Dotô, vamos falar de zika?

zika olimpiadas

Jader Correa (Jornal O Correio)

 

Caros pacientes, em março, o Dotô assistiu a uma palestra na Fiocruz sobre o vírus zika e a microcefalia, a maior preocupação em saúde pública do Brasil nesse momento. Para repassar o que foi discutido nesse dia e pelo impacto direto na saúde de nossas crianças, o Dotô fará três postagens sobre o que foi apresentado nessa palestra, continuando os especiais pelos três anos de existência do nosso querido blog Dotô, é virose?.

A primeira postagem é sobre a palestra da pesquisadora do Laboratório de Flavivírus, Drª Patrícia Carvalho de Sequeira, que contou a história do zika vírus, como ele chegou ao Brasil e o panorama atual.

O vírus zika foi isolado em 1947 em macacos rhesus na Floresta Zika (daí o seu nome), na Uganda. O pesquisador responsável (Dick) inoculou o soro desses animais no cérebro de camundongos para observar seu efeito no sistema nervoso central. Além disso, Dick também fez um macerado de mosquitos (Aedes africanus) e também inoculou no cérebro de camundongos para investigação.

Outro experimento feito em 1956 por um pesquisador chamado Bearcroft, ocorreu quando este pesquisador inoculou o macerado de cérebro de camundongo com o suposto vírus zika em um voluntário. Doideira não é? Pois é, foi assim que ele observou as manchas típicas na pele, chamada de exantema. Além disso, depois de apresentar os sintomas, ele inoculou o soro do voluntário no cérebro de camundongos (como fizeram com o soro dos macacos). E ainda tem mais: quando o voluntário foi picado pelo Aedes aegypti, a infecção não se perpetuou, indicando que esse Aedes não estava adaptado ao vírus zika na época.

Em 2007 aconteceu o primeiro grande surto do vírus zika, na ilha de Yap, na Micronésia, sendo observada a presença das manchas na pele, conjuntivite (pela primeira vez descrita) e dor nas articulações, mas nenhuma manifestação grave.

Em 2013/2014, ocorreu um surto do vírus zika na Polinésia Francesa, chegando na Ilha de Páscoa em 2014. Foi nesse momento que os médicos observaram os primeiros casos de Síndrome de Gullain-Barré, e descreveram a possível transmissão perinatal do vírus zika para o feto (sem microcefalia até então).

O vírus teria chegado ao Brasil em março de 2015. Existem duas hipóteses: de que teria chegado ao Brasil durante a copa do mundo ou então por atletas da polinésia francesa que vieram em 2014 para um campeonato de canoagem. Na mesma época, o primeiro caso de transmissão autóctone no Brasil foi confirmado por biologia molecular, usando uma técnica chamada RT-PCR e confirmado por sequenciamento e análise filogenética.

Em um determinado momento, a população fica apreensiva: um vírus com fortes indícios de que pode estar relacionado a casos de microcefalia em bebês. Então, surgem dúvidas quanto à possível via de transmissão: seria pela urina? Pela saliva? Por transmissão sexual? A única confirmada foi a transmissão transparentaria, onde o vírus pode atravessar a placenta da mãe e infectar o bebê, causando lesão neurológica. Então, em novembro de 2015, a Fiocruz do Rio de Janeiro, em parceria com a Paraíba, confirmou por biologia molecular a presença do vírus zika em amostras de líquido amniótico de gestantes apresentando sintomas característicos de uma infecção pelo vírus zika. Outro estudo brasileiro confirmou que o vírus zika circulante no país tem origem da polinésia francesa, e por análise filogenética inclusive, confirmou a sua semelhança com o vírus da encefalite japonesa.

A partir daí um estudo feito com mulheres grávidas no Estado do Rio de Janeiro, observou que casos de microcefalia em gestantes podem acontecer em qualquer momento da gestação (mulheres de 8 a 35 semanas de gestação apresentaram anomalia fetal), reforçando então a prevenção durante toda a gravidez. A notificação então se tornou obrigatória e cerca de 500 municípios brasileiros já confirmaram casos de microcefalia até o momento da publicação desse post.

Então tá, Dotô…agora que você já contou a historinha do vírus zika, eu quero saber: minha sobrinha está grávida e cheia de manchas na pele e conjuntivite, como eu posso saber se ela está ou não com esse tal de vírus zika?

