Dotô, em época de dengue tudo é dengue mesmo?

dengue

Não, durante as epidemias de dengue nem todos os pacientes diagnosticados com Dengue realmente são casos de infecções causadas pelo vírus da Dengue.  O que acontece é que, durante as epidemias de Dengue, o número de casos aumenta, e, como os sinais e sintomas dessa doença (febre, dores no corpo e na cabeça) são semelhantes a diversas outras, fica difícil realizar o diagnóstico diferencial. Neste cenário, praticamente todos os casos febris passam a ser considerados casos suspeitos de dengue.

Então, como eu sei se eu tenho dengue ou não?

É difícil saber ao certo sem exames complementares e sem uma boa consulta médica. Uma maneira de ajudar o seu médico no diagnóstico é conversar bastante com ele sobre suas viagens recentes, sobre o seu local de trabalho, se você foi picado por insetos alem dos mosquitos (carrapatos e pulgas), se teve contato com animais (cães, gatos, ratos …), se houve histórico de parentes ou pessoas próximas que adoeceram nos últimos meses e sempre alerta-lo sobre qualquer sintoma que você possa apresentar, além da dor de cabeça, no corpo, febre e manchas.

Eu posso pegar Dengue todo ano?

Não meu caro paciente, você não pode pegar Dengue todo ano. Você só pode pegar dengue no máximo quatro vezes em toda sua vida.

Existem quatro, do que nós chamamos de sorotipos do vírus da Dengue, e uma vez que somos infectados por um sorotipo nós estamos “imunes” a uma reinfecção com o mesmo sorotipo. Exemplificando: Se uma pessoa é infectada pelo vírus da Dengue – tipo1 ela estará imune a outra infecção pelo tipo 1, mas ainda pode se infectar pelo Dengue – tipos 2, 3 e 4. Então, não acredite na sua vizinha, que diz que o filho dela ou a prima da amiga da irmã dela teve dengue mais de 4 vezes. Esse é outro aspecto que você deve lembrar-se de mencionar ao seu médico caso você já tenha tido Dengue as quatro vezes (o que, convenhamos, é difícil).

Dotô, existe vacina para dengue?

Sim, existem vacinas em teste, mas nenhuma até o momento foi boa o suficiente para conferir imunidade para os quatro sorotipos do vírus. Então, a melhor forma de combater a Dengue é através de medidas básicas de controle de um dos mosquitos que pode transmitir a dengue no Brasil, o Aedes aegypti que você pode encontrar no link abaixo: http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/10minutos.html.

GLOSSÁRIO:

Dengue: é uma doença infecciosa causada pelo vírus da dengue

Sorotipo: O sorotipo se refere a grupos de micro-organismos, cada sorotipo representa um conjunto de tipos de vírus que causam a mesma resposta imune no organismo.

Aedes aegypti: espécie de mosquito popularmente conhecido como mosquito da dengue.

Diagnóstico diferencial: usando como base os sinais e sintomas do paciente o médico pode levantar uma série de hipóteses limitando o diagnóstico a um grupo de possíveis doenças devido as suas semelhanças com o quadro apresentado pelo paciente. A partir do diagnóstico diferencial, o médico pode selecionar testes e exames complementares específicos para o diagnóstico final. Esse diagnóstico depende tanto do profissional quanto do paciente.

Anúncios

Dotô, eu tô gripado?

vacina

Com a chegada do inverno, cresce o número de pessoas infectadas pelo vírus da gripe, chamado de vírus Influenza. As pessoas ficam mais juntinhas, em lugares fechados e, além disso, o vírus é mais estável em temperaturas baixas, facilitando a disseminação da doença.

Dotô, é verdade que a vacina da gripe deixa a gente doente?

Não é verdade. Existe uma parcela de pessoas que podem vir a sofrer efeitos adversos após tomarem a vacina, com um pouco de dor no local de aplicação e fraqueza, mas que duram no máximo 48 horas.

A verdade é que o fato de você ter tido gripe ano passado (ou até se vacinado) não impede que você tenha gripe esse ano. Porque o subtipo de vírus responsável pela gripe muda todo ano através de um processo chamado de mutação. E é por isso também que a vacina contra a gripe é feita sempre com os três principais subtipos de vírus que irão circular durante uma epidemia anual de gripe.

Mas porque Dotô? Eu não tenho que tomar a vacina pra não ficar com gripe?

