hong Kong e 62% de mortes em 2007 à 2008 em países na Ásia como o Vietnã, Tailândia e Cambodja.

O aumento do número de casos vem sendo observado com muito cuidado pelas autoridades Chinesas e mundiais. O medo de que essa epidemia de H7N9 se alastre pelo mundo e se torne uma pandemia é bastante grande. Por enquanto, não se sabe como ocorre a transmissão de humanos para humanos ou se a transmissão não é tão importante como a transmissão de galinhas para humanos. O mais preocupante são os sintomas que são rápidos e graves e a taxa de mortalidade que, por enquanto, beira os 21%. O Dotô está preocupado com mais outra epidemia de Influenza e ficará de plantão esperando novidades para trazer para nossos pacientes.

Falando de Influenza, o Dotô lembra que devemos tomar as seguintes medidas para não transmitirmos a doença para outros amiguinhos:

• Lavar (higienizar), com frequência, as mãos;

• Usar lenço descartável para higiene nasal;

• Encobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir;

• Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

• Higienizar (lavar) as mãos após tossir ou espirrar;

• Evitar aglomerações em locais fechados.

GLOSSÁRIO:

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos. É o H do nome do vírus, indo de H1 à H16.

Influenza A: Principal subtipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Influenza A H1N1: Subtipo do vírus de Influenza A que causou a gripe espanhola de 1918, levando à morte 50-100 milhões de pessoas no mundo todo. Uma nova variante do vírus H1N1 substituiu o vírus antigo, causando a pandemia de 2009, também chamada de gripe suína.

Influenza A H5N1 – Subtipo de Influenza A que causou a chamada gripe aviária, com seu inicio em 1997 na Ásia, tendo reaparecido em 2004 na Ásia, levando à 49 mortos.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos. É o N do nome do vírus, indo de N1 à N9

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Dotô, qual a diferença entre o charme o funk? Não, quero dizer, qual a diferença entre a gripe H7N9 e a gripe H1N1?

charme e funk

Dotô, qual a diferença entre o charme o funk? Não, quero dizer, qual a diferença entre a gripe H7N9 e a gripe H1N1?

Na verdade, meu caro paciente, um anda bonito e o outro elegante.

Ah, calma aí, a diferença entre os vírus da gripe né? Existem várias diferenças, mas a nomenclatura é bastante importante.

Todas as gripes são causadas pelo mesmo vírus, o vírus Influenza. Existem dois fatores que diferenciam e nomeiam os diferentes subtipos do vírus Influenza:

1) O primeiro fator é a classificação pelo gênero do vírus. Todos os vírus são englobados dentro de um mesmo grupo chamado de família. Dentro de uma determinada família viral os vírus são classificados em grupos menores chamados de gêneros, de acordo com a sua semelhança. Para os vírus Influenza existem cinco gêneros chamados de Influenza A, Influenza B, Influenza C, Influenza Thogotto e Influenza Isa. Os dois últimos não infectam os humanos (além de ter um nome muito estranho), o Influenza C praticamente não causa sintomas e não causa epidemias em nenhum lugar, o Influenza B pode causar epidemias de tempos em tempos, mas normalmente causa uma doença branda com poucos sintomas, mas o Influenza A. Ah, o Influenza A! Esse sim é que causa as epidemias e pandemias de Influenza e está relacionado com os sintomas mais graves das infecções por esse vírus.

             Então, podemos dizer que a maioria das infecções pelo vírus Influenza ao redor do mundo e que causam epidemias ocorrem pelo vírus Influenza A (como o vírus H7N9, o vírus H1N1, dentre outros).

2) O segundo fator está relacionado a duas proteínas encontradas na superfície do vírus, que protegem sua informação genética e são essenciais ao vírus, a Hemaglutinina e a Neuraminidase. Essas duas proteínas são encontradas em diferentes versões, em diferentes subtipos de vírus e em diferentes animais infectados pelo vírus Influenza. Ao todo existem 16 tipos de Hemaglutininas (chamados de H1 à H16) e 9 tipos de Neuraminidase (chamados de N1 à N9). Então, nós podemos encontrar diferentes vírus, com diferentes combinações dos tipos de Hemaglutinina e Neuraminidase, o que dá um total de 144 combinações possíveis de subtipos de Influenza A.

            Sabendo disso, fica fácil entender as diferenças entre os nomes dos vírus. O vírus H7N9 é o vírus Influenza A formado pela Hemaglutinina 7 (H7) e Neuminidase 9 (N9). O que dá H7 + N9 = H7N9. E o vírus H1N1 é o vírus Influenza A formado pela Hemaglutinina 1 (H1) e Neuminidase 1 (N1). O que dá H1 + N1 = H1N1.