Primeiro ela deverá ir a um médico especialista (obstetra ou infectologista, por exemplo) que a orientará e investigará o caso dela e do bebê. Ele vai fazer uma série de perguntas e avaliar clinicamente sua sobrinha e o bebê. Ele pedirá exames como ultrassonografia, exames do pré-natal, sorologia para outras doenças que possuem sinais e sintoma semelhantes ao vírus zika, dentre outros. Caso as outras doenças forem excluídas e sua sobrinha for um caso suspeito de infecção pelo vírus zika, ele solicitará um exame chamado PCR em tempo real para zika vírus, que confere um resultado rápido e sensível. É importante coletar o sangue da sua sobrinha até 5 dias do início dos sintomas, pois é quando o vírus está circulando no soro dela. Além disso, seria interessante coletar a urina e levar junto no dia do exame. A urina entra como uma opção alternativa caso o teste não detecte o vírus nesse período, já que o vírus é encontrado na urina por um período bem maior do que no soro.  A detecção do vírus no soro da sua sobrinha é feita pesquisando uma região específica do material genético do vírus zika, que codifica o envelope do vírus.

Caros pacientes, essa é a primeira sessão especial sobre o vírus zika. Na próxima falaremos sobre a microcefalia e o impacto na vida de nossas crianças. Aguarde e até mais!

Para quem quiser dar uma espionada nos artigos que foram publicados sobre a história do vírus zika e a sua chegada ao Brasil, o Dotô fez um compilado para que seus pacientes antenados possam se atualizar. Informação é sempre a melhor forma de prevenção! Enjoy it!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

DICK GW, KITCHEN SF, HADDOW AJ. Zika virus. I. Isolations and serological specificity. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1952 Sep;46(5):509-20. PubMed PMID: 12995440.

DICK GW. Zika virus. II. Pathogenicity and physical properties. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1952 Sep;46(5):521-34. PubMed PMID: 12995441.

BEARCROFT WG. Zika virus infection experimentally induced in a human volunteer. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1956 Sep;50(5):442-8. PubMed PMID: 13380987.

Duffy MR, Chen TH, Hancock WT, Powers AM, Kool JL, Lanciotti RS, Pretrick M, Marfel M, Holzbauer S, Dubray C, Guillaumot L, Griggs A, Bel M, Lambert AJ, Laven J, Kosoy O, Panella A, Biggerstaff BJ, Fischer M, Hayes EB. Zika virus outbreak on Yap Island, Federated States of Micronesia. N Engl J Med. 2009 Jun 11;360(24):2536-43. doi: 10.1056/NEJMoa0805715. PubMed PMID: 19516034.

Besnard M, Lastere S, Teissier A, Cao-Lormeau V, Musso D. Evidence of perinatal transmission of Zika virus, French Polynesia, December 2013 and February 2014. Euro Surveill. 2014 Apr 3;19(13). pii: 20751. PubMed PMID: 24721538.

Cao-Lormeau VM, Roche C, Teissier A, Robin E, Berry AL, Mallet HP, Sall AA, Musso D. Zika virus, French polynesia, South pacific, 2013. Emerg Infect Dis. 2014 Jun;20(6):1085-6. doi: 10.3201/eid2006.140138. PubMed PMID: 24856001; PubMed Central PMCID: PMC4036769.

Oehler E, Watrin L, Larre P, Leparc-Goffart I, Lastere S, Valour F, Baudouin L, Mallet H, Musso D, Ghawche F. Zika virus infection complicated by Guillain-Barre syndrome–case report, French Polynesia, December 2013. EuroSurveill. 2014 Mar 6;19(9). pii: 20720. PubMed PMID: 24626205.

Zanluca C, de Melo VCA, Mosimann ALP, dos Santos GIV, dos Santos CND, Luz K. First report of autochthonous transmission of Zika virus in Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. 2015;110(4):569-572. doi:10.1590/0074-02760150192.

Brasil P, Pereira JP Jr, Raja Gabaglia C, Damasceno L, Wakimoto M, Ribeiro Nogueira RM, Carvalho de Sequeira P, Machado Siqueira A, Abreu de Carvalho LM, Cotrim da Cunha D, Calvet GA, Neves ES, Moreira ME, Rodrigues Baião AE, Nassar de Carvalho PR, Janzen C, Valderramos SG, Cherry JD, Bispo de Filippis AM, Nielsen-Saines K. Zika Virus Infection in Pregnant Women in Rio de Janeiro – Preliminary Report. N Engl J Med. 2016 Mar 4.

Calvet G, Aguiar RS, Melo AS, Sampaio SA, de Filippis I, Fabri A, Araujo ES, de Sequeira PC, de Mendonça MC, de Oliveira L, Tschoeke DA, Schrago CG, Thompson FL, Brasil P, Dos Santos FB, Nogueira RM, Tanuri A, de Filippis AM. Detection and sequencing of Zika virus from amniotic fluid of fetuses with microcephaly in Brazil: a case study. Lancet Infect Dis. 2016 Feb 17.

 

Dotô, sempre existiram vírus no Rio de Janeiro? (Parte 1)

rio

A história da virologia no Rio de Janeiro já vem há muito tempo, meu caro paciente. Vários vírus já passaram pela cidade maravilhosa e muita coisa foi pesquisada. Nesse post especial de 3 anos do Dotô, é virose, vamos discutir um pouco mais sobre a história da virologia no município do Rio de Janeiro. E essa história é tão longa que tivemos que dividir o post em várias partes. Com vocês o primeiro post dessa história maravilhosa que a da virologia no Rio de Janeiro.