Sim, mas como o Dotô disse antes, o que acontece com a gripe é que o vírus fica um pouquinho diferente todo ano. Por exemplo, a gripe causada pelo vírus Influenza que circulou ano passado no Brasil não é a mesma que circulará no Brasil agora em junho/julho, porque o vírus sofreu um tipo de mutação que ocorre anualmente, chamada de mutação antigênica drift. Ele ficou diferente, impedindo que o sistema imunológico o reconheça, não sendo então destruído. São essas mutações que causam as epidemias anuais da gripe. E é daí que ficamos doentes, prostrados, com aquela gripe, febre, dor de cabeça, tosse, etc. Essas mutações acontecem nas proteínas de superfície do vírus, chamadas de hemaglutinina e neuraminidase.

O que realmente acontece é que a vacina protege somente contra a gripe, que é causada pelo vírus Influenza. Existem outras infecções, muitas vezes ditas inclusive como gripe, mas que não são gripe, e sim resfriados. Existem mais de 200 tipos de vírus que causam resfriado, mas o principal é o rinovírus.

E é por isso que o Dotô reforça que, sim, devemos tomar a vacina contra o vírus Influenza todo ano. Nessa semana, do dia 15 a 26 de abril, começa a campanha de vacinação. Se você pertence a um dos grupos de risco, que incluem: portadores de doenças crônicas, idosos, crianças de 6 meses a 2 anos, puérperas (até 45 dias pós-parto), profissionais de saúde, gestantes, indígenas e cárceres, não deixe de se vacinar!

Mas Dotô, eu vou ter que tomar a vacina todo ano? Não tem outra opção?

Por enquanto não tem outra opção, mas existem pesquisas para que se consiga produzir uma vacina universal. Espera-se que esta vacina possa proteger não só das epidemias anuais, mas as pandemias também, como a pandemia causada pelo Influenza A H1N1 em 2009. A ideia seria produzir uma vacina mais eficiente, que induz a produção de anticorpos neutralizantes contra regiões conservadas das proteínas do vírus, que não sofrem mutação, como por exemplo, a região conservada da proteína hemaglutinina.

GLOSSÁRIO:

Anticorpos neutralizantes: proteínas produzidas pelo corpo humano que tem como função principal se ligar de forma específica e destruir o microrganismo que está causando a doença.

Cárceres: são indivíduos que estão em cadeias ou penitenciárias.

Epidemia: Alastramento de uma doença infecto contagiosa por um curto período de tempo em uma localidade.

Hemaglutinina: Proteína da superfície do vírus responsável pela ligação e penetração do vírus na célula hospedeira do trato respiratório. Existem cerca de 16 subtipos de hemaglutinina já descritos infectando os seres vivos.

Influenza A: Principal tipo de vírus da gripe que infecta humanos, responsável por epidemias e pandemias.

Neuraminidase: Proteína da superfície do vírus responsável pela disseminação do vírus no hospedeiro. Existem 9 subtipos de neuraminidade descritos infectando seres vivos.

Mutação antigênica drift: Mutações que o vírus da gripe sofre todo ano, mudando um pouquinho as suas proteínas de superfície presentes no envelope viral, hemaglutinina e neuraminidase.

Mutação antigênica shift: Mutações mais eficientes nas proteínas hemaglutinina e neuraminidase, que junto com rearranjos entre segmentos do material genético do vírus de diferentes espécies, pode gerar novos vírus que nunca antes o nosso sistema imunológico tenha entrado em contato.

Pandemia: Alastramento de uma doença infecciosa a nível global, atingindo grandes proporções e se espalhando pelos continentes, podendo se apresentar com um elevado risco de mortes.

Puérperas: puerpério é o nome dado à fase pós-parto, então, puérperas são as mulheres que tiveram filhos recentemente.

Rinovírus: principal vírus que causa resfriado.

 

Agora uma musiquinha para diminuir os sintomas da gripe…

Dotô, se eu beber caipivodka eu pego uma “virose”?

Sim, você pode se infectar por um vírus. Tudo depende de como a sua bebida é feita.