            Já sabemos que os diferentes vírus Influenza são vírus com proteínas Hemaglutinina e Neuraminidase diferentes. Mas, um fator importante é que, para cada infecção, causada por cada subtipo de vírus Influenza diferente, é necessária uma nova resposta da defesa do seu corpo, a resposta do sistema imune. Imagine que seu sistema imune seja formado por soldados especializados para determinado inimigo, e esses soldados só conseguem atacar mais eficientemente determinado inimigo ao qual ele é especializado. Mas tem um problema, essa especialização dos soldados do sistema imune só ocorre após entrar em contato com o inimigo (o vírus Influenza). Então, certo dia, os soldados estão dentro do seu corpo de plantão esperando a chegada de um inimigo, quando, de repente, um inimigo é avistado (digamos o vírus Influenza A H1N1). Os soldados então vão para a guerra e acabam com a infecção, se especializando no H1N1 (na verdade nas proteínas H1 e N1). Se houve outra infecção pelo vírus Influenza A, como esses soldados estão mais especializados, atacarão e destruirão mais facilmente esse vírus. Mas, se houver uma infecção pelo vírus Influenza A H7N9, outros soldados terão que especializar nesse vírus e atacar esse vírus, provocando uma resposta diferente do sistema imune, com soldados diferentes. Na próxima infecção pelo vírus Influenza A H7N9 a reação do sistema imune será mais rápida.

            Mas espere, não é só isso, como explicado anteriormente no texto “Dotô, eu tô gripado?”, existem mutações nos vírus Influenza que dificultam a atuação desses soldados, sendo necessária uma nova especialização do sistema imune para atacar os mesmos vírus que nos infectou antes, como a reinfecção pelo H1N1. Por isso, se você se infectar pelo mesmo vírus Influenza você pode voltar a ter os sintomas da infecção pelo vírus. A mutação que o vírus Influenza sofre é um dos grandes fatores das epidemias e pandemias que nós vemos mundialmente causadas pelo vírus.

            Pelo vírus Influenza ter uma capacidade tão grande de infecção é que o “Dotô é virose?” insiste na vacinação contra o vírus. Há uma campanha de vacinação ocorrendo neste momento e que vai até o dia 10 de maio. Não deixe para depois, corra para garantir a sua vacina, ainda dá tempo.

 

GLOSSÁRIO:

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos.

Influenza A: Principal subtipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Influenza B, C, Thogotto e Isa: Subtipos de vírus da gripe que causam infecções mais brandas ou infecções assintomáticas em relação ao vírus Influenza A. O vírus Influenza B está relacionado com pequenos surtos.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos.

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Agora o grande hit e música tema do post:

Dotô, se eu vacinar meu filho ele fica autista?

Não, meu caro paciente. Seu filho não vai ficar autista.

measles traduzida

     Em 1998, o médico Andrew Wakefield publicou um artigo na revista Lancet que associava o uso da vacina tríplice (vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola) ao desenvolvimento do autismo. Diversos estudos foram conduzidos desde então a fim de comprovar ou não essa relação, sendo que não houve evidências acerca dessa hipótese.  Recentemente, o Conselho Médico Geral Britânico suspendeu o registro médico de Andrew Wakefield, pois descobriu que os dados da pesquisa foram falsificados, porém o dano já estava feito.

     Na última década voltaram a surgir surtos de sarampo em crianças de países desenvolvidos, como os EUA e Reino Unido, que foram relacionados com a recusa de muitos pais em vacinar seus filhos, pelo receio de que pudessem desenvolver o autismo, de acordo com a falsa pesquisa realizada por Andrew Wakefield. Felizmente, este tipo de receio tem sido pouco frequente no nosso país, sendo possível evitar e erradicar uma doença com risco de múltiplas complicações como o sarampo, que pode levar ao desenvolvimento de sequelas neurológicas irreversíveis e a morte.

     Atualmente o Reino Unido vive um surto de sarampo com 693 casos confirmados. O governo está intensificando as campanhas de vacinação e 3,7 mil crianças já receberam a dose da vacina tríplice viral. Porém, estima-se que cerca de 13 mil crianças menores de 19 anos ainda podem se infectar pelo vírus. Só nos últimos cinco meses mais de 700 pessoas contraíram o vírus, que é altamente contagioso, pois é transmitido diretamente de pessoa a pessoa através das secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Os casos da doença se concentram na cidade de Swansea, no País de Gales, e são mais graves em crianças entre 10 e 18 anos.

     Este surto nos serve de exemplo e nos chama a atenção do quanto é importante manter as campanhas de vacinação do sarampo no Brasil por mais que a doença não seja mais tão evidente em nosso país. Com a globalização e o desenvolvimento tecnológico fica muito fácil se transportar para qualquer destino do mundo, assim, basta apenas que uma pessoa doente pise em nosso país para que a infecção se espalhe, caso a nossa população não esteja imunizada para tal doença. Por isso, o Dotô recomenda a vacinação do seu filho!

GLOSSÁRIO:

Sarampo: é uma doença viral causada por um paramixovírus do gênero Morbillivirus que afeta o sistema respiratório causando sintomas como febre alta,  coriza, vermelhidão ocular e aparecimento de pequenas manchas  brancas na parte interna da boca que gradualmente se espalham pelo corpo. É uma doença de transmissão respiratória que atinge principalmente crianças.

Vacina tríplice viral: é uma vacina  capaz de conferir imunidade a três infecções virais: sarampo, rubéola e caxumba. Sua aplicação é realizada em dose única, geralmente aos 12 meses de idade, além de um reforço dado entre quatro e seis anos.

Autismo: é uma disfunção global do desenvolvimento que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente – segundo as normas que regulam essas respostas). 

Imunizada (o): O termo imunizada(o) se refere a uma pessoa que se tornou imune ou resistente a uma determinada doença, devido a produção de anticorpos estimulada por meio da vacinação ou da infecção natural.