Para começar a discussão sobre virologia no Rio de Janeiro, é necessário, inicialmente, falar sobre o Brasil colônia, quando o Marques de Barbacena enviou a Portugal sete crianças não imunes para a varíola, para servir de transporte “humano” do vírus vacinal utilizado em Portugal, através da passagem do vírus de criança para criança até chegar ao Rio de Janeiro. Sim as crianças foram infectadas com o vírus que formava a vacina e trazidas ao Rio de Janeiro. Esse Marques de Barbacena não era muito legal. Entre 1886 e 1887, Dom Pedro II enviou à Paris o médico Augusto Ferreira dos Santos, para aprender as técnicas necessárias para a produção da vacina antirábica. Após aprender as técnicas, Augusto voltou ao Brasil e em 1888 se iniciou a vacinação contra o vírus da Raíva no Rio de Janeiro.

Voltando à varíola, mesmo com a vacinação, ocorreu uma epidemia na década de 1830, principalmente pela qualidade deficiente das vacinas. Em 1850 voltaram a ocorrer surtos, o que demonstra a fragilidade do sistema de vacinação da época. Nesse período se utilizava material coletado de humanos vacinados e não a vacina preparada em animais que era mais eficaz. Em 1887, mesmo com a vacina fabricada em animais, a varíola foi responsável por 47% dos óbitos na cidade do Rio de Janeiro superando a tuberculose.

No período de 1850 à 1902 ocorreram graves epidemias ou endêmicas de forma não controlada. Dentre elas, infecções causadas pelo vírus da febre amarela, sarampo e varíola. A grande quantidade de epidemias levou o presidente da república da época Rodrigues Alves a convocar o médico Oswaldo Cruz para implantar junto com o prefeito Pereira Passos uma grande reforma na cidade e utilizar métodos para eliminação de várias doenças infecciosas. Nessa época, os profissionais de saúde entravam nas residências sem pedir autorização formal dos moradores tratavam as casas com enxofre para controle de vetores (principalmente o nosso conhecido Aedes aegypti).

As metodologias utilizadas por Oswaldo Cruz foram eficientes para baixar as infecções causadas por diversos vírus. Mas agravava o descontentamento da população.

Em 1904, Oswaldo Cruz implantou a vacina obrigatória contra a varíola a qual permitia a vacinação contra a vontade da pessoa (ou seja, mais ou menos o que uma criança sente quando a mãe ou o pai a leva para se vacinar). Esse ato levou ao que hoje é conhecido como a “revolta da vacina”. A população, revoltada, começou a tomar as ruas levando à distúrbios no transito, comercio fechado, gritaria, tiros, veículos tombados e depredados, lampiões quebrados à pedradas, destruição de fachadas de edifícios públicos e privados, dentre outros (mais ou menos como ocorreu em 2013 no Rio de Janeiro e no Brasil). A “revolta da vacina” teve seu clímax em 13 de novembro de 1904 quando grandes movimentos de rua destruíram vários bens públicos e privados além de transportes urbanos. Além disso, estudantes da Escola Militar da Praia Vermelha, sob o comando de altos escalões do Exército insatisfeitos com o Presidente aderiram à esse movimento, mostrando o tom politico desse momento. Três dias depois a lei da vacinação obrigatória foi suspensa e, com isso, mesmo não sendo obrigatória a vacinação, se verificou uma rápida queda do número de casos de varíola e, por fim ocorreu a eliminação da doença na cidade maravilhosa.

Charge satirizando a atuação de Oswaldo Cruz (fonte: portal.fiocruz.br)

Charge satirizando a atuação de Oswaldo Cruz (fonte: portal.fiocruz.br)

 

Charge satirizando a atuação de Oswaldo Cruz (fonte: portal.fiocruz.br)

Charge satirizando a atuação de Oswaldo Cruz (fonte: portal.fiocruz.br)

Oswaldo Cruz e a revolta da vacina (fonte: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/)

Oswaldo Cruz e a revolta da vacina (fonte: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/)

Um fato interessante, é que mesmo não sendo a vacina obrigatória, se tornou obrigatório apresentar o atestado de vacinação para a matricula escolar e muitas outras atividades, o que ajudou a aumentar o número de pessoas vacinadas.

Em 1908, com o reconhecimento do trabalho de Oswaldo Cruz, o Presidente Afonso Pena renomeou o Instituto de Manguinhos como Instituto Oswaldo Cruz, que existe até hoje.