Raspadinha

         Imagine que você foi passar as férias de verão em algum lugar de praia, um local extremamente quente. Chega a noite e você sai às ruas para dar uma volta. Pinta aquela sede e você resolve tomar uma caipivodka ou caipirinha ou mesmo um suco naquele rapaz que faz as bebidas ali mesmo na rua. Passa alguns dias e as férias acabam (ahhhh, mas que peninha!!!!), você volta para casa e passa o seu dia-a-dia feliz e alegre pois você descansou bem nas suas férias. Em, aproximadamente, 30 dias você começa a sentir dores de cabeça, cansaço, náuseas e vontade de vomitar algumas vezes. Vai ao médico, ele apenas te olha e receita antibióticos e repouso. Passa mais um tempo e sua pele e olhos começam a ficar amarelados. Você volta ao médico e ele diz que você está com hepatite e esse amarelado no seu corpo é chamado de icterícia. Com novos exames o médico descobre que você está com um vírus chamado de Hepatite A (então por que os antibióticos foram receitados anteriormente?) e que, provavelmente, a infecção se deu por alguma água contaminada que você bebeu. Aparecem novos casos naquela praia onde você passou o verão e todos os infectados tinham em comum terem tomado a mesma bebida, da mesma barraquinha onde você se refrescou nas férias. E o pior, foi descoberto que a água que o rapaz usava para fazer as bebidas era retirada da pia do banheiro dele e acomodada no balde do mesmo banheiro.

        Seria ruim se isso acontecesse não é mesmo? Mas acontece. Nós podemos nos infectar por um vírus apenas bebendo água contaminada. Esse tipo de infecção, por agua contaminada, é bem comum e existem vários vírus que podem ser encontrados em águas que não passaram por um saneamento básico. Existe um trabalho bastante famoso, escrito em 1992, que tentou descobrir a causa de uma epidemia por Hepatite A no Alasca, na cidade de Anchorage. O Departamento de Serviços Sociais e de Saúde do Alasca avaliou a ocorrência da infecção pelo vírus da Hepatite A em vários pacientes infectados e chegou à conclusão que uma boa parte desses pacientes tinham tomado uma bebida (aqui conhecida como raspadinha de gelo) de um mercado local. Investigando esse mercado e fazendo o diagnóstico dos funcionários, dentre eles os dois funcionários responsáveis por produzir a raspadinha, perceberam que estes tinham anticorpos contra o vírus da Hepatite A, o que demonstrava que eles se infectaram pelo vírus. Ao analisar a raspadinha, concluíram que ela também tinha o vírus. Então, a causa da infecção foi mesmo a raspadinha. Mas o que foi mais importante e bizarro foi como a raspadinha havia sido feita. Os dois funcionários responsáveis por fazer a raspadinha pegavam a água da mesma maneira que o rapaz que fez a sua caipivodka naquele verão inesquecível, da pia do banheiro de sua casa, utilizando o balde do banheiro para despejar a água na máquina que fazia a raspadinha de gelo, ou seja, as pessoas iam tomar a raspadinha de gelo super felizes e pegavam Hepatite A.

         Acreditem, esse não é um caso isolado, acontece o tempo todo. Além da Hepatite A existem outros vírus como o vírus da Hepatite E e os vírus do grupo das Gastroenterites virais (como o Rotavírus, Adenovírus, Astrovírus e Norovírus) que podem ser transmitidos através da água e de alguns alimentos como frutos do mar. Eles já foram encontrados em água doce como água de lagoas (como a Lagoa Rodrigo de Freitas do Rio de Janeiro), cachoeiras lagos, bem como na água do mar. Mas o mais preocupante é que, além desses vírus serem encontrados em água doce ou água salgada, alguns pesquisadores já os encontraram também em bebedouros, água mineral engarrafada, sucos ou, como vocês leram acima, água da raspadinha de gelo.

        Então, o Dotô pede a todos os pacientes que estejam lendo esse texto que tomem cuidado com a sua caipivodka, pois ela pode estar contaminada com algum destes vírus acima. Você deve escolher bem o lugar aonde vai pedir a sua bebida e tentar prestar atenção na higiene do estabelecimento. Além disso, se a qualquer momento você começar a vomitar ou tiver diarreia forte, você deve procurar um médico para ter um melhor aconselhamento.

GLOSSÁRIO:

Adenovírus – Vírus que faz parte da família Adenoviridae e é classificado como pertencente ao grupo de vírus que causam as gastroenterites virais, podendo causar vômitos, diarreia, dor abdominal e náusea. Além disso, como outros sintomas encontrados são infecções oculares como conjuntivites e respiratórias como faringites. Podem ser transmitidos pela água, fezes ou por aerossóis.