A transmissão da febre amarela pelo mosquito Aedes aegypti não era plenamente aceita, até que experiências em Cuba em 1900 e repetidas em São Paulo por Emilio Ribas, Adolpho Lutz, Oscar Moreira, Domingos Pereira Vaz, André Ramos e Januário Ferraz mostraram que haviam transmissão do vírus pelo mosquito. Entre 1902 e 1903 os médicos envolvidos na pesquisa e imigrantes italianos deixaram-se picar por mosquitos infectados com febre amarela para comprovar suas hipóteses. E assim, com a vacinação e a descoberta do mosquito como vetor da doença, em 1909 a febre amarela foi extinta do Rio de Janeiro. E com o controle do Aedes aegypti foi eliminado também os casos de Dengue (que voltou anos depois como já sabemos).

E a história continua. Logo, logo traremos a segunda parte desse grande post.

Abraços do Dotô.

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Schatzmayr HG, Cabral MC 2009. A virologia no Estado do Rio de Janeiro: uma visão global. FIOCRUZ, Rio de Janeiro.

Microcefalia, vírus Zika e Vacinas

Caros pacientes, temos a honra de inaugurar a nossa seção de post convidado com o Dr. Reinaldo de Menezes Martins, membro titular da Academia Brasileira de Pediatria.
No post de hoje, Reinaldo discute sobre microcefalia, vírus zika e vacinas.
E então, tem relação, Dotô?

vacina

Microcefalia, vírus Zika e Vacinas

Sabe-se que as malformações congênitas, dentre elas a microcefalia, podem ter muitas causas, por exemplo, genéticas, alcoolismo, ou algumas infecções durante a gestação.  As evidências disponíveis até o momento indicam fortemente que o vírus Zika está relacionado ao aumento de ocorrência de microcefalia e síndrome de Guillain-Barré, doença grave do sistema nervoso, no Brasil.

O vírus Zika (nome de uma floresta onde foi descoberto o vírus em macacos) é do mesmo grupo dos vírus da febre amarela e dengue, e ainda é pouco conhecido, pois até há pouco tempo estava restrito à África. Em geral, causa uma infecção benigna.

A suspeita de que a microcefalia seja causada por vacinas não se justifica. Existe farta literatura científica documentando que as vacinas aplicadas normalmente na gravidez, isto é, a tríplice acelular tipo adulto contra coqueluche, difteria e tétano, e a de influenza, são seguras e eficazes, para proteger a gestante a o recém-nascido. Para maiores informações sugerimos o site do CDC – Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos: http://www.cdc.gov/flu/protect/vaccine/pregnant.htm.

No que se refere à rubéola, vários estudos foram feitos no Brasil, mostrando que a aplicação inadvertida dessa vacina em gestantes não acarretou consequências para o feto. A Organização Mundial de Saúde fez extensa revisão sobre o assunto, chegando à mesma conclusão.

Estudos estão sendo feitos e vão continuar, visando melhorar o diagnóstico de Zika e se possível obter uma vacina. Enquanto isso, colocar em prática o que todos sabem, mas muitos não fazem: eliminar os criadouros de mosquito, que além do Zika transmitem  o dengue e a febre amarela.

Reinaldo de Menezes Martins
Membro Titular da Academia Brasileira de Pediatria
Currículo lattes
Blog “Tire Suas Dúvidas Sobre Vacinas”

REFERÊNCIAS:

Castillo-Solorzano C, Reef SE, Morice A,  Vascones N, Ana Elena Chevez AE, Castalia-Soares R, Torres C, Vizzotti C,  Cuauhtemoc RM.  Rubella Vaccination of Unknowingly Pregnant Women During Mass Campaigns for Rubella and Congenital Rubella Syndrome Elimination, The Americas 2001–2008. JID, 204:S713–S717, 2011.

CDC – Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos:  http://www.cdc.gov/flu/protect/vaccine/pregnant.htm.

Da Silva e Sá GR, Camacho LAB, Stavola MS, Lemos XR, Oliveira CAB, Siqueira MM. Pregnancy Outcomes Following Rubella Vaccination: A Prospective Study in the State of Rio de Janeiro, Brazil, 2001–2002. JID,204: S722-S728, 2011

Global Advisory Committee on Vaccine Safety. Safety of Immunization during Pregnancy – A Review of the Evidence. WHO, 2014.

Ministério da Saúde. Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia, v. 1.3., Secretaria de Vigilância em Saúde, Brasília, 2016

Sato HK, Sanajotta AT, Moraes JC, Andrade JQ, Duarte G, Cervi MC, Curti SP, Pannuti CS, Milanez H, Pessoto M, Flannery B, Oselka GW, São Paulo Study Group for Effects of Rubella Vaccination During Pregnancy. Rubella Vaccination of Unknowingly Pregnant Women: The São Paulo Experience.  JID, 204:S737–S744, 2001.

Soares RC, Siqueira MM, Toscano CM, Maia MLS, Flannery B, Sato HK, Will RM, Rodrigues RCM, Oliveira IC, Barbosa TC, Sá GRS, Rego MF, Curti SP, Lemos XR, Morhdieck R, Sturmer D, Oliveira MJC, Silva JB, Solorzano CC, Camacho LAB, Luna E. Follow-up Study of Unknowingly Pregnant Women Vaccinated Against Rubella in Brazil, 2001–2002. JID, 204:S729–S736, 2011.

 

Dotô, é carnaval!!!!

curta o carnaval

É meus caros pacientes, chegou o tempo de folia … correr atrás do trio e se divertir!!!! Mas e o Dotô com isso? Além da fantasia de Dotô ser bem comum nessa época, o número de infecções causadas por alguns vírus aumenta consideravelmente. Estamos falando das DSTs, ou doenças sexualmente transmissíveis, das arboviroses e das gastroenterites. Eu sei, que durante o carnaval, temos muitas coisas para pensar ao mesmo tempo: para onde vamos, quem vai, quais fantasias usar, qual nosso itinerário nos blocos, quantos dias, entre outras muitas grandes questões levantadas. Mas não custa nada incluir algumas precauções que vão te ajudar a ter um divertimento completo e sem riscos para sua saúde.

O ABC … R, T e V do Dotô para um carnaval saudável

            Segue abaixo algumas dicas para você curtir o carnaval sem se preocupar depois:

A – Alimentos: evite o consumo de alimentos de origem desconhecida, dê preferência para os alimentos e bebidas industrializados. Na dúvida opte sempre pelo consumo de alimentos cozidos ou assados.

B- Não beba água de bicas, torneiras e poços. É muito importante se hidratar, mas com segurança. Compre sempre garrafas de água industrializadas e evite beber água ou caipirinha de origem desconhecida ou de outros foliões que podem ter enchido seus cantis ou copos com água de bica, torneira ou sabe-se lá de onde mais.

C- CAMISINHA. É clichê, mas é verdade: sexo só de camisinha. A distribuição de camisinhas masculinas e femininas é feita pelos postos de saúde e pontos de distribuição durante o carnaval. Procure, não gasta nada e você se previne.

R- Repelente. Para todos os foliões e pra quem vai ficar em casa, não importa, na atual situação do Brasil frente a tripla epidemia (Dengue, Chikungunya e Zika) e após o prolongado período de chuvas na região sudeste, o repelente se faz necessário para todos.

É importante lembrar, que quando for passar o repelente com outros produtos como protetor solar e maquiagem, o repelente sempre deve ser o último a ser aplicado, para que ele tenha sua ação garantida. A aplicação deve ser realizada de acordo com o período estabelecido pelo fabricante.

T- Teste do HIV. Você que tem aquela pulga atrás da orelha ou você que quer ter certeza que está saudável para pular o carnaval, faça o teste de HIV antes ou depois do carnaval. O teste é de graça e está disponível nos postos de saúde do seu município … Partiu teste?!

V- Vacinação. Para você que vai viajar para outro estado, veja as recomendações de vacinação para aquela área. A vacina contra Febre Amarela é importante para aqueles que pretendem viajar para a região Amazônica, Centro-Oeste e algumas regiões do estado de Minas Gerais. Fiquem atentos também para a vacina contra a raiva, procure se informar onde encontrar atendimento em caso de acidente com animais errantes ou silvestres que podem transmitir o vírus da Raíva.

Outras recomendações relacionadas podem ser encontradas no blog do ministério da saúde:

http://www.blog.saude.gov.br/

Seja um folião consciente e se mantenha saudável durante o carnaval!!!!!

Divirtam – se!!!!!

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

vaigem saudável

alerta aedes

O Calendário de vacinação mudou!

vacina_familia

Caras mamães, papais e toda a família: o ano de 2016 promete! E como o Brasil não é feito só de Carnaval e Olimpíadas, vamos ao foco principal dessa postagem, as novas mudanças no calendário de vacinação, que já estão acontecendo! Como a mudança não correu apenas para vacinas antivirais, o Dotô incluiu também as vacinas que previnem infecções bacterianas. Informação nunca é demais e a prevenção é a melhor medida de proteção sempre.

Vamos lá, anotem aí:

1. Vacina contra hepatite A. Para garantir a proteção das nossas crianças de até dois anos contra o vírus da hepatite A. Como era antes: aplicada a partir de 12 meses de idade. Como será agora: aplicada a partir de 15 meses de idade.

2. Vacina contra hepatite B. Essa vacina irá proteger vocês, queridos pacientes, da infecção contra o vírus da hepatite B. Como era antes: A vacinação ocorria até os 50 anos. Como será agora: Agora o público-alvo é TODA A POPULAÇÃO. Ou seja, os idosos, que eram os únicos que estavam de fora, agora podem se vacinar.