Astrovírus – Da família Astrovíridae, esses vírus fazem parte do grupo das gastroenterites virais, tendo como principal sintoma uma diarreia, seguida de náusea, vômitos, febre, mal estar e dor abdominal. Esses vírus geralmente não causam infecção grave, ao menos que o paciente esteja altamente desidratado. Geralmente é transmitido por água ou comida contaminada.

Gastroenterites virais – Agrupamento viral em que o agente infeccioso (no caso, determinados vírus) invade a mucosa gastrointestinal, provocando a doença. 

Hepatite A – Vírus transmitido pela água e por alimentos contaminados por fezes contendo o vírus, que faz parte das Hepatites virais, sendo classificado na família Picornaviridae. Tem como principais sintomas a icterícia, febre, dor abdominal, cansaço, urina escura e fezes claras. Normalmente o vírus não causa uma doença grave, mas dependendo do estado paciente, essa infecção pode se agravar e causar uma Hepatite fulminante, levando à morte do paciente.

Hepatite E – Transmitido por água contaminada e por fezes de animais contaminados. Classificado na família Caliciviridae e pertencente às hepatites virais.  Sintomas semelhantes ao da hepatite A.

Hepatites virais- Os vírus agrupados nesse grupo são aqueles que infectam o fígado, causando hepatite.

Icterícia – Sintoma causado por alguns agentes infecciosos e em Hepatites de causa não viral ou bacteriana em que o paciente apresenta pele e olhos de cor amarelada.

Norovírus- Vírus pertencente à família Caliciviridae classificado dentro do grupamento das gastroenterites virais. Sua transmissão ocorre geralmente em cruzeiros ou locais fechados através da ingestão de alimentos crus manipulados por mãos infectadas

Rotavírus – Vírus encontrado geralmente em crianças, pertencendo às gastroenterites virais da família Reoviridae. Seus sintomas são os sintomas clássicos das gastroenterites virais (náusea, vomito, diarréia e dor abdominal), mas em crianças e lactentes é uma das principais causas de diarréia grave. Estima-se que, aos cinco anos de idade, quase todas as crianças do mundo tenham sido infectadas pelo rotavírus pelo menos uma vez.

Dotô, encontraram a cura para AIDS???

Não, a AIDS não tem cura, ainda.

Nos últimos meses foram anunciados na mídia dois grandes avanços para cura da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). O primeiro anúncio foi a “cura“ de um bebê nos Estados Unidos. Nascida de uma mãe HIV positiva, o bebê, uma menina, começou a ser tratada com antirretrovirais (medicamentos cujo objetivo é, através da inibição da replicação do vírus, diminuir a progressão da imunodeficiência, aumentando o tempo e a qualidade de vida da pessoa que vive com o HIV ou AIDS), 30 horas após o seu nascimento. O tratamento se manteve durante 18 meses, e hoje com dois anos e meio de idade, nenhum método de diagnostico disponível conseguiu detectar o vírus em amostras de sangue da menina. Esta noticia traz esperanças e pode mudar a forma de se tratar crianças infectadas pelo vírus HIV, mas mesmo com esses resultados, o tratamento das mães soropositivas antes do parto ainda é a melhor forma de prevenir a contaminação do bebê. O segundo anúncio ocorreu em março, quando um grupo Francês publicou um trabalho onde identificaram 14 pacientes com cura funcional (o paciente continua infectado pelo HIV, só que mesmo sem tomar remédios, a AIDS não se manifesta). O grupo, composto de 70 pacientes adultos, iniciou o tratamento com antirretrovirais num período de 30 a 75 dias após a infecção pelo vírus. Após um longo período sem o tratamento, 14 pacientes (10 homens e quatro mulheres) ainda mantinham uma baixa carga viral e não apresentavam características clínicas da AIDS. Apesar de importantes estes resultados devem ser interpretados com cautela, estas pesquisas foram feitas com um pequeno numero de pessoas e demonstram que o vírus pode ser controlado, mas não eliminado. A AIDS ainda não tem cura, estamos progredindo, mas ainda falta um longo caminho a ser percorrido. O dotô ressalta que o tratamento com antirretrovirais não deve ser descontinuado sem orientação medica.

Dotô, o que é virose?

Apresentando o blog:

Quem nunca foi no médico com sintomas de resfriado, dor no corpo, dor de cabeça ou com aquela dor de barriga, e aí o médico virou e falou: “Você está com uma virose…”.
E você ficou se perguntando: “O que é virose? Será que tudo que eu pego é virose? Como o médico pode só olhar pra minha cara e falar isso?”.