3. Vacina contra poliomielite. Mesmo não tendo mais casos no Brasil a um bom tempo, enquanto a doença não for erradicada, ou seja, enquanto o vírus da pólio ainda estiver por aí, precisamos vacinar nossas crianças. O público-alvo continua sendo as crianças de até 5 anos de idade, porém o esquema vacinal mudou. Como era antes: a terceira dose era por via oral (a famosa gotinha) usando o vírus atenuado. Como será agora: a terceira dose será injetável, usando vírus inativado (popularmente chamado de vírus “morto”).

Assim, o esquema da vacina contra poliomielite será:

  • 1ª dose aos 2 meses de idade (injetável)
  • 2ª dose aos 4 meses de idade (injetável)
  • 3ª dose aos 6 meses de idade (injetável)
  • 1º reforço aos 15 meses de idade (oral)
  • 2º reforço aos 4 anos de idade (oral)

4. Vacina contra HPV. Para proteger as meninas de 9 a 13 anos contra os principais tipos de papilomavírus humano, fortemente associado ao câncer de colo de útero. Como era antes: era aplicada em três doses. A segunda dose era após 6 meses da primeira, e a terceira, após cinco anos. Como será agora: a vacina será aplicada em duas doses, com intervalo de 6 meses cada.

5. Vacina anti-pneumocócica 10-valente. O público-alvo são as crianças até 5 anos. Essa vacina protege as crianças da infecção causada por uma bactéria, popularmente chamada de Pneumococos. Essa bactéria pode causar pneumonia, otite, meningite, entre outras doenças. Como era antes: era aplicada em três doses + um reforço. Como será agora: Só será aplicada em duas doses + reforço.

Assim, o esquema da vacinação anti-pneumocócica será:

  • 1ª dose aos 2 meses de idade
  • 2ª dose aos 4 meses de idade
  • Reforço aos 12 meses de idade.

6. Vacina anti-meningocócica C. Essa vacina protege contra a bactéria meningococo C, que causa meningite. O público-alvo são as crianças até 4 anos. Como era antes: o reforço acontecia aos 15 meses. Como será agora: o reforço foi antecipado para os 12 meses.

Assim, o esquema para vacina anti-meningocócica será:

  • 1ª dose aos 3 meses
  • 2ª dose aos 5 meses
  • 1º reforço: aos 12 meses

Em casos de não vacinados: dose única entre 12 meses e 4 anos.

Atualizaram aí os cartões da família, né?

Vacina é proteção PARA TODOS, não só para nossa família. Partiu exercer nossa cidadania? Vacine-se!

Segue um site bem legal da Sociedade Brasileira de Imunização, que fala sobre vacinação: http://familia.sbim.org.br/ Lá tem também alguns mitos que costumam circular por aí, informações sobre as doenças e uns vídeos bem bacanas incentivando a prevenção.

Aqui vai um vídeo contando a história de pessoas que tiveram poliomielite e incentivando às mães e pais à vacinarem seus filhos:

 

REFERÊNCIAS:

Nota normativa do Ministério da Saúde sobre as mudanças no calendário de vacinação. Disponível em: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/legislacao/2015/58563/nota_informativa_149_pdf_23535.pdf. Acessado em 06/01/2016

Portal Saúde. Ministério da Saúde realiza mudanças no calendário de vacinação. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/21518-ministerio-da-saude-realiza-mudancas-no-calendario-de-vacinacao. Acessado em 06/01/2016

Folha de São Paulo. Calendário de vacinação no SUS terá mudanças esse ano; veja alterações. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/01/1726049-calendario-de-vacinacao-no-sus-tera-mudancas-neste-ano-veja-alteracoes.shtml. Acessado em: 06/01/2016

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

 

 

 

 

 

Dotô, é verdade que a microcefalia é causada pela vacina de Rubéola?

grávida

Fonte: http://www.canalgravidez.com.br

                Não, é mentira. Uma mentira extremamente exagerada e sem nexo.  Quando a mulher engravida, algumas vacinas são necessárias como a vacina de tétano e difteria causadas por bactérias, bem como a vacina da gripe causada pelo vírus Influenza. Mas a vacina da Rubéola é contra-indicada na gravidez. Na verdade, a vacina da Rubéola em grávidas pode causar uma doença chamada “Sindrome da Rubéola Congênita”, que afeta principalmente os fetos quando a mãe é vacinada no primeiro trimestre de gravidez. Essa doença pode causar aborto e comprometer o desenvolvimento do feto, causando mal formações como deficiência auditiva, catarata, glaucoma e deficiência auditiva. Podendo ainda causar retardo do desenvolvimento e diabetes mellitus. A vacina é formada pelo vírus da Rubéola no estado atenuado (vacina atenuada), que não causa a doença em geral, mas em grávidas, pelo seu sistema imune estar fraco, o vírus pode reverter e causar a doença. Por esse motivo, ela não é indicado para grávidas.

                Por conta desta contraindicação para grávidas é que esse boato não tem cabimento. O boato surgiu na semana passada quando uma pessoa, que não parece conhecer direito a área de saúde, afirmou em um vídeo no youtube e em sua página no facebook de que a microcefalia causada pelo Zika, na verdade era causada por um lote de vacina de Rubéola vencido que estava sendo inoculado nas grávidas e, por isso, os bebês estavam tendo microcefalia. Se você, caro paciente, procurar um pouco na internet para se informar melhor verá que o que foi dito pelo individuo não faz o mínimo sentido, pois além de não ser indicada a vacinação para Rubéola em grávidas, ele faz várias afirmações que não coincidem com a realidade na virologia. Vocês podem até fazer uma brincadeira. Vejam o vídeo e tentem descobrir quantas vezes ele falou besteiras sobre a virologia. Chamem seus amigos. Vai ser super divertido. Aqui está o link para vocês brincarem: https://www.youtube.com/watch?v=Boy9_naXBEA

Além desse boato, outros boatos apareceram. Segue alguns dos que o Dotô soube:

1) O Zika não veio na Copa, foi produzido em laboratório.

2) O Zika só apareceu pois os mosquitos geneticamente modificados soltos pela Fundação Oswaldo Cruz para tentar diminuir a quantidade de mosquitos transmissores do mosquito da dengue, foram capazes de se infectar pelo Zika (então a culpa é da Fundação Oswaldo Cruz).

3) A epidemia de Zika é muito maior do que pensamos e o governo está escondendo tudo, a maior parte das crianças que nascerão em 2016 terão microcefalia (A verdade está lá fora…).

4) Alguns repelentes caseiros são mais fortes do que outros repelentes para “espantar” o Aedes aegypti.

4) O Zika só veio para o Brasil, pois ele gosta de futebol.

                Esses boatos atrapalham mais do que ajudam os Dotôres e o Ministério da Saúde. Simplesmente, pois ao acreditar nesses boatos as pessoas começam a deixar de se cuidar e, com isso, pode aumentar o número de mosquitos e aumentar o número de nascimentos de crianças com microcefalia. Afinal, para que se cuidar se a culpa não é do mosquito? Além disso, o alarde e preocupação das pessoas tem aumentado muito o uso de repelentes em crianças de todas idades, o que levou ao aumento de crianças com problemas ao usar os repelentes. Principalmente repelentes caseiros, não certificados. O filme Contágio mostra bem isso, quando um jornalista (interpretado pelo ator Jude Law), acredita que existe um remédio que pode tratar a infecção causada pelo vírus MEV-1 e alerta a população, dizendo que o governo está escondendo da população que esse remédio pode levar à cura da doença. Ao ver esse relato do jornalista, várias pessoas começam à procurar esse remédio e o utilizam acreditando que vão ser curados. O que não é bem a verdade. Assistam o filme, ele é bem interessante.

                Além dos boatos relacionados ao Zika, vários boatos relacionados à virologia vem sendo espalhado pela internet, facebook e o whatsapp todos os dias e muitas pessoas estão acreditando em boatos assim. É só pararmos para pensar se realmente faz sentido acreditar em um áudio que você recebeu pelo whatsapp de alguém que você não conhece ou de um vídeo de uma pessoa qualquer dizendo que vai acontecer isso ou aquilo, ou de que a causa de determinada doença não é exatamente a que a ciência diz. Você tem que avaliar o seguinte: Eu devo acreditar em uma pessoa sem credenciais cientificas, que não estudou, que não é um especialista na área ou acreditar em profissionais altamente gabaritados que passam a vida discutindo, estudando, testando e aplicando o seu conhecimento para melhorar a saúde da população? Uma imagem postada no facebook está mais correta do que páginas oficiais como as páginas da Fiocruz, Ministério da Saúde ou Organização Mundial da Saúde? Antes de pensar em uma teoria da conspiração pense em como as coisas podem dar errado se você não acreditar no trabalho dos dotôres e da ciência. Pergunte, se informe e sempre questione, pois acreditar em qualquer um pode ser a diferença entre você ficar doente, seus filhos ficarem doentes ou seus vizinhos ficarem doentes, e ajudar na diminuição de doenças como Zika e a microcefalia. O Dotô, por exemplo, estará sempre aqui para tirar suas dúvidas e discutir melhor sobre a virologia.

Abraços e até a próxima.

 

 

GLOSSÁRIO:

Vacina atenuada: Vacina formada por vírus ou bactérias vivas, mas que foram cultivados em condições que levam à perda da capacidade de provocar doença. Mesmo não provocando a doença, o vírus é reconhecido pelo sistema imune que leva à resposta imune contra novas infecções pelo vírus. Em virologia, temos como exemplo vacinas atenuadas contra sarampo, varicela, febre amarela, rubéola, rotavírus e poliomielite.