Para responder essas e outras perguntas, criamos esse blog. Formado por alunos de Pós Graduação da área de Virologia, preocupados em como a virologia é disseminada para todos e como as pessoas entendem o estudo dos vírus.

Dotô, o que é virose?

Virose é um conceito muito usado na medicina pra falar de qualquer infecção causada por microorganismos que tenha sintomas gerais e inespecíficos, e que confunde muito os pacientes. Enfim, o que é virose? Será que esse conceito é utilizado de forma correta?

Para os cientistas, o conceito de virose, utilizado no dia a dia por todos, não é o conceito correto. Quando estamos doentes, alguns sintomas são considerados inespecíficos como: dor de cabeça, febre, diarreia, mal estar, tosse. Eles são considerados inespecíficos, pois são sintomas encontrados em várias doenças comuns a microrganismos diferentes, como bactérias, protozoários e vírus. Hoje em dia, quando os médicos encontram um paciente que apresenta esses sintomas, ele considera que esse paciente está com uma virose. Ou seja, virose seria uma infecção causada por um microorganismo que apresenta sintomas inespecíficos.

Mas os cientistas tem outra visão: uma virose seria aquela doença causada apenas por vírus e não por outros microrganismos. Então, quando o médico diz que você tem uma virose e receita um antibiótico, ele está agindo de maneira inadequada, pois os antibióticos são remédios utilizados para inibir o crescimento ou eliminar as bactérias que possam estar causando a doença. Se essa doença não estiver ocorrendo por uma infecção bacteriana, qual seria a vantagem do antibiótico? O ideal nesse caso é fazer um diagnóstico clinico (feito pelo medico) e laboratorial. Assim, quando se confirma pelos sintomas e pelo laboratório que a doença é causada por um vírus, e não por uma bactéria, impede-se a utilização errada de antibióticos, o que contribui para diminuir os casos de resistência a antibióticos, tão comum nos dias de hoje.

Porém, nem sempre essa conduta pode ser realizada pelo sistema público de saúde. Isso ocorre pois os médicos enfrentam problemas que vão desde o tempo curto para o atendimento do  paciente, até  a falta de recursos nos hospitais públicos. Mesmo assim o profissional deve sempre estar atento e deve disponibilizar aos seus pacientes a atenção básica necessária, conversando e examinando o paciente pelo tempo que for preciso, fazendo um trabalho de qualidade.

Outra abordagem é feita durante casos de epidemias (como a dengue) e pandemias (como a influenza A H1N1 2009). Por exemplo, atualmente, no Estado do Rio de janeiro, está acontecendo uma epidemia de dengue, onde há uma prevalência do dengue tipo 4. O médico, sabendo disso, direciona o diagnóstico de febre, dores no corpo e de cabeça, náuseas e vômitos, aliado com a queda de plaquetas, para uma suspeita de dengue e assim ele faz o diagnóstico e escolhe o tratamento. Porém, a confirmação só é feita aliada ao diagnóstico laboratorial por métodos mais específicos como os ensaios imunoenzimáticos, que tentam encontrar proteínas do vírus ou anticorpos específicos contra o vírus (como o teste de ELISA) ou métodos de biologia molecular (como o PCR) que procuram detectar o material genético do vírus.

O diagnóstico laboratorial utilizando a biologia molecular ajudou no controle da pandemia de influenza A H1N1 em 2009, pois com a utilização de ensaios de PCR em tempo real (um método em que você consegue amplificar e quantificar a sequência especifica do genoma de um organismo e, a partir daí, diferenciá-lo de outro organismos ou mesmo detectar pequenas diferenças genéticas do vírus) se observou que a grande maioria dos casos de infecção respiratória foi devido ao vírus influenza A H1N1, e não a outros vírus, porque ele era o mais prevalente nos estudos de vigilância epidemiológica. Assim, havia uma infinidade de casos que foram acompanhados e tratados quando necessário para a infecção causada por esse vírus.

Aproveitando pra falar do vírus Influenza, vai aí uma alerta pra toda a população: em abril começa a campanha de vacinação contra gripe! Os grupos a serem vacinados são: idosos (+60 anos), gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, portadores de doenças crônicas (ex: respiratória, cardíaca, renal, hepática, neurológica, obesidade, diabetes, imunossupressão), indígenas e profissionais de saúde! Vacine-se!

Agora, vai um hit pra descontrair!