REFERÊNCIAS:

Canal gravidez. A mulher pode tomar vacinas durante a gravidez?. Disponível em: http://www.canalgravidez.com.br/a-mulher-pode-tomar-vacinas-durante-a-gravidez/. Acessado em 19/12/2015.

Hayes EB. Zika Virus Outside Africa. Emerging Infectious Diseases. 2009;15(9):1347-1350. doi:10.3201/eid1509.090442.

Portal Saúde. Perguntas e respostas – Zika vírus. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/maio/14/PERGUNTAS-E-RESPOSTAS-Zika.pdf. Acessado em: 19/12/2015.

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)

Em tempos de Zika, porque ainda temos medo do Ebola?

Ebola

Em meio à tantas notícias preocupantes sobre o vírus Zika e possíveis impactos da sua infecção durante a gestação, como discutimos em nosso último post, nos surpreendemos no mês de novembro com o anuncio de mais um caso suspeito de Ebola no Brasil. Após meses de silêncio e de uma falsa sensação de que o vírus Ebola não era mais um problema mundial, eis que surge a dúvida: “é ebola ou não é?!”

Uffa, não foi! O caso suspeito se tratava de um paciente brasileiro que viajou para Guiné, país que ainda sofre com a epidemia causada pelo vírus Ebola. O paciente foi atendido no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e, através de testes realizados pela própria fundação, a suspeita foi descartada. O paciente foi diagnosticado com malária e recebeu alta na manhã do dia 14/11.

Quer saber mais detalhes sobre o caso? Segue o link: http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2449&sid=32

Mas Dotô, a epidemia de Ebola não acabou?

Não, meu caro paciente, a epidemia, que começou em março de 2014, já contabiliza cerca de 29 mil casos e mais de 11 mil mortes, seis países africanos e mais quatro países dos continentes Europeu e Americano. Apesar de um aparente controle, ainda existem alguns focos ativos da doença na África, como Guiné e Libéria.

Vamos focar na Libéria: A OMS havia anunciado no dia 03/09 o fim da transmissão do vírus Ebola na Libéria, onde a epidemia já deixou cerca de 4.000 mortos, com um total de 10.600 casos. A declaração foi feita após 42 dias sem casos no país. Porém, na última semana, três novos casos de ebola foram confirmados no país, depois de dois meses da Libéria ter sido declarada livre do vírus. O anúncio foi feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), na última sexta-feira (20/11). Um dos casos confirmados foi de um garoto de 15 anos de idade, admitido em uma unidade de saúde na Libéria, no dia 19/11. Depois de diagnosticado, o rapaz foi transferido para um centro de tratamento de Ebola, juntamente com outros cinco membros da sua família. Os outros dois casos confirmados com ebola eram da família do rapaz: um menino de 8 anos e seu pai, que já estão em isolamento. Além da família, 149 contatos foram identificados até agora, incluindo 10 profissionais de saúde que tiveram contato próximo com o jovem de 15 anos antes do isolamento. As investigações para descobrir a origem da infecção estão em um estágio inicial.

Dotô essa epidemia vai ter fim? O Ebola pode ser erradicado?

Bem, é difícil prever um fim para essa epidemia, porque pequenos focos continuam aparecendo, além de casos esporádicos. O ressurgimento da doença já era esperado, provavelmente por um vírus persistente em um indivíduo convalescente, ou através da infecção a partir de animais silvestres. Lembrando que, apesar do Ebola ser transmitido de uma pessoa para outra, estamos falando de uma zoonose. Além disso, a fonte das infecções iniciais desse surto está associada a transmissão a partir de animais silvestres.

Por esse motivo, o Ebola não pode ser erradicado, pois não possuímos uma vacina eficaz para interromper a transmissão pessoa a pessoa, e o mais importante: por poder infectar outros animais além do homem, o vírus Ebola vai continuar na natureza. Não podemos falar de erradicação, mas sim de controle, e este controle deve ser focado na vigilância de casos suspeitos, não só nos países africanos, mas no mundo inteiro.

Sim, o vírus Zika é um problema grave de saúde pública, mas lembrem-se que o Zika foi introduzido na Copa de 2014 e as Olimpíadas vêm aí! Precisamos ficar de olho … o Dotô com certeza está antenado!

GLOSSÁRIO:

Zoonose: são doenças que podem ser transmitidas do animal para o homem e vice-versa, tanto através do contato direto com secreções ou excreções, quanto através da ingestão de alimentos contaminados de origem animal.

 

REFERENCIAS:

Organização Mundial de Saúde. Ebola report. http://apps.who.int/ebola/current-situation/ebola-situation-report-25-november-2015

Organização Mundial de Saúde. Update Libéria. http://www.who.int/csr/disease/ebola/flare-up-liberia/en/

Organização Médicos Sem Fronteiras. Informações sobre o ebola. http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/ebola

 

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte (Dotô, é virose